Terça-feira, 22 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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EUA admitem dividir controle da web

Por Cláudia Trevisan em 18/03/2014 na edição 790
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 15/3/2014

Sob pressão internacional para abrir mão da gestão da internet em razão do escândalo de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), os EUA anunciaram ontem a decisão de transferir para um organismo multilateral a responsabilidade pela concessão de domínios e de endereços na rede mundial de computadores.

O anúncio é uma vitória dos países que pedem mudanças na governança mundial da internet para reduzir o poder americano sobre um mecanismo que ganhou caráter global.

A pressão aumentou depois que o ex-técnico da NSA Edward Snowden revelou a amplitude das ações de espionagem dos EUA, que atingiram milhões de pessoas ao redor do mundo.

Além de nações da Europa, o Brasil foi um dos países que defenderam de maneira contundente a necessidade de um sistema multilateral de administração da internet. “É o momento certo para começar o processo de transição”, disse o secretário assistente de Comércio para Comunicações e Informação, Lawrence Strickling.

O governo americano pediu que a Corporação para a Designação de Nomes e Números da Internet (Icann, na sigla em inglês) coordene a elaboração de uma proposta para a transferência para outro organismo da responsabilidade pelo sistema de nomes de domínio (DNS, na sigla em inglês).

Segundo o anúncio, a saída da Administração Nacional de Telecomunicações e Informações desse processo é o estágio final da privatização da gestão de domínios, iniciada em 1997.

Transição

A definição do modelo de transição, que será coordenada pela Icann, envolverá organizações como o Internet Architecture Board (IAB), Internet Society (Isoc), e a VeriSign, empresa que é contratada para desempenhar parte das atividades de concessão de endereços e domínios na rede, além de outros “atores globais”.

A intenção dos EUA é que o processo de transição esteja concluído até setembro de 2015, quando expira o contrato que a Administração Nacional de Telecomunicações e Informações tem com a Icann para realização dessas tarefas. Nesse período, a responsabilidade pela designação de DNS continuará com o governo americano.

Documentos divulgados por Snowden mostraram que empresas globais de internet com sede nos EUA foram obrigadas a entregar à NSA dados sobre as comunicações de seus clientes online.

Snowden também mostrou que a agência americana espionou alguns líderes mundiais, entre os quais a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

A questão da gestão dos domínios na internet será discutida em uma conferência sobre a rede mundial, prevista para ocorrer no Brasil, em abril. Há um mês, a União Europeia anunciou que defenderia durante o encontro a transferência da atribuição para a ONU ou para outro organismo internacional. Os EUA deram ontem o primeiro passo nessa direção.

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Cláudia Trevisan é correspondente do Estado de S.Paulo em Washington

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