Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Aumento de dados faz empresas caçarem ‘nerds’

Por Marcelo Soares em 24/09/2013 na edição 765
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 21/9/2013

Com o crescimento no volume, velocidade e variedade dos dados disponíveis no mundo, a nova fronteira das vantagens competitivas das empresas está na organização e na análise dessas informações.

O maior problema é localizar os “nerds” com perfil profissional para extrair valor de dados que nem sempre foram feitos para análise.

Trata-se do muito falado e ainda pouco compreendido mundo do “big data”, que engloba desde bancos de dados tradicionais, em linhas e colunas certinhas, até informações sem estrutura nenhuma, como cópias de receita médica e gravações de call center.

Para o “cientista de dados” DJ Patil, autor de alguns dos mais sintéticos livros recentes sobre o assunto, o melhor executivo que já existiu foi James T. Kirk, o capitão da nave USS Enterprise na série “Jornada nas Estrelas”.

O motivo: o personagem está sempre acompanhado por Spock, especialista na análise de dados para tomada de decisões.

Patil foi o criador do termo “cientista de dados” para descrever a atuação daqueles profissionais que estão na intersecção entre o conhecimento técnico, a habilidade matemática e o conhecimento do negócio da empresa em que trabalham.

São esses, diz ele, os profissionais que podem reunir informações de uma empresa e analisá-las para descobrir oportunidades de negócios e criação de valor –como as recomendações de livros da Amazon.

Nos EUA, já existe grande demanda por esse perfil de profissional, e jovens de 21 anos podem sair da universidade ganhando US$ 150 mil anuais. Mas muitas vezes o talento pode estar mais perto do que se imagina. “Toda empresa tem sua versão do Spock”, disse Patil.

Muitas vezes, a empresa já tem as informações necessárias para criar um produto. Faltaria apenas analisá-las para descobrir oportunidades. Essas informações podem ou não estar no muito falado e ainda pouco desbravado universo do “big data” –grande volume de dados gerados dentro ou fora da empresa, e muitas vezes não organizados previamente para análise, como no caso de gravações de chamadas ao call center.

Empresas de todos os tamanhos reúnem dados analisáveis em suas operações, embora nem sempre os integrem para análise.

A Serasa, por exemplo, usa técnicas de análise de grandes massas de dados para identificar produtos financeiros a oferecer para vários perfis diferentes de clientes. Também criou modos de aferir o grau de satisfação e principais preocupações de funcionários a partir do garimpo do texto de comentários usados por eles em avaliações.

Ao alcance de muitos

Não é preciso ser parte de uma multinacional, porém, para que uma empresa tire proveito dos dados.

Um caso interessante é a criação do aplicativo “People You May Know” (Pessoas que talvez você conheça), do LinkedIn. Foi criado quando a rede social de foco corporativo ainda era pequena.

Patil trabalhava lá quando seu colega Jonathan Goldman sugeriu uma ideia simples: se fulano está tanto na rede de beltrano quanto na de sicrano, é possível supor que talvez beltrano e sicrano também se conheçam. A empresa não achou que faria sentido priorizar a criação desse produto, mas deu carta-branca a Goldman para testar por conta própria.

O resultado: hoje, o serviço é um dos maiores motores de conexão no LinkedIn e passou a ser imitado por concorrentes como o Facebook.

“Com acesso aos dados, um analista pode transformar um setor inteiro”, diz Patil.

O grande problema é a empresa ter uma cultura de uso dos dados para otimizar processos e decisões. “Numa empresa que não tem um histórico de dados, dificilmente se vai conseguir tirar muita coisa”, disse Julio Guedes, diretor da Serasa Experian.

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Marcelo Soares, da Folha de S.Paulo

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