2014, o ano da patifaria digital eleitoral | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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E-NOTíCIAS > MÍDIA & ELEIÇÕES

2014, o ano da patifaria digital eleitoral

Por Cleyton Carlos Torres em 04/02/2014 na edição 784

Já se passaram 14 anos desde a última previsão com a data mais provável sobre o fim do mundo, o apocalipse geral. No entanto, 14 anos depois do hoje longínquo e inofensivo ano 2000, cá estamos nós, mas agora com outros receios, pois as previsões sobre um ano eleitoral igualmente apocalíptico na internet parecem ser cada vez mais propícias de ocorrer, ainda mais que grupos centralizados de militantes radicais estejam convocando verdadeiros exércitos virtuais para a chamada guerra digital.

Guerra virtual? Sim, guerra virtual. A internet e seus tentáculos de desdobramentos, como as mídias sociais digitais conectadas em rede são, sim, ambientes sem lei que favorecem o anonimato e o vandalismo virtual. Apesar das inúmeras investidas para regulamentar ou tentar controlar tal terreno, a área é facilmente dominada por membros que fazem dela os usos mais criminosos, inclusive em prol de ideais partidários.

Os chamados militantes cibernéticos irão com “pedra e pau” para cima dos usuários no intuito de defenderem suas causas, ganharem novos adeptos e, de quebra, gerarem possíveis votos no ambiente físico. A quantidade de spammers e ataques pessoais serão apenas alguns dos itens incontáveis até as vias de fato, em outubro. Muitos apontam um “cenário de guerra” até lá.

Não é por acaso que o Brasil é um dos países onde mais se pratica a arte do spam. Muitos fatores acabam torando legítimas as ações desses arruaceiros digitais, pois não há fiscalização competente ou punições severas – é possível atingir públicos numerosos com um clique e, principalmente, o brasileiro se posiciona, muitas vezes devido ao seu desconhecimento sobre esses perigos, vulnerável a esses tipos de atitudes.

Militância e proselitismo

Mesmo antes das personalidades políticas entrarem na arena, já observamos partidos políticos atacarem a honra e disparem ofensas pessoais a candidatos adversários por meio de seus canais sociais. Isso é apenas uma amostra do que irá por vir. Candidatos e usuários comuns serão alvos diários nas redes sociais, ainda mais se cometerem o “pecado” de pensarem de forma minimamente diferente dos militantes cibernéticos. A máxima sobre a liberdade de pensamento só funciona se o seu pensamento estiver de acordo com o que eles pregam, caso contrário você irá sofrer as consequências.

E todo esse aparato de guerra é montado desde a primeira eleição de Barack Obama, nos Estamos Unidos, onde as redes sociais foram utilizadas de forma estratégica para posicionar o candidato e arrecadar fundos para a campanha. No Brasil, logo sem seguida, políticos tentaram usar os mesmo artifícios, mas de forma desastrosa, amadora, beirando o absurdo. Candidatos chagavam a criar, por exemplo, 15 perfis na mesma rede social para “atingir mais gente”. Com a segunda campanha de Obama sendo um sucesso novamente nas redes sociais, as personalidades políticas daqui ganharam um novo aval para mais uma empreitada.

Quem sairá prejudicado? Usuários, candidatos, partidos, sociedade, imprensa (grande alvo de ataques covardes e legitimados por alguns partidos) e, principalmente, o debate político. Haverá tanto lixo e tanto guerrilheiro que o debate será ofuscado, dando lugar à militância barata e ao proselitismo ideológico. Não haverá conversa, pois a imposição de ideias será mais forte. Mais uma vez iremos usar canais sociais para promover o caos, a desordem e a mais profunda patifaria digital.

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Cleyton Carlos Torres é jornalista, blogueiro e editor do Mídia8!

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2014, o ano da patifaria digital eleitoral

Por Cleyton Carlos Torres em 04/02/2014 na edição 784

Já se passaram 14 anos desde a última previsão com a data mais provável sobre o fim do mundo, o apocalipse geral. No entanto, 14 anos depois do hoje longínquo e inofensivo ano 2000, cá estamos nós, mas agora com outros receios, pois as previsões sobre um ano eleitoral igualmente apocalíptico na internet parecem ser cada vez mais propícias de ocorrer, ainda mais que grupos centralizados de militantes radicais estejam convocando verdadeiros exércitos virtuais para a chamada guerra digital.

Guerra virtual? Sim, guerra virtual. A internet e seus tentáculos de desdobramentos, como as mídias sociais digitais conectadas em rede são, sim, ambientes sem lei que favorecem o anonimato e o vandalismo virtual. Apesar das inúmeras investidas para regulamentar ou tentar controlar tal terreno, a área é facilmente dominada por membros que fazem dela os usos mais criminosos, inclusive em prol de ideais partidários.

Os chamados militantes cibernéticos irão com “pedra e pau” para cima dos usuários no intuito de defenderem suas causas, ganharem novos adeptos e, de quebra, gerarem possíveis votos no ambiente físico. A quantidade de spammers e ataques pessoais serão apenas alguns dos itens incontáveis até as vias de fato, em outubro. Muitos apontam um “cenário de guerra” até lá.

Não é por acaso que o Brasil é um dos países onde mais se pratica a arte do spam. Muitos fatores acabam torando legítimas as ações desses arruaceiros digitais, pois não há fiscalização competente ou punições severas – é possível atingir públicos numerosos com um clique e, principalmente, o brasileiro se posiciona, muitas vezes devido ao seu desconhecimento sobre esses perigos, vulnerável a esses tipos de atitudes.

Militância e proselitismo

Mesmo antes das personalidades políticas entrarem na arena, já observamos partidos políticos atacarem a honra e disparem ofensas pessoais a candidatos adversários por meio de seus canais sociais. Isso é apenas uma amostra do que irá por vir. Candidatos e usuários comuns serão alvos diários nas redes sociais, ainda mais se cometerem o “pecado” de pensarem de forma minimamente diferente dos militantes cibernéticos. A máxima sobre a liberdade de pensamento só funciona se o seu pensamento estiver de acordo com o que eles pregam, caso contrário você irá sofrer as consequências.

E todo esse aparato de guerra é montado desde a primeira eleição de Barack Obama, nos Estamos Unidos, onde as redes sociais foram utilizadas de forma estratégica para posicionar o candidato e arrecadar fundos para a campanha. No Brasil, logo sem seguida, políticos tentaram usar os mesmo artifícios, mas de forma desastrosa, amadora, beirando o absurdo. Candidatos chagavam a criar, por exemplo, 15 perfis na mesma rede social para “atingir mais gente”. Com a segunda campanha de Obama sendo um sucesso novamente nas redes sociais, as personalidades políticas daqui ganharam um novo aval para mais uma empreitada.

Quem sairá prejudicado? Usuários, candidatos, partidos, sociedade, imprensa (grande alvo de ataques covardes e legitimados por alguns partidos) e, principalmente, o debate político. Haverá tanto lixo e tanto guerrilheiro que o debate será ofuscado, dando lugar à militância barata e ao proselitismo ideológico. Não haverá conversa, pois a imposição de ideias será mais forte. Mais uma vez iremos usar canais sociais para promover o caos, a desordem e a mais profunda patifaria digital.

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