Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Maior desafio do Twitter ainda é atingir as massas

Por Yoree Koh em 18/02/2014 na edição 786
Reproduzido do Valor Econômico, 11/2/2014; intertítulos do OI

O discurso do Twitter Inc. não está funcionando para pessoas como Christine Harsono. A garçonete de 21 anos, moradora de Los Angeles, ainda não se dobrou aos convites que recebe há anos do Twitter para virar uma usuária do site de microblogs. Harsono, que está no Facebook desde 2008, diz que não vê razão para “tuitar”. E para as notícias e fofocas sobre celebridades há a televisão e o YouTube. “Acho que já tenho um lugar para ver todas essas coisas. Não vejo mesmo necessidade para o Twitter”, diz. Harsono representa o maior desafio do Twitter no momento, algo que ficou evidente na semana passada, quando a empresa de San Francisco divulgou uma queda no crescimento da sua base de usuários. O Twitter é quase uma parte obrigatória das campanhas de marketing das empresas e é onipresente entre os veículos de comunicação. Mas ainda que tenha invadido a internet, a televisão e os outdoors com convites para as pessoas aderirem ao site, 80% dos americanos que acessam a internet não usam o Twitter regularmente.

O Facebook, em comparação, conta com mais de 50% da população de internautas dos Estados Unidos e tem mais do quíntuplo de usuários que o Twitter no mundo todo. Os investidores derrubaram a cotação das ações do Twitter depois do anúncio de resultados, levantando uma questão crucial para a área de publicidade da firma: Será que o Twitter pode superar sua dificuldade de atingir as massas? A empresa ainda vem dobrando seu faturamento a cada trimestre e tem encontrado maneiras de gerar mais receita por usuário. Ela conta também com usuários vorazes e está elaborando planos para gerar receita fora do serviço ao vender anúncios em outros sites. Mas o negócio central depende de escala.

Quanto mais usuários tiver, maior será o público potencial para os anunciantes. O crescimento também pesa bastante no valor de mercado do Twitter, que ainda está na elevada casa dos US$ 30 bilhões. O Twitter terminou 2013 com 241 milhões de usuários mensais ativos, tendo adicionado apenas 1 milhão nos EUA e 8 milhões fora do país no quarto trimestre.

Senso de humor

Se o crescimento trimestral da base de usuários do Twitter se estabilizasse nos 3,9% registrados neste último período, levaria mais 11 anos para o site atingir o 1,23 bilhão de usuários que o Facebook tem atualmente. Dick Costolo, diretor-presidente do Twitter, diz que a melhora dos recursos do site pode aumentar o ritmo de crescimento. Em resposta a perguntas de analistas na semana passada, Costolo enfatizou a necessidade de facilitar o processo de cadastramento e fazer com que os novos usuários se acostumem com o site mais rapidamente. Ele disse que a empresa está criando funções para destacar os recursos de conversas e mensagens, ferramentas que se mostraram populares no Facebook.

Alguns observadores acreditam que a empresa se defronta com questões psicológicas fundamentais. Para começar, há o limite de 140 caracteres por tweet. Isso não é problema para jovens que cresceram enviando torpedos em celulares, mas, para pessoas mais velhas, a restrição é conflitante ao “modo natural” com que se comunicam, diz Dhiraj Murthy, professor de sociologia da Universidade de Londres. O maior problema pode ser as relações superficiais do Twitter.

Ao contrário do Facebook e da rede profissional do LinkedIn Corp., os contatos do Twitter tendem a ser pessoas que os usuários mal conhecem, estranhos com senso de humor e celebridades. “Você obviamente pode não conhecer todo mundo no Facebook muito bem, mas, no geral, tende a ter relações mais próximas do que com as pessoas que você segue no Twitter”, diz Murthy, autor de um livro sobre a comunicação social na era do Twitter.

Em fase de planejamento

Laços tênues podem desencorajar usuários que têm poucos seguidores a “tuitar” e sobrecarregá-los com um monte de coisas sem importância. “Acho que há muito ruído no Twitter”, diz Jaime Richter, uma editora de vídeo de 34 anos que tem uma conta no Twitter há alguns anos. “Pessoalmente não preciso de tudo isso no meu dia.” Richter não acessa o Twitter há meses, logo não entra na conta dos 241 milhões de usuários ativos. Pode haver centenas de milhões de pessoas como ela. Segundo o Twopcharts, um site que monitora contas do Twitter, há cerca de um bilhão de contas registradas no Twitter, embora uma parcela desconhecida delas inclua contas fantasmas que foram eliminadas do sistema. Desde que foi fundado, em 2006, o Twitter se transformou de um serviço de mensagens triviais num veículo de protestos de massa, um fórum para grandes eventos e uma rede de informação dominada pela mídia e figuras proeminentes.

Como resultado, o Twitter se tornou uma necessidade para jornalistas, pessoas públicas, ativistas, empresas e empresários – mas nem tanto para o usuário comum. “A exigência no Twitter é diferente; […] Você tem que ser interessante”, diz Sherry Turkle, psicóloga clínica e professora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “Você tem que desenvolver uma voz, algo que o Facebook não exige de você.” Algumas das mudanças que o Twitter fez para tornar o serviço mais adequado a usuários comuns, como dar mais destaque a mensagens diretas e permitir imagens no feed principal, deram impulso à atividade no site. Costolo disse na semana passada que o volume de mensagens diretas subiu 25% no quarto trimestre ante o terceiro e que atividades como retweets e favoritos avançaram 35%. Ele disse ainda que iniciativas em fase de planejamento vão alterar “a inclinação da curva do crescimento”, mas não deu detalhes.

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Yoree Koh, do Wall Street Journal

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