Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Governo vai montar ‘gabinete digital’

Por Natuza Nery e Andréia Sadi em 30/07/2013 na edição 757

Depois das manifestações de junho, que ocorreram após intensa organização na web, o governo decidiu montar um “gabinete digital” para se comunicar, sem intermediários, com as redes sociais.

Segundo a Folha apurou, o objetivo é abastecer o mundo cibernético com dados oficiais; monitorar e pautar o debate virtual; fazer disputa de versões, desfazer boatos e tentar, na medida do possível, colocar a presidente Dilma Rousseff em contato mais direto com internautas.

Ao contrário do Participatório, espaço virtual lançado pelo governo na última quarta, mas em gestação desde 2011, o “gabinete digital” responde ao chamado “susto das ruas” no Executivo.

Os protestos de junho foram articulados na internet sem que o poder público conseguisse capturar a movimentação e, menos ainda, reagir.

No período, a popularidade presidencial caiu 27 pontos, conforme pesquisa do Datafolha de 29 de junho.

Reuniões reservadas

Não por acaso, o comando para criar o órgão partiu da própria Dilma Rousseff. Em sinal de que já é visto como estratégico, a nova estrutura será instalada no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha a presidente.

O gestor Valdir Simão coordenará a equipe. Ex-secretário-executivo do Turismo, onde criou um sistema de acompanhamento de emendas parlamentares na pasta, sua principal função será sistematizar dados oficiais e disponibilizá-los em linguagem acessível. Essa plataforma servirá de base para instrumentalizar as redes sociais.

Além disso, está em avaliação a criação de uma espécie de “ouvidoria virtual”, ligada quase em tempo real à Presidência da República. Uma das alternativas é fazer isso por uma conta no Facebook.

Para o criador da personagem “Dilma Bolada” no Twitter, Jeferson Monteiro, se autoridades estivessem nas redes no auge dos protestos, as pessoas teriam a quem recorrer.

“Há uma central de boatos instalada dos dois lados, e isso é muito ruim. Ninguém está interessado em ir lá no site da Presidência ver a verdade. Estão trabalhando só com marketing, não ampliam o diálogo”, afirma Monteiro.

Em reuniões reservadas, o ex-presidente Lula manifestou preocupação similar e pediu mais ativismo nas redes.

Tanto o PT quanto o governo Dilma reconhecem o que pesquisas e especialistas apontam: o noticiário produzido por jornais, portais e TVs brasileiros dominou os compartilhamentos em redes sociais durante os protestos que pararam o Brasil em junho.

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Natuza Nery e Andréia Sadi, da Folha de S.Paulo

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