Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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Fãs e ‘fakes’ do Facebook

Por Márion Strecker em 04/03/2014 na edição 788
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 3/3/2014; intertítulo do OI

A cultura de fachada do Facebook criou uma indústria paralela que se espalha pelos quatro cantos do planeta.

Quem buscar no Google vai encontrar muitas empresas no Brasil e no exterior que vendem o que muitos dão de graça: “fãs” e “curtidas”. Em vez de construir uma reputação ou marca, o que dá trabalho e exige tempo, uma pessoa ou empresa pode simplesmente comprar esses “resultados”. É fácil e barato.

No mercadonline.com.br, por exemplo, mil fãs ou curtidas custam R$ 49,99. Se esses números parecem coisa de amador, que tal 250 mil fãs ou curtidas por R$ 2.999,99? Também tem. Assim, qualquer aspirante a “celebridade” pode parecer famosérrimo. E qualquer produto pode parecer superpopular, ainda que não seja.

Os “gênios” das estratégias de marketing digital parecem estar com a vida ganha. O problema não é específico do Facebook.

Desde que o mundo digital é mundo, robôs são criados para ampliar a escala da ação humana ou fazer estragos. É assim com propaganda por e-mail, que custa muito menos para quem dispara do que para quem recebe. Ainda mais no Brasil, onde nada acontece contra empresas que desrespeitam regras elementares de boas maneiras, como não mandar lixo eletrônico para quem não quer receber.

“Sigo de volta”

A cada vez que um marqueteiro executa um disparo de spam (propaganda não solicitada), milhões de pessoas perderão tempo lendo, apagando a porcaria e pagando pela conexão. Se um percentual ínfimo de todos os atacados pelo spam acabar comprando um produto anunciado, terá saído baratíssimo para quem disparou a propaganda em massa. Alguém já viu um marqueteiro informar na prestação de contas ao cliente a raiva do público e o dano que o spam causa à imagem de uma marca?

Mencionei robôs, assim como poderia ter mencionado aplicativos, mas nem tudo funciona na base da automação. O business inclui as chamadas “fazendas” de “likes”. Ou seja, seres humanos são contratados para criar perfis em redes sociais (não necessariamente falsos) e vender cada clique dado por alguma fração de centavo. O negócio é internacional e recruta mão de obra barata onde houver.

Além do e-mail e do Facebook, o Twitter e o Google+ também se prestam a empulhações, ainda que não queiram. Apesar de contribuírem para a audiência desses serviços, as fraudes acabam tirando a graça das redes sociais e arranhando a credibilidade do sistema.

Na buyfacebook-likes.org, mil fãs ou curtidas custam US$26; 5.000 seguidores no Twitter custam US$ 32; e mil votos no Google+ custam US$ 75,50. Prometem entregar os resultados num prazo de 24 a 72 horas. O serviço está ficando tão sofisticado que vendem fãs segmentados por região geográfica.

Para completar a palhaçada, as redes sociais estão sendo infestadas por mensagens como “Retribuo likes em dobro”, “Troco 50 likes” e “SDV”, que significa “sigo de volta”, em que maníacos do “selfie” trocam “prestígio”. É o que fazem nos comentários de fotos no Instagram de Neymar (instagram.com/neymarjr), para desgosto do jogador, com mais de 4 milhões de seguidores. Ridículo é pouco.

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Marion Strecker é colunista da Folha de S.Paulo

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