Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Facebook, os algoritmos e a descoberta que nunca farão

Por Débora Cruz em 11/02/2014 na edição 785

Depois de assistir a muitos vídeos no Look Back, aplicativo de vídeo que a rede social Facebook lançou em homenagem aos 10 anos de sua existência para o mundo, e depois de muitos anos de trabalho em comunicação digital – que já foi redes sociais e mídias sociais – tirei três, só três, conclusões sobre o videozinho mais famoso do momento e compartilho com vocês:

1 – O Facebook só chegou ao Brasil em 2007

Mark Zuckerberg pode até estar comemorando os 10 anos do seu “filho rico”, mas aqui no Brasil, onde a rede social mais cresce no mundo (dados da consultoria Social Bakers), nós só tivemos acesso ao Facebook há seis anos. Sinceramente, não vi nenhuma pessoa em minha TL (Time Line ou Linha do Tempo) que tenha entrado na rede social antes disso. Se você, que está lendo esse texto agora viu em sua TL alguém que entrou no FB antes de 2008, me aponte, por favor! Gostaria de conhecê-la.

2 – Os algoritmos determinam toda a nossa vida e história na internet

Percebam: como antigamente o Facebook era uma ferramenta muito mais precária e, portanto, sua equipe tratava a informação, conhecimento de reputação e presença digital dos usuários, com muito menos prioridade, podemos observar que nos vídeos aparecem pouquíssimas fotos dos cinco anos anteriores da ferramenta.

Em 2012, Zuckerberg descobriu que conhecendo mais os usuários da sua rede social ele poderia faturar com isso, vender mídia, oferecer produtos… Poderia, enfim, tornar o Facebook um instrumento de relacionamento entre as pessoas e também entre as pessoas e o mundo do consumo. Querem coisa melhor para um grande investidor?

Pronto, observem bem: os vídeos têm muito mais imagens de 2012, 13 e 2014. Por óbvio, muito mais imagens de 2013 e início de 2014, pois, quanto mais tempo passa mais pessoas você agrega ao seu perfil, quando mais pessoas você agrega ao seu perfil mais chance das postagens serem curtidas por um número maior de pessoas… Enfim, assim caminha a humanidade nas redes sociais. Algoritmos, nada mais!

3 – Os caras são incríveis

Mark e sua equipe trouxeram em um clique e um pouco mais de um minuto de vídeo a possibilidade de todo mundo agir da mesma maneira durante a data comemorativa dos 10 anos do Facebook (viralizando sua marca de novo). Afinal de contas, quem é que não quer ver, sorrir e se emocionar com o que já passou em sua vida e, às vezes, está guardado só na memória remota e nos grafos que formam essa enorme rede social?

Depois desta conclusão, pensei cá com meus botões:

As relações que fazemos na vida presencial nunca, jamais serão as mostradas por Mark Zuckerberg, por mais inteligente, criativo e fantástico que ele seja.

A nossa vida, sob a perceptiva do outro, de quem assiste os anos, meses, dias e horas passarem naquela pequena tela do Facebook é bem mais leve, feliz e colorida.

Se eu tivesse que escolher as fotos que entrariam no vídeo sobre o meu passado na rede social, certamente outras, de momentos muito mais importantes pra mim, estariam lá. Mas hoje nós somos o que curtem e comentam de nós e também somos o que compartilhamos e curtimos de outras pessoas nas redes sociais.

Salvem os algoritmos, mas valorizemos, cada vez mais o que o Mark não consegue e a meu ver não conseguirá dizer, mesmo com sua criatividade, inteligência e equipe de profissionais qualificados: o sentimento que está por trás de todas as contas que envolvem nosso mundo submerso nas obviedades das redes sociais. É Mark Zuckerberg não descobriu como traduzir em vídeos, aplicativos, time line ou nova versão criativa no uso do Facebook os nossos sentimentos escondidos ao longo desses anos na rede social.

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Débora Cruz é jornalista, Brasília, DF

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