Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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Novos sistemas de busca inibem descobertas

Por Somini Sengupta em 22/01/2013 na edição 730

Na literatura e na filosofia, no Ocidente e no Oriente, o conceito de busca se refere a empreitadas humanas ambiciosas e expansivas. Buscamos a Terra Prometida e o cálice sagrado; astrônomos buscam vida no espaço; Buda buscava a verdade.

Mas na internet as buscas mudaram nos últimos anos. As companhias de web hoje definem as buscas como “personalizadas”, ou, em jargão do Facebook, “sociais”.

Essa forma de busca foi criada para permitir que o setor ganhe mais dinheiro, porque permite que ele veicule publicidade direcionada. Essas buscas podem até ser úteis aos consumidores, mas elas também ameaçam estreitar nossos horizontes.

No caso do Google, a busca personalizada rastreia o que buscamos e escrevemos em nossa comunicação via e-mail e, com isso, procura nos conhecer tão bem que seus robôs sejam capazes de prever aquilo que desejamos saber.

Uma busca por “vinícolas em Sonoma” no Google pode mostrar uma conversa por e-mail relevante, mas esquecida em sua caixa de mensagens. Os algoritmos da empresa podem minerar, além dos links disponíveis na web, aquilo que os amigos do usuário têm a dizer sobre as vinícolas de Sonoma no Google+.

Isso não significa que a pessoa não possa ignorar as recomendações dos amigos, claro, ou que não possa perguntar à vendedora da loja de vinho que variedade combina com um prato de moluscos. Mas torna mais difíceis os achados acidentais. A descoberta perde relevância.

Luxo só

No Twitter, a aba “descobrir” prevê o que você gostaria de ler. A Amazon.com oferece indicações sobre coisas que você poderia querer comprar “com base em seu histórico de navegação”.

O Facebook ingressou na semana passada no ramo das buscas. Empregará para isso os dados que fornecemos. Pergunte algo, e os robôs do Facebook vasculharão os posts de seus amigos atrás de uma resposta. Teoricamente, essas respostas influenciarão a música que você ouve, os livros que lê e, quem sabe um dia, os deuses que cultua.

Na era das buscas sociais, passar a tarde na biblioteca vasculhando as estantes de poesia é um imenso luxo. Assim como caminhar por uma cidade, anônimo, para ir a um restaurante e experimentar comidas novas e exóticas.

***

[Somini Sengupta do New York Times]

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