Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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Pioneiro da web continua a investir em moedas virtuais

Por Gregory Zuckerman em 25/03/2014 na edição 791
Reproduzido do Valor Econômico, 24/03/2014; intertítulos do OI

O pioneiro da internet Marc Andreessen está dobrando seus investimentos na bitcoin em meio a turbulências no mundo das moedas virtuais, numa aposta que a adoção generalizada da moeda irá estimular o crescimento de novas empresas e tecnologias.

A firma de capital de risco Andreessen Horowitz, da qual Andreessen é sócio e um dos fundadores, informou que investiu cerca de US$ 50 milhões, considerado o maior investimento já feito por qualquer empresa no setor de moedas virtuais. O dinheiro saiu de um fundo de US$ 1,5 bilhão. A firma de Palo Alto, na Califórnia, também planeja investir milhões de dólares de outros fundos ao longo dos próximos anos, dizem pessoas próximas à firma.

Andreessen diz que está convencido de que a perspectiva para as moedas digitais é promissora, apesar de contratempos como o colapso, em fevereiro, da Mt. Gox, a mais proeminente bolsa de bitcoins. A bolsa, que era sediada em Tóquio, divulgou ter perdido milhões de dólares em bitcoins devido a uma falha no seu sistema. “Estou totalmente tranquilo e pretendo investir mais”, disse Andreessen em entrevista ao The Wall Street Journal.

A iniciativa expõe Andreessen, mais conhecido por ter sido um dos fundadores da Netscape Communications (a empresa que lançou o navegador de mesmo nome) há mais de 20 anos, e seus investidores a maiores riscos diante das incertezas sobre o futuro da bitcoin. A moeda não é garantida por nenhum governo, mas vem se tornando popular, recentemente, entre os entusiastas da tecnologia, tendo sido negociada em vários momentos do ano passado por menos de US$ 100 e mais de US$ 1.100. Na sexta-feira, ela estava valendo cerca de US$ 580.

“Vamos investir numa moeda matemática ilusória”

Apesar da empolgação de Andreessen, alguns fãs da bitcoin não estão entusiasmados com o interesse de investidores de capital de risco e temem a invasão de grandes empresas. A bitcoin permite a transferência de dinheiro – ou outros itens, como contratos legais – sem a presença de intermediários, como bancos.

“Há um monte de adeptos da bitcoin e jovens libertários que não são tão confiantes e não têm muita experiência de vida”, diz Cody Wilson, fundador do Dark Wallet, que busca aprimorar o anonimato nas redes das moedas digitais. “Então eles estão sendo acalmados por [empresas de capital de risco] da Califórnia ou Nova York. Simplesmente não há confiança suficiente para ir contra a corrente e questionar toda essa maldita coisa.”

E há ainda o ceticismo dos outros investidores. “Para 99% das pessoas, a bitcoin não resolve nenhum problema que elas têm”, diz Bradley Golding, diretor-gerente da Christofferson, Robb & Co., firma de Nova York especializada em investir em empresas financeiras e que decidiu não investir em companhias relacionadas à bitcoin. “A maioria das pessoas se sente à vontade indo ao banco, fazendo um depósito e usando o cartão de crédito […] É uma solução em busca de um problema.”

No início, Andreessen e seus sócios na Andreessen Horowitz não acreditavam que o mundo das moedas virtuais poderia ter investimentos atraentes. Mesmo que pudessem descobrir maneiras de apostar no setor, Andreessen imaginou que seria um desafio conquistar o apoio dos investidores da firma, incluindo o de instituições como a Universidade de Princeton e a Fundação Ford. Além disso, muitos fãs das moedas digitais estavam ansiosos para substituir governos e outras instituições, enquanto outros partidários pareciam usar as moedas digitais para promover atividades ilícitas.

Em abril de 2013, porém, Andreessen decidiu que era hora de abordar os investidores da sua firma sobre a bitcoin. “À primeira vista, vocês vão pensar que perdemos o juízo”, disse Andreessen a um grupo de cinco firmas de investimento que faziam parte do conselho consultivo da Andreessen Horowitz, “mas vamos investir numa moeda matemática ilusória.”

O comentário foi recebido com um silêncio mortal. Alguns investidores pareciam intrigados, mas muitos mal sabiam o que era a bitcoin. Segundo Andreessen, a resistência dos investidores foi, no entanto, menor que o esperado.

Até agora, a Andreessen Horowitz afirma ter investido US$ 25 milhões na Coinbase, que cria carteiras digitais, e uma quantidade menor na Ripple, um sistema de pagamentos, entre outros investimentos. Com o tempo, Andreessen se tornou um dos principais defensores da bitcoin, escrevendo frequentes artigos e publicando posts em blogs sobre as possibilidades das moedas digitais.

Empreendimentos produtivos

A bitcoin foi desenvolvida no fim de 2008 por uma pessoa ou um grupo chamado Satoshi Nakamoto. É uma moeda eletrônica que não existe em forma física. Ela é “minerada” através um complicado algoritmo matemático.

Andreessen diz que a bitcoin o faz lembrar do início da internet. “Estou tendo um déjà vu”, diz ele. A bitcoin é “estranha e assustadora e nerd, cheia de golpes e fraudes, exatamente como era a internet”.

Ao longo de 2010 e 2011, Andreessen discutiu o desenvolvimento da bitcoin com empreendedores do Vale do Silício e outros, mas ainda não achou que era um investimento adequado.

Com o tempo, ele acabou se convencendo de que moedas virtuais permitiriam um grande número de empreendimentos produtivos, criando possibilidades intrigantes de investimento. Segundo ele, se um usuário da internet pode transferir contratos digitais, assinaturas, dinheiro ou outros bens de forma segura, evitando as pesadas taxas de intermediários como bancos e empresas de cartão de crédito, a bitcoin e outras moedas digitais ganharão popularidade. (Colaborou Michael J. Casey)

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Gregory Zuckerman, do Wall Street Journal

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