Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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Para onde vai?

Por Rômulo Lima Meira em 04/03/2014 na edição 788

A era tecnológica e digital fez surgir, nos últimos anos, um grave problema: a acumulação do lixo eletrônico. Diariamente, milhares de aparelhos e equipamentos como computadores, televisores, câmeras, impressoras, celulares, baterias, iPods e outros são descartados ou substituídos, pois se tornaram obsoletos para muitos usuários.

A todo o momento, aparelhos eletrônicos chegam ao mercado, seduzindo consumidores a trocarem os seus (que ainda funcionam perfeitamente) por novos, que possuem mil recursos, todos imprescindíveis, segundo nos fazem crer. Esse é um artifício planejado pelas fabricantes de eletrônicos, que contribuem para o aumento do chamado lixo eletrônico (e-lixo).

Em todo o mundo, a produção de lixo eletrônico cresce diariamente, representando um grande problema ambiental e consequentemente um grave problema para a população. Muitos desses produtos contêm substâncias tóxicas, como mercúrio e chumbo, que ao serem liberadas no ambiente podem inutilizar o solo e contaminar os lençóis freáticos. No Brasil, são comercializados mais de 13 milhões de computadores por ano, e a estimativa é de que um milhão de unidades sejam descartadas no mesmo período. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em fevereiro 2013 o número de aparelhos de telefone celular já ultrapassava mais de 176 milhões. [Dados preliminares da Anatel indicam que o Brasil começou 2014 com 272,4 milhões de celulares e 136,99 cel/100 hab.]

Evitar apelos da mídia e da moda

Estes produtos têm vida média de dois a três anos e, em breve, ficarão obsoletos e serão substituídos por equipamentos mais modernos. Os Estados Unidos, o Japão e alguns países da Europa já possuem técnicas de reciclagem desses materiais eletrônicos. O interesse pela sucata eletrônica tem motivos econômicos. Por exemplo, muitos computadores possuem metais preciosos em sua composição, como o ouro e a prata. Além de valiosos, 98% desse material podem ser reutilizados.

Os detritos eletroeletrônicos estão entre as categorias de lixo que mais crescem no mundo. Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil é o quarto país do mundo em quantidade de lixo eletrônico. Diante dessa realidade, foi solicitado que o país comece a adotar estratégias para suportar o crescimento do lixo tecnológico, que se acumula em várias partes sem nenhum controle. Outra solicitação seria incentivar as empresas a firmarem um pacto de recolhimento e reciclagem de todo o lixo eletrônico produzido por elas no país.

Atitudes sustentáveis estão sendo desenvolvidas com o objetivo de mudar o comportamento do consumidor, pois não precisamos trocar de computador todos os anos ou comprar um celular com essa mesma frequência. Quanto mais eletrônicos adquirimos, maior será a quantidade de lixo gerado. Por isso, cuide bem de seus produtos e tente evitar os constantes apelos da mídia e da moda. Caso precise realmente comprar um novo aparelho, enquanto o seu ainda estiver funcionando, doe o usado para alguém que vá aproveitar. Dessa forma, ainda é possível prolongar a vida útil do produto e a pessoa que o receber não precisará comprar um novo. Isso é consumo Um mundo que depende cada vez mais de novas tecnologias precisa também de novas mentalidades. O consumo é necessário à vida e à sobrevivência de todos. O problema é quando o consumo de bens e serviços acontece de forma demasiada, levando à exploração excessiva dos recursos naturais e interferindo no equilíbrio do planeta.

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Rômulo Lima Meira é professor de Geografia, Campus Almenara, MG

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