Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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O plano do Facebook para conectar o mundo inteiro

Por Rafael Sbarai em 18/03/2014 na edição 790

Aos 36 anos, o espanhol Javier Olivan faz parte do seleto M Team (management team, em inglês), time de oito executivos considerados indispensáveis pelo CEO da companhia, Mark Zuckerberg. São os craques de uma equipe que conta com mais de 6.300 profissionais espalhados em 36 escritórios em todo o mundo.

Vice-presidente mundial de crescimento e estratégias móveis, o engenheiro acumula desde 2007 tarefas consideradas essenciais para a relevância da empresa, como liderar as iniciativas para expandir a base de usuários em todo o mundo – identificando oportunidades de crescimento e, claro, faturamento – além de fazer a rede avançar no universo dos dispositivos móveis. Para tanto, conta com um exército de 200 profissionais, responsáveis por esmiuçar a montanha de dados publicada diariamente por usuários e, assim, aperfeiçoar o produto. Entre 2007 e 2014, o executivo comandou o salto da base de usuários de “apenas” 40 milhões de usuários para mais de 1 bilhão. “Nossa meta é levar essa experiência aos outros 6 bilhões que ainda não acessam o Facebook”, diz. Em entrevista exclusiva ao site de Veja, o engenheiro conta quais são os próximos planos para a maior rede social do mundo, que recém completou uma década de vida e adquiriu por 19 bilhões de dólares o WhatsApp, serviço de mensagens instantâneas.

“Maior atenção ao mundo móvel”

Qual é o impacto da aquisição do WhatsApp?

Javier Olivan – Desde a criação da rede, em 2004, nossa missão é tornar o mundo mais aberto e conectado. Com o WhatsApp, teremos mais condições de alcançar esse objetivo.

E o que esperar do Facebook nos próximos dez anos? 

J.O. – Quando comecei a trabalhar no Facebook, em 2007, a empresa ainda dava seus primeiros passos. Tinha apenas três anos de vida, estava disponível em poucos idiomas e reunia 40 milhões de pessoas. Passados sete anos, a história é completamente diferente. Em 2014, oferecemos aos mais de 1,2 bilhão de usuários versões do site em setenta línguas, identificando oportunidades de crescimento com estratégias agressivas e adaptadas aos costumes de cada país. Temos muitos mais desafios para a próxima década que está por vir. Nossa meta é levar essa experiência aos outros 6 bilhões que não acessam o Facebook. Existem, no entanto, algumas barreiras. Uma delas é a questão do acesso à internet.

Conectar o mundo não é uma meta ambiciosa demais?

J.O. – Sim, mas a solução pode estar em uma parceria entre grandes empresas. Em agosto, nosso CEO Mark Zuckerberg liderou a criação do Internet.org [Javier é um dos principais executivos do projeto], iniciativa que pretende tornar a internet acessível às pessoas que ainda não a utilizam. O Facebook se uniu a outras grandes companhias, como Ericsson, Nokia, Samsung e Qualcomm, Opera e Media Tek, para baratear a conexão e os dispositivos móveis, como smartphones e tablets. O projeto combina totalmente com o atual momento da empresa, que é dar maior atenção ao mundo móvel. Acreditamos que o foco nesses dispositivos vai acelerar a inclusão digital.

“Problemas, tendências e recursos dos usuários”

O Internet.org será o motor para o Facebook alcançar mais usuários?

J.O. – Essa iniciativa é mais um projeto que vai nos ajudar a alcançar mais e mais pessoas. Evidentemente estamos pensando em outras ações. Recentemente, ampliamos parcerias com empresas de telefonias de países estratégicos, como Tailândia e Paraguai, para que seus usuários acessem gratuitamente nosso serviço sem gastar créditos ou serem cobrados ao fim do mês com transferência de dados. No México, por exemplo, firmamos um acordo com a Telmex e a Nokia para que todos os aparelhos comercializados pela marca finlandesa tenham acesso gratuito à rede. No Brasil, fizemos ações similares, com uma pequena diferença: acordos com prazos menores e disponíveis apenas às ofertas de planos pré-pagos.

Recentemente, o Facebook lançou o Paper, aplicativo que reúne atualizações de usuários e notícias mais relevantes escolhidas a partir de uma combinação de algoritmos e indicações feitas por funcionários da empresa. Você acredita que ele terá condições de substituir o app oficial da rede?

J.O. – Sinceramente, não. Nosso aplicativo oficial ainda é mais completo, se comparado ao Paper. O serviço, lançado apenas para iPhone, iPod Touch e iPad, é o primeiro produto do Facebook Labs, iniciativa da empresa que permite aos pequenos times desenvolver novos aplicativos e experiências para usuários de dispositivos móveis. Ali, nosso maior objetivo é analisar problemas, tendências e identificar recursos usados com frequência por nossos usuários. Queremos compreender também como eles consomem notícias.

“Números de usuários continuam estáveis”

Os últimos resultados financeirosda empresa revelam um novo desafio. Os mercados considerados “maduros”, como Estados Unidos e Canadá, parecem ter atingido seu público máximo. Como prever crescimento em regiões onde o Facebook parece ter alcançado o topo?

J.O. – Realmente identificamos esse comportamento. Estamos acompanhando de perto esses números e já desenvolvemos uma estratégia direcionada a esses países. No momento, aprofundamos nossos estudos e métricas para conhecer a fundo quais são as atividades mais realizadas, o tempo de visitação de cada página, o nível de engajamento e interação. Nosso objetivo é enfrentar os desafios que virão pela frente e oferecer um serviço de valor a eles.

Alguns estudos apontam certa fadiga de usuários da rede social, principalmente entre os jovens. Isso preocupa?

J.O. – Podemos garantir que não há preocupação quanto a isso. Os números continuam estáveis.

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Rafael Sbarai, da Veja

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