Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Os desdobramentos do jornalismo digital

Por Cleyton Carlos Torres em 28/01/2014 na edição 783

Recentes notícias de que o Facebook lançaria seu próprio serviço de notícias, o Paper, e o lançamento de um aplicativo de curadoria de informação pelo Yahoo!, o New Digest, nos obrigam a refletir, novamente, acerca dos olhares de empresas não jornalísticas no futuro ainda aparentemente obscuro do jornalismo digital. Para incrementar essa soma, ainda vale puxar pela memória a compra do Wall Street Journal pela Amazon, outra empresa não jornalística com interesses no jornalismo.

Em 2011 havia lançado em um texto questionando se o futuro do jornalismo estaria nas mãos dos aplicativos para redes sociais. De lá para cá muita coisa mudou no modo como a mídia digital é enxergada, produzida e compartilhada pelos usuários, mas quatro anos depois mais uma vez os aplicativos com base na curadoria de informações, oriundas dos canais sociais e dos meios jornalístico, ganham contornos mais densos.

O frenético trânsito informacional ao qual somos submetidos diariamente tem obrigado os meios de comunicação a repensarem a maneira que seus conteúdos são oferecidos aos usuários. É tanto conteúdo, seja dos jornais ou dos “amadores”, que a avalanche de informações já traz problemas no comportamento das pessoas. Pesquisadores apontam que estar conectado o tempo todo não é algo tão positivo assim.

O uso de empresas de tecnologia

Com isso, é cada vez mais comum observarmos empresas dispostas a resolver esse colossal mundo de informações avoadas para todos os lados. O aplicativo do Facebook, o Paper, irá funcionar no mesmo estilo do Flipboard, a revista digital que agrega conteúdos de sites e redes sociais, e será um serviço para mobile, mesma estrutura que será composta o New Digest, do Yahoo!, que pretende oferece drops informacionais, recortes de conteúdo duas vezes ao dia, tendo como base transformar informações mais “densas” em “pílulas”, oferecendo, ainda, links externos para caso o usuário queira aprofundar o assunto exibido.

Prestou atenção? Mobile e aplicativos nunca andaram tão juntos e nunca foram tão essenciais para o jornalismo digital. A possibilidade de passarmos de online para one line, com a possibilidade de não precisarmos mais fazer distinções entre estar ou não conectado, estar em casa, no trabalho ou em férias em qualquer lugar do planeta, força o cenário do jornalismo digital a se reinventar rapidamente: as informações precisam ser leves e móveis em um primeiro momento e, em seguida, preciso formar um séquito denso de conteúdo, dando ao usuário texto, vídeo, áudio, infográfico e tudo mais para que ele possa se aprofundar sobre o assunto, seja no notebook, no tablete ou até mesmo no smartphone.

Se de um lado há os que criticam o uso abusivo de empresas de tecnologia no que diz respeito à produção das empresas jornalísticas, há quem aponte tais fatos como positivos, pois se os meios de comunicação ainda estão na inércia do movimento digital, alguém precisa tapar essas colunas existentes e aproveitar uma demanda cada vez mais real. Particularmente fico com o segundo grupo, pois a capacidade de produção de um jornal pode se alinhar perfeitamente ao modo como essas empresas de tecnologia criam os ambientes móveis. Todos tendem a ganhar, principalmente os usuários.

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Cleyton Carlos Torres é jornalista, blogueiro e editor do Mídia8!

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