Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Tutela online

Por Rosely Sayão em 27/08/2013 na edição 761
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 20/8/2013; intertítulo do OI

A internet já não é mais novidade. Os pais já têm muita informação sobre como os mais novos podem aproveitar bem o uso da rede e sobre como podem se colocar em risco dos mais variados tipos. Mesmo assim, as dúvidas continuam. Ou melhor, permanecem. Semanalmente sou consultada por pais que querem saber com que idade devem deixar o filho usar mídias sociais e/ou usar a internet sozinho, por quanto tempo eles podem ficar na internet e sobre como controlar o uso da rede para evitar que eles tenham acesso a conteúdos impróprios para a idade.

Será que são dúvidas mesmo o que os pais têm? Desconfio que não. Afinal, basta usar a própria rede para encontrar centenas de sites que orientam os pais a esse respeito. Além disso, já usamos a internet o tempo suficiente para termos acumulado uma boa experiência nesse assunto. Mas, se não se trata de falta de informação, o que é que confunde os pais a ponto de deixá-los inseguros para fazer uma escolha, tomar uma decisão a esse respeito?

Os pais não querem ser vistos pelos filhos e por seus pares como caretas. No século 21, agir como um careta soa ofensivo, humilhante, ultrapassado. E como a internet é vista como um instrumento extremamente atual, regrar seu uso para os filhos parece ganhar o sentido de antigo. Careta. Acontece que é prerrogativa do adulto que tem filho ser careta. Você pode ser antenado com todos os recursos tecnológicos, pode ter uma visão de mundo muito atual, pode entender o mundo como um jovem. Mesmo assim, será considerado careta por seu filho pelo simples fato de ser mãe ou pai. Conheço adolescentes que consideram seus pais caretas justamente por se comportarem como jovens.

Dignidade no relacionamento

Por isso, melhor usar a caretice intrínseca a seu papel, caro leitor, para transmitir a seus filhos os valores que você preza. Além disso, sempre é bom relembrar que, para conquistar a autonomia, que é a capacidade de governar a própria vida, é preciso passar, necessariamente, pela heteronomia, ou seja, ser governado por um outro. Melhor que esse outro seja a mãe e/ou o pai, não é verdade?

Os pais temem também que os filhos fiquem à margem de seu grupo e que sejam diferentes porque não frequentam os mesmos sites que os colegas, não jogam os mesmos jogos que eles, não vejam o vídeo do momento etc. Esse temor só faz sentido quando entendemos que para fazer parte de um grupo é preciso se comportar como os demais. Não! Para participar de um grupo é preciso saber integrar-se a ele e para se integrar a qualquer grupo é fundamental o autoconhecimento.

Se você autoriza que seu filho faça qualquer coisa só porque a maioria dos colegas faz, você não o ajuda a se conhecer. Sem se conhecer, ele não aprende a se respeitar, e reconhecer as próprias diferenças é absolutamente necessário para manter a identidade e, portanto, a dignidade no relacionamento consigo mesmo e com o outro. Em resumo: não há regras que levem o seu filho a fazer um bom e positivo uso da internet. Então, restam o uso do bom-senso, a aplicação dos valores familiares e o respeito à fase da vida de seu filho.

Crianças e adolescentes precisam da tutela dos pais na vida de um modo geral. O uso da internet é apenas uma pequena parte da vida que demanda essa mesma tutela.

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Rosely Sayão é colunista da Folha de S.Paulo

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