Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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“Computação afetiva” mira emoções

Por Jenna Wortham em 25/06/2013 na edição 752

A inteligência artificial cresce em nossas vidas em um ritmo constante. Dispositivos e aplicativos podem prever o que queremos, às vezes até antes de percebermos. Então por que não poderiam compreender nossos sentimentos? Se as reações emocionais fossem medidas, elas poderiam trazer dados valiosos para melhorar o design e o desenvolvimento de gadgets. Essa inteligência emocional artificial, também chamada de computação afetiva, pode estar a caminho.

Mas isso deveria acontecer? Afinal, já lutamos para enfrentar a natureza onipresente dos dispositivos em nossas vidas. Sim, esses gadgets seriam mais eficientes se pudessem reagir quando estamos frustrados, entediados ou ocupados demais para sermos interrompidos. Mas também seriam intrusivos de maneiras que não podemos sequer imaginar. Empresas como a Affectiva trabalham em softwares que treinam os computadores para reconhecer emoções humanas com base nas expressões faciais e reações fisiológicas. Uma empresa chamada Beyond Verbal, que acaba de levantar cerca de US$ 3 milhões em capital de risco, está trabalhando em uma ferramenta de software que, com base no tom da voz de uma pessoa, pode determinar qualidades como arrogância, incômodo ou ambas.

A Microsoft revelou recentemente o Xbox One, a próxima geração de seu console de jogos, que inclui uma atualização do Kinect, dispositivo de rastreamento de movimentos que permite que as pessoas controlem jogos movendo mãos e corpo.

Sentimento do consumidor

O novo Kinect, que chegará ao mercado no final deste ano, tem uma câmera de alta definição capaz de identificar pequenas mudanças do esqueleto e dos músculos do corpo e da face. Além disso, um dos novos sensores do Kinect usa tecnologia infravermelha para acompanhar os batimentos cardíacos do jogador. Isso poderia eventualmente permitir que a empresa detectasse quando o pulso do jogador se acelera durante um concurso de condicionamento físico – e a sua animação ao vencer um jogo.

A Microsoft diz que os jogos poderão até se adaptar em tempo real à reação física dos jogadores, intensificando a ação se eles não estiverem suficientemente estimulados ou reduzindo-a se ela estiver assustadora demais. “Estamos tentando entender a mente dos jogadores”, disse Albert Penello, diretor de planejamento de produto da Microsoft. Com o tempo, disse ele, a tecnologia embutida na câmera do Kinect poderá ser usada para um leque mais amplo de aplicações, inclusive para rastrear as reações enquanto uma pessoa vê publicidade ou faz compras online, na esperança de compreender o que atrai ou não o interesse da pessoa.

Empresas de mídia online, como Netflix, Spotify e Amazon, já têm acesso ao sentimento do consumidor em tempo real, sabendo de quais capítulos, trechos de canções, filmes e programas de TV as pessoas gostam ou detestam, pulam ou querem assistir de novo.

Arquivada e analisada

Assim, não é um grande salto imaginar que sensores como os do Kinect serão usados para criar novas experiências de entretenimento. As possibilidades vão muito além. Prerna Gupta, diretora de produto na Smule, estúdio de desenvolvimento que faz jogos para celular, falou sobre o assunto na conferência South by Southwest, em Austin, no Texas, em março. Ela chamou sua palestra de “Apps do futuro: Instagram para cyborgs” e examinou o futuro distante das potenciais aplicações. Para ela, indústrias como a de saúde poderão ser revolucionadas por tecnologias de percepção de emoções. “Rastrear como nossos corpos reagem ao longo do dia poderá permitir que moldemos a vida de acordo com eles”, disse. Poderia permitir que nutricionistas criassem dietas minuciosas para clientes ou que médicos encontrassem tratamentos mais eficientes. É claro que o leque de preocupações éticas e de privacidade é enorme.

Clive Thompson, autor de um livro no prelo, Smarter Than You Think: How Technology Is Changing Our Minds for the Better [Mais inteligente do que você pensa: como a tecnologia está mudando nossas mentes para melhor], diz que essas possibilidades animadoras precisam ser exploradas muito cuidadosamente.

Ele explicou que uma companhia de seguros, por exemplo, pode querer saber o estado de espírito de seus clientes de modo a aumentar seus prêmios se eles derem sinais de estar deprimidos ou doentes. Ele se pergunta se todos nós ficaremos mais hábeis em mascarar as emoções se soubermos que estamos sendo observados e analisados. “Estamos falando de enormes arquivos de dados pessoais que são realmente reveladores”, disse Thompson. “Sem mencionar que é perturbador que o reconhecimento da emoção se torne mais uma parte de nossas vidas que é arquivada e analisada.”

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Jenna Wortham, doNew York Times

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