Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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E-NOTíCIAS > ERA DA INFORMAÇÃO

Informação não necessariamente significa conhecimento

Por José Raul da Silva em 18/02/2014 na edição 786

Como o avanço das novas tecnologias tem influenciado no comportamento e na vida das pessoas? O brasileiro tem passado mais tempo conectado na internet e, por conseguinte, nas grandes redes sociais. De acordo com o resultado da pesquisa realizada pela agência norte-americana ComScore, os brasileiros ficam, em média, mais de 27 horas por mês conectados à internet em seus computadores, maior do que a média mundial, relatório feito no primeiro semestre de 2013.

Quais os benefícios e malefícios do uso contínuo das tecnologias e como melhorar o seu desempenho a partir da articulação desse meio com o ambiente acadêmico? Do modo que tem afetado o índice de aprendizagem, até mesmo nos bancos universitários? Alguns dubiamente chegam a acreditar que é possível conciliar todos os meios: o uso das redes sociais, estudar, tuitar, assistir televisão e ouvir música enquanto dirige. Será realmente possível?

Se acha que sim, você está enganado. De acordo com o livro, Truques da Mente, escrito pelos neurocientistas Stephen L. Macknik e Susana Martinez-Conde, o cérebro não foi configurado para fazer duas ou mais coisas simultaneamente, e sim, uma coisa de cada vez. Equiparam-se pessoas que estão no celular enquanto dirige no mesmo padrão de pessoas bêbadas. Não conseguem se concentrar, qualquer coisa os distrai. Segundo Clifford Nass, especialista em comunicação da Universidade Stanford, o dom das multitarefas, a capacidade de fazer muitas atividades ao mesmo tempo com idoneidade é um mito. Os adeptos crônicos das multitarefas são viciados pela irrelevância.

Grande impasse

Atualmente é comum o dizer que vivemos a “era da informação” num mundo globalizado, tendo em vista a velocidade em que a informação é transmitida em grandes quantidades. A internet possibilitou a diminuição das fronteiras, um grande avanço na comunicabilidade, uma das maiores invenções da humanidade. Mas informação não necessariamente significa conhecimento. Assim como ter acesso ao conteúdo diferenciado não significa ser capaz de assimilar tudo, compreender, ponderar e refletir criticamente sobre o assunto.

Apesar dos inúmeros benefícios das novas mídias, não sabemos a que lugar a tecnologia vai nos levar. A realidade é que estamos vivenciando uma nova era, de capacidades infinitas, somos capciosamente sugestivos a mudanças. A internet, ao mesmo tempo em que possibilita a instantaneidade das notícias, praticidade, facilidade e compartilhamento, não possui um mecanismo de filtragem da informação. As pessoas são bombardeadas por informações, muitas vezes inúteis, todos os dias, seja pela mídia tradicional (TV, rádio, jornal imprensa e revista) ou pela internet acessando em seus computadores, celulares, tablets etc.

A acessibilidade à informação, a crise enfrentada pelo jornalismo factual, a facilidade de compartilhar notícias, não necessariamente verídica, a preguiça por parte do leitor em checar se a ela é autentica e a inércia de leitura por parte da população, tem criado uma preguiça intelectual na sociedade. Mas como combater essa preguiça? Como auxiliar as pessoas a pensarem mais? É necessário fomentar o conhecimento e a noção crítica acerca da educação e a informação divulgada pela mídia. Com a massificação da internet, em especial o fenômeno Facebook, torna-se imprescindível avaliar o efeito dominó causado pela ascendência do mau uso da rede. Recentemente, educadores enfrentaram um grande impasse “como alinhar o uso das novas mídias de modo a contribuir com o aprendizado do aluno”. Esta é a única geração em que alunos são idôneos em tecnologia e muitos professores não. O educador deve desenvolver métodos capazes de perfilar a informação adquirida pelo aluno na internet ou rede social, discutir e debater dinamicamente sobre a notícia e informação, fugir do método tradicional, condizente a ampliar oportunidades mútuas de aprendizado.

Boas práticas

Implementando o uso das novas tecnologias, de modo que incentive o aluno a criar pensamento crítico acerca das informações adquiridas no ambiente virtual. Deve-se filtrar rigorosamente as palavras que são utilizadas nas grandes mídias, fazendo com que isso se torne um hábito comum. Com a expansão do uso de aparelhos móveis, como smartphones e tablets, surgem diversas dubiedades acerca dos estudos envolvendo o uso excessivo dos aparelhos e plataformas virtuais. Cerca de 10% dos brasileiros já são viciados digitais.

A revista IstoÉ, na edição nº 2289, fez uma reportagem especial a respeito do tema “Você é um viciado digital”. A Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, realizou um estudo com um grupo de jovens espalhados por dez países de cinco continentes. O estudo destacou que os jovens depois de passaram 24 horas longe do objetivo de compulsão demonstraram uma série transtornos. O resultado da pesquisa foi assustador, “Fiquei me coçando como um viciado porque não podia usar o celular” contou um americano. “Me senti morto”, desabafou um jovem da Argentina. “Eu literalmente não sabia o que fazer comigo, disse um estudante do Reino Unido”. Como qualquer outra adversidade, o “vício digital” não é facilmente reconhecido, mas já existem clínicas especializadas no tratamento.

O que você sabe sobre “Nomofobia” e o IAD (internet addiction disorder) sigla em inglês para o Distúrbio da Dependência em internet? Nomofobia é um nome recente que designa o desconforto ou a angústia causado pela incapacidade de comunicação através de aparelhos celulares ou computadores. Pois é, talvez você sofra e não faça ideia. Quanto tempo costuma passar conectado? Consegue abandonar o uso do seu computador, ficar sem o celular e tablet, evitar ver e enviar e-mails por mais de uma hora. Desativar o uso do WhatsApp e outros aplicativos. Ficar 24 horas sem acessar Facebook. Como diagnosticar os sintomas de um “viciado digital”?

Quando o uso excessivo começa a afetar a vida profissional, emocional e daqueles que o cercam. Pode ocasionar preocupação excessiva, necessidade de aumentar o tempo em rede para maior satisfação, mostra irritabilidade quando o acesso é restringindo. O indivíduo tem dificuldade de focar no trabalho e na vida acadêmica, mau desempenho profissional, permanece maior tempo que o programado, uma espécie de transe virtual. Mente para os outros sobre o tempo gasto na internet, não consegue se desligar do mundo virtual, anda o tempo todo com o celular na mão, sofre de ansiedade em responder e-mails ou mensagens instantâneas. Podendo ocorrer outros fatores como transtorno bipolar do humor, déficit de atenção e hiperatividade.

A tecnologia nos últimos 25 anos tem crescido de forma exponencial, podemos citar a internet como grande precursor dessa jornada: uma grande rede conectada entre si que transcende os limites da distância, um aglomerado finito de conhecimento, concentrado em um único local, mas compartilhado com o mundo. Enquanto jantamos podemos pesquisar, atualizar-nos nas notícias, assistir um jornal online, ler revistas e e-books. Deve-se educar o cidadão comum a utilizar o mecanismo de forma correta, ensinar a realizar pesquisas e acessar a internet de modo que possa ensejar seus conhecimentos, especialmente, dando a oportunidade com boas práticas educativas e pedagógicas.

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José Raul da Silva é estudante de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo

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