Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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Sistema multimídia sobre quatro rodas

Por Chico Barbosa em 18/03/2014 na edição 790

De recurso para distrair pimpolhos inquietos durante longas viagens ou para encantar marmanjos aficionados por parafernálias eletrônicas, o sistema multimídia deixou de ser um item “supérfluo” e ganha a sua razão de existir para um público mais amplo. Dispor à mão de um dispositivo para fazer ligações telefônicas, responder e-mails, acessar internet, conferir fotos, assistir ao noticiário na TV, enfim, transformar o interior do automóvel na extensão do escritório ou de casa é, no mínimo, uma forma de ganhar tempo e atenuar o estresse provocado pelo indefectível trânsito, essa “entidade” democrática que afeta tanto quem está em um carrão cinco estrelas como quem está em um carrinho standard.

Não por acaso, a conectividade, antes presente em modelos topo de linha, como sedãs de luxo, está se estendendo para automóveis menores e até de perfis mais aventureiros e esportivos, que, em termos simbólicos, em nada se assemelham a um “carro de executivo”. De uns anos para cá, a tal conectividade vem se tornando cada vez menos diversão e cada vez mais prestação de serviço.

É verdade que as aspirações relacionados aos carros vão mudando de tempos em tempos. Para ficar em alguns exemplos: no passado não muito longínquo, almejavam-se itens relacionados ao conforto, como os inocentes levantador elétrico do vidro, direção hidráulica e ar-condicionado; mais recentemente, entrou na pauta básica dos modelos equipamentos voltados à segurança, como airbags e freios antitravamento, o chamado ABS. Nos dias atuais, os anseios são outros. “Quanto mais jovem o comprador, maior seu interesse por soluções que envolvem a multimídia”, afirma Thiago dos Santos Lemes, gerente executivo de vendas da Audi do Brasil. Mas esse perfil tende a mudar.

Uma hora produtiva ou de diversão

Pesquisa realizada pela Mercedes-Benz em 2012 com 8 mil pessoas, em oito países, três deles emergentes, dão conta de que, no Brasil, 47% dos entrevistados têm como objetivo o seu próximo carro dispor de conectividade. “O motorista hoje em dia quer muito mais do que um som de qualidade ou uma tela grande para assistir a TV. Ele está antenado com o que há de mais atual em termos de comunicação com o mundo”, diz Evandro Bastos, gerente de marketing de produto automóveis da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo ele, todos os 40 modelos da empresa oferecidos no Brasil contam com algum apetrecho envolvendo conectividade.

A mais recente atração nesse sentido acaba de ser apresentada no Salão do Automóvel de Genebra, e ainda não está à venda no mercado europeu. Trata-se do Apple CarPlay. A parceria da Mercedes-Benz com o Google e a criadora do iPhone deu origem a um recurso que permite a transferência das informações do celular para uma tela no painel do carro, de onde podem ser feitos os acessos por meio do toque com os dedos. Por enquanto, apenas o Classe S, versão topo de linha, receberá essa comodidade. Mas, a julgar pelo andar da carruagem, é questão de tempo para a opção ser popularizada em toda a linha.

No que diz respeito à interação homem/máquina, o segundo semestre deste ano tende a ser um marco para a BMW. A marca alemã, notória por associar-se à vanguarda tecnológica, vai colocar no mercado brasileiro a segunda geração do que ela denomina Connected Drive, sistema que, em linhas gerais, possui um aplicativo para o usuário acessar, receber e enviar informações e usufruir de entretenimento a bordo, muitos deles sem a necessidade de usar o telefone. É o caso de um serviço que informa ao interessado os restaurantes disponíveis na região, faz reservas e mostra o caminho, escolhendo sempre as melhores alternativas de trajetos, em tempo real.

“A tendência é que todos os modelos da BMW possam usufruir, em maior ou menor grau, dos benefícios do Connected Drive”, afirma Herlander Zola, diretor de marketing da BMW do Brasil. Entre as principais novidades dessa engenhoca, que deve fazer a alegria dos não iniciados, é a telemetria, tecnologia incumbida de fornecer dados do carro para a concessionária monitorar suas condições de “saúde”. Em caso de problemas à vista, o motorista, que muitas vezes nem se deu conta do que está por vir, é convocado a parar em uma revenda mais próxima para fazer um check-up no seu carro.

Como na vida nem tudo pode ser previsto, se ocorrer um acidente, um sensor irá emitir um sinal para uma central, que, por meio dos alto-falantes do próprio veículo, irá saber das condições de saúde dos ocupantes e, se for o caso, informar equipes de socorro. Por falar em imprevistos, o senso comum inevitavelmente associa distração a bordo com falta de atenção ao volante, o que pode desembocar em barbeiragens ingênuas ou “escorregões” graves na pista. Não precisa ser assim. “O Connected Drive só pode ser acionado com o carro parado, jamais em movimento”, afirma Zola. Se for assim, façamos do congestionamento uma hora produtiva. Ou de diversão.

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Chico Barbosa, para o Valor Econômico

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