Terça-feira, 16 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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No Reino Unido, teles disputam Wi-Fi

Por Daniel Thomas em 26/02/2013 na edição 735

Uma piada que circula no Reino Unido diz que a única razão pela qual os clientes frequentam uma conhecida rede de cafés é por seu serviço de conexão à internet via Wi-Fi e banheiros gratuitos. Para muitos usuários de celulares, a possibilidade de acesso sem fio à internet tornou-se um “serviço de utilidade pública”, especialmente em centros urbanos, onde está em curso uma corrida cada vez mais acirrada pela posse de hotspots (pontos de acesso) de Wi-Fi.

Nesta semana, a operadora de telecomunicações BT anunciará uma parceria com o Barclays para a instalação de Wi-Fi gratuito em 1,5 mil agências bancárias em todo o Reino Unido, o que permitirá aos clientes acessar gratuitamente a internet. A BSkyB anunciou ontem um acordo de roaming em Wi-Fi com a AT&T que permitirá a seus usuários móveis americanos em visita ao Reino Unido se conectarem automaticamente à sua rede de 16 mil hotspots. Novos hotspots estão sendo criados continuamente por provedores de Wi-Fi como a O2 e a Virgin Media, bem como pela Cloud, adquirida pela BSkyB dois anos atrás, e BT.

A BSkyB disse que a Cloud está adicionando mais de mil hotspots por mês, ao passo que a BT oferece agora cerca de 4,8 milhões de hotspots, um aumento de 40% ano sobre ano. Essa presença é consideravelmente reforçada pela parceria da BT com a Fon, uma empresa que aproveita capacidade de banda larga doméstica para oferta de hotspots Wi-Fi para outras pessoas usarem. A BT disse que quase 4 bilhões de minutos de capacidade Wi-Fi foram usados por clientes no último trimestre, o triplo do volume de acessos registrados ao longo do ano.

Serviço de visualização remota

Não são apenas empresas privadas que estão firmando acordos com operadores de telecomunicações. Na semana passada, a FirstGroup, uma empresa de transportes, revelou planos de oferecer acesso Wi-Fi em seus ônibus, ao passo que a London Underground, mediante um acordo com a Virgin Media, já equipou suas estações com um sistema de Wi-Fi que já foi usado por mais de 1 milhão de pessoas. A prefeitura de Westminster, em Londres, também já vendeu acesso a seu mobiliário urbano à O2 para a conexão de uma rede gratuita de Wi-Fi.

“Há uma sensação de que está em curso uma ‘corrida por apropriação de espaço’”, disse Andy Baker, presidente-executivo da subsidiária da BT no setor de Wi-Fi. Mas para a BT, que oferece acesso a hotspots Wi-Fi incluído em suas tarifas de banda larga, e suas concorrentes, esses serviços são um recurso adicional para reter clientes e conquistar novos usuários. “A conexão Wi-Fi muitas vezes não é, em si mesmo, um modelo de negócios, mas um meio para um fim”, disse Baker. “Pode ter a ver com distribuição de conteúdo ou de retenção de clientes. Cada novo iPad ou telefone gera necessidade de Wi-Fi.”

Dougal Scott, diretor de estratégia da Sky, disse que desde a aquisição da Cloud, a empresa lançou o serviço Sky Go, de visualização remota, que foi acessado predominantemente por meio de Wi-Fi público. “Isso tem a ver com o aumento do valor das nossas assinaturas”, afirmou. Empresas de tecnologia estão também cada vez mais oferecendo Wi-Fi. O serviço iMessage, da Apple, pode ser roteado por redes Wi-Fi – gratuito para o usuário e para a empresa –, ao passo que as ligações de voz podem ser feitas através da internet usando conexões Wi-Fi para dados e serviços como o Skype.

Bombardear o usuário com anúncios

A BT lançou recentemente seu próprio serviço de voz pela internet e a Virgin está planejando um serviço denominado SmartCall. Operadoras móveis consideram a tecnologia Wi-Fi como um complemento à cobertura de banda larga para celulares e algo que ajuda a “aliviar o tráfego” de uso crescente de dados em suas sobrecarregadas redes metropolitanas. A Juniper Research prevê que em 2016 as prestadores de serviços ajudarão a transferir cerca de 60% do tráfego de dados para redes Wi-Fi e similares.

A tecnologia Wi-Fi permite acesso rápido à internet móvel, mas apenas num raio de alcance limitado usando espectro livre não licenciado, o que significa que não consegue competir diretamente com sinais de telefonia móvel capazes de ser transmitidos em uma área muito mais ampla. Os parâmetros de velocidade e confiabilidade variam enormemente, dependendo, por exemplo, de quantas pessoas estão usando o serviço e se o Wi-Fi está conectado a uma rede de fibras ópticas.

Andrew Barron, diretor de operações da Virgin Media, disse que a estratégia da empresa é trabalhar em associação com serviços de telefonia móvel e ampliar os serviços móveis existentes. Ele abriu sua rede Tube a outras operadoras de telefonia móvel, o que significa que a Virgin gera uma tarifa de uso por atacado ao lado das vantagens proporcionadas a seus próprios clientes. A companhia está também implantando redes locais de “pequenas células” que proporcionam uma experiência de Wi-Fi em centros urbanos e serão abertas a companhias de telefonia móvel. Existem outras maneiras pelas quais as empresas podem faturar com Wi-Fi, por exemplo, valendo-se da identificação e da localização do usuário para bombardeá-los com anúncios. Para provedores de serviços de internet, porém, a oferta de recursos Wi-Fi tem um objetivo mais benéfico. Para a maioria deles, trata-se de um serviço útil adicional a ser oferecido a seus clientes (colaborou Rose Jacobs).

***

[Daniel Thomas, do Financial Times, em Londres]

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