Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Venezuela financia boom da informática cubana

Por Adriana Rivera em 06/08/2013 na edição 758
Reproduzido do Globo.com, 3/8/2013

Cuba não aparece no radar de nenhum dos grandes estudos anuais sobre o uso de tecnologias de informação, mas paradoxalmente vem experimentando um aumento em suas receitas pela venda de produtos e serviços relacionados à informática. A aliada estratégica Venezuela foi uma peça-chave para avanço da ilha no competitivo mercado das telecomunicações: não apenas se transformou em um de seus maiores clientes, como cedeu técnicos que contribuíram com a formação do material humano que conseguiu converter o setor no terceiro maior da pauta de exportação cubana.

As vendas só são superadas pelas da agroindústria e da indústria farmacêutica e biotecnológica. As cifras mais recentes do Escritório Nacional de Estatística de Cuba mostram que, em 2009, a exportação de pacotes de software e serviços informáticos rendeu a Cuba US$ 1,4 bilhão. No ano seguinte, esse número mais que dobrou, chegando a US$ 3 bilhões. A quantidade representa, por exemplo, um terço dos lucros obtidos pela gigante Microsoft em todo o mundo com a venda do programa Windows em 2012.

Batalha das ideias

O ponto de inflexão para o boom da informática cubana aconteceu em 2007. Naquele ano, a Venezuela de Hugo Chávez outorgou à ilha dos irmãos Castro o contrato para a elaboração de uma nova cédula de identidade eletrônica e a modernização do sistema de identificação. Esse acordo foi a ferramenta de Cuba para entrar em contato com os grandes provedores mundiais de programas e equipamentos para serviços de identificação e segurança. Além disso, lhe deu luz verde para exportar para outros países os mesmos bens e serviços desenhados para a Venezuela, que também adquiriu software cubano para equipar praticamente toda a administração pública nacional.

Fidel Castro concebeu o plano para digitalização da ilha no fim dos anos 1990, no contexto da Batalha das Ideias, um programa para reforçar a doutrina ideológica socialista de seu governo. Em 2002, ele criou em Havana a Universidade de Ciências Informáticas, na velha sede de uma base de espionagem e radioescuta soviética. Cerca de 5.000 estudantes de graduação e seus professores constituem hoje o principal núcleo de produção de software da ilha.

A universidade foi criada com assessoria e financiamento da Venezuela, afirma um técnico do Ministério de Ciência e Tecnologia venezuelano que participou do projeto. Segundo ele, o principal objetivo foi abrir a Cuba a porta do comércio exterior.

– O que eles podiam oferecer era só o talento humano, porque não tinham acesso à tecnologia nem a processos industriais. Eram bons engenheiros teóricos, mas muito fracos na prática. Com a intervenção venezuelana, tiveram acesso a equipamentos e entenderam como eles funcionam – afirma.

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Adriana Rivera, do El Nacional/GDA

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