Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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Desafio é proteger usuário sem afetar lucros

Por Amir Efrati em 06/08/2013 na edição 758
Reproduzido do Valor Econômico, 1/8/2013; título original “Proteger usuário sem afetar lucros é desafio para Google”; intertítulos do OI

Em 2011, Larry Page, um dos fundadores e diretor-presidente do Google Inc., pediu a executivos da empresa que criassem uma nova ferramenta de privacidade, simplificada, que funcionaria como uma escala móvel. Ela permitiria ao usuário definir qual o nível de informações a seu respeito – mínimo, médio ou máximo – que autoriza ser coletado em todos os serviços do Google, e também até que ponto as informações seriam protegidas para não serem visualizadas por outros usuários.

Depois de muita disputa e muitas tentativas de construir a ferramenta, semelhante a uma agulha num visor cujos três pontos principais foram apelidados de kitten (gatinho), cat (gato) e tiger (tigre), a ideia foi abandonada no ano passado, segundo pessoas a par do assunto. Como o Google tem muitos serviços de internet que funcionam de maneiras diferentes, os executivos acharam impossível reduzir os controles de privacidade a um número tão insignificante de categorias, disseram essas pessoas. Elas acrescentaram que, além disso, permitir que as pessoas escolhessem a configuração de proteção máxima, a chamada “opção paranoia” iria contra os esforços mais recentes do Google para que mais usuários compartilhem suas informações pessoais na rede social Google+.

As empresas de tecnologia costumam afirmar que se preocupam com a privacidade dos usuários e procuram protegê-los contra intrusões injustificadas do governo; no entanto, elas estão coletando e analisando volumes cada vez maiores de dados de usuários e lucrando com isso. Para a maioria dos internautas, vale a pena fornecer dados pessoais em troca dos serviços de internet. Outros não desejam que sua vida online seja rastreada e analisada.

Milhares de “eventos”

A abrangência da coleta de informações do Google sobre os usuários de internet rivaliza com a de qualquer entidade, governo ou empresa. O gigante das buscas e anúncios na internet continua a expandir sua coleta e análise de dados, transformando sua missão de indexar o mundo todo, com seus habitantes e seus interesses, em um negócio de publicidade de uns US$ 50 bilhões anuais. Os executivos do Google também mantêm em segredo boa parte das suas práticas internas de manipulação de dados, temendo que discutir temas relativos à privacidade possa prejudicar a empresa junto aos consumidores, segundo pessoas que trabalharam na área de privacidade do Google.

Mas há sinais de que está aumentando a pressão sobre o Google para que calibre a ênfase dada à privacidade do usuário. Prejudicados por alguns erros cometidos no passado relativos à privacidade, erros que geraram uma polêmica mundial, e agora sob supervisão regulatória mais estrita nos Estados Unidos e na Europa, os executivos estão envolvidos em amplos debates internos e, em alguns casos, atrasando o lançamento de produtos para atender às preocupações com a privacidade, segundo pessoas a par do assunto.

Eric Grosse, diretor do Google para engenharia de segurança e privacidade, disse numa entrevista que a empresa se preocupa profundamente em proteger as informações pessoais dos usuários e tenta ser “o mais franca e aberta possível” sobre a forma como funcionam todos os intrincados mecanismos da internet. A cada hora, um usuário ativo do Google pode gerar centenas ou milhares de “eventos” de dados que o Google armazena em seus computadores, disseram pessoas a par desse processo.

Cartão de crédito

Esses eventos incluem as ocasiões em que as pessoas usam toda a gama de serviços do Google, que há muito coletam informações sobre as buscas que os usuários fazem privadamente na web. Incluem-se também os vídeos que as pessoas assistem no YouTube, site que recebe mais de um bilhão de visitantes por mês; os telefonemas que dão por meio do Google Voice ou a partir de quase um bilhão de smartphones com o sistema Android, do Google; e os torpedos que enviam via telefones Android e os e-mails via Gmail, que tem mais de 425 milhões de usuários. Se um usuário se registra para usar o Gmail e outros serviços do Google, as informações coletadas aumentam e ficam vinculadas ao nome associado à conta. O Google pode então coletar informações sobre os endereços dos sites que a pessoa visita depois de pesquisar no Google.

Mas mesmo que a pessoa visite os sites sem antes procurá-los no Google, a empresa pode coletar muitos endereços de sites visitados por meio do seu navegador Chrome, ou ainda se o site visitado for um dos milhões que têm instalados programas do Google, tais como o botão “+ 1”.

Os telefones baseados no sistema operacional Android e os Mapas Google podem coletar informações sobre a localização da pessoa ao longo do tempo. O Google também possui informações de cartão de crédito de mais de 200 milhões de proprietários de aparelhos com Android que já fizeram compras de aplicativos móveis, músicas ou livros em formato digital, disse uma pessoa a par do assunto.

Dados e produtos

O Google não possui tantas informações relacionadas às pessoas pelo nome, individualmente, como tem o Facebook Inc., segundo alguns ex-funcionários do Google. (O Facebook anunciou que tem mais de 1,15 bilhão de usuários mensais ativos, embora a rede social tenha um número menor de funções e, portanto, capture menos tipos de dados que o Google.) Mas o Google vem estimulando os visitantes do site a usar serviços como sua rede social Google+, procurando assim recuperar o atraso nessa frente.

A empresa continua tentando aprender mais sobre cada usuário individualmente, para poder prestar serviços personalizados. Um deles é o Google Now, que tenta fornecer informações antes mesmo que a pessoa as procure, como, por exemplo, enviando alertas sobre as condições do trânsito antes de uma reunião agendada.

Expressa em 2.200 palavras, a política de privacidade do Google coloca poucas restrições quanto ao que pode coletar ou utilizar. Mais do que a maioria das empresas similares, o Google tem mostrado disposição para revelar aos usuários algumas das informações que já coletou sobre eles, recurso que se pode acessar por meio das contas do Google ou das configurações de privacidade. (Muito poucos internautas usam de fato essas ferramentas, segundo pessoas a par dessa utilização.) O Google também disponibiliza ao usuário uma lista de informações utilizadas para lhe direcionar anúncios, com base nos sites que o Google sabe que ele visitou e as informações que forneceu aos serviços do Google. As pessoas têm a opção de impedir que o Google direcione anúncios para elas baseados nesses dados.

Mas análises mais estritas de questões de privacidade e atrasos nos lançamento são mais comuns agora, dizem pessoas a par do assunto. Criar o Google Now, um serviço para dispositivos móveis que começou a ser desenvolvido em 2011 e foi lançado em 2012, foi um drama, disse uma pessoa familiarizada com o processo. A equipe do Google Now teve que obter amplas permissões para conseguir dados vindos de diferentes grupos de produtos, como o Gmail e Google Search, disse a pessoa.

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Amir Efrati, do Wall Street Journal

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