Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Twitter: ‘Somos uma rede de interesses, não uma rede social’

Por Bruno Capelas em 25/03/2014 na edição 791

O Twitter completa oito anos de existência na sexta-feira [21/3], mas a comemoração terá gosto agridoce. Ao mesmo tempo em que viu sua taxa de crescimento no mundo cair em 2013 (de 60% no último trimestre de 2012 para 38% no mesmo período um ano depois), a empresa celebra parcerias com empresas de publicidade e emissoras de televisão.

No Brasil, o Twitter também comemora seu primeiro ano de presença no País. A empresa, que tem escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo e cerca de 40 funcionários, recebeu a imprensa para um balanço. Número de usuários ou o faturamento no país não foram revelados. “Somos uma rede de interesses, e não uma rede social. O Twitter não é sobre estar relacionado com seus parentes, mas sim com o conteúdo”, disse Guilherme Ribenboim, diretor geral da empresa no Brasil, enfatizando que os brasileiros adoram utilizar a plataforma para se informar e comentar o que estão assistindo na TV – a chamada “segunda tela” – e divulgando que seis entre cada dez usuários brasileiros do Twitter o fazem através de tablets e smartphones.

Ao Estado, Ribenboim falou mais sobre o primeiro ano do Twitter no Brasil, parcerias com televisão, Marco Civil e o uso da plataforma em dispositivos móveis.

Tornar a TV mais interativa e interessante

O Twitter está completando oito anos de vida e uma temporada de operações no Brasil. Qual o balanço desse primeiro ano?

Guilherme Ribenboim – Foi um desafio montar a equipe com a cara do Twitter e entender o mercado brasileiro, que usa o Twitter de um jeito diferente. O brasileiro adora consumir informações, dialogar com personalidades, acompanhar eventos em tempo real e comentar o que vê na TV – o que chamamos de segunda tela. Queremos fortalecer ainda mais esses usos e identificar outros, como os que chamamos de “utilidade pública”. Vemos uma tendência emergente para a busca de informações sobre trânsito, tempo, enchentes e até mesmo programação de TV no Twitter.

A “segunda tela” tem sido muito usada no Brasil com novelas, reality shows e futebol, e a empresa é muito enfática sempre ao falar de suas parcerias com programas de TV. Por que essa função é tão importante?

G.R. – A segunda tela é o nosso caso de uso que mais cresce, e pode superar o consumo de informações muito em breve, por concentrar os usuários em torno de alguns tópicos. Além disso, como o Twitter é aberto, sem filtros e conversacional, ele é uma plataforma natural para esse uso. Por fim, a televisão ainda é a grande mídia que existe hoje. Trabalhar com esse ecossistema e torná-lo mais interativo e interessante tem sido muito relevante para nós. Há pouco tempo, fizemos uma parceria com o Saia Justa, do GNT, e o programa conseguiu engajar as pessoas pela paixão das discussões na tela.

A questão da neutralidade de rede

Mas, entre a TV e o usuário, há também a relação com as marcas. Elas também conseguem “sentar no sofá”?

G.R. – Ela vai sentar no sofá com o usuário à medida em que consiga agregar valor na experiência da conversa. A publicidade nativa precisa de conteúdo muito bom: se consegue impactar o usuário, será convidada para o sofá. É o caso da Oreo, empresa americana de biscoitos, que aproveitou o apagão no Super Bowl para dizer: “Mesmo no escuro, você pode mergulhar o seu biscoito no leite.” Teve um grande impacto porque conseguiu gerar entretenimento, falando a língua da TV.

É comum ver muita gente no Brasil dizendo que desistiu ou não entendeu o Twitter. Como lidam com isso?

G.R. – Muitas pessoas ainda não experimentaram o Twitter, e nós precisamos cuidar não só para que façam isso, mas para que se sintam atraídas e entendam o que a plataforma pode representar no dia-a-dia delas. Em breve, os novos usuários terão um acompanhamento maior em uma plataforma cada vez mais visual e simples para atender essa necessidade.

Um dos pontos mais polêmicos do Marco Civil da Internet é o da neutralidade de rede, que defende que o tráfego de internet não deve ser discriminado. Se negado, ele pode gerar aumentos nos planos de conexão para o consumidor final. Como o Twitter vê essa questão?

G.R. – Sempre defenderemos a possibilidade do usuário ter acesso ao que ele quiser sem a necessidade de que ele pague mais por isso. Quanto à neutralidade, sabemos que é o usuário quem vai acabar pagando a conta se esse princípio for negado. Não é o que queremos.

“Restrição gera criatividade”

Outro ponto do Marco Civil é a obrigatoriedade do armazenamento de dados dos usuários em servidores localizados no Brasil. Como o Twitter se posiciona?

G.R. – Acredito que essa é uma questão que deve ser discutida apenas no aspecto técnico, e não fora dele. Mas, se as empresas forem obrigadas a guardar seus dados no país, a inovação por aqui tende a ser inibida.

Além do Twitter, vocês também iniciaram as operações do Vine aqui no Brasil. Como tem sido até agora?

G.R. – Estamos super felizes com o Vine, com altas taxas de crescimento. É uma linguagem à parte, usando o Vine para dividir principalmente entretenimento. Existem Vines de humor, Vines de mágica, Vines que testam técnicas de filmagem.

A limitação de seis segundos para o vídeo no Vine tem uma relação direta com os 140 caracteres do Twitter?

G.R. – A plataforma tem de ser flexível diferente de acordo com a experiência do usuário. Entretanto, sempre gosto de repetir uma coisa que o Jack Dorsey costuma dizer: “restrição gera criatividade”. Os 140 caracteres fizeram com que a criatividade surgisse no Twitter – e a criatividade atrai pessoas. Se você pudesse escrever textos gigantes, todo mundo já estaria cansado do Twitter. O Vine funciona na mesma lógica.

“É um ecossistema de plataformas”

Quem são os concorrentes do Twitter hoje?

G.R. – Estamos sempre disputando a atenção do usuário – e todo mundo faz isso. Nesse sentido, de algum jeito o mercado compete, mas isso não significa que nós não possamos construir parcerias com a televisão, portais de notícias ou empresas. Quando olhamos a nossa plataforma, temos um caminho claro de crescimento, buscando fortalecer o que as pessoas veem em nós. Nos preocupamos mais com isso do que com quem está ao nosso redor.

Uma pesquisa divulgada pela empresa diz que 64% dos usuários brasileiros acessam a plataforma por dispositivos móveis, ultrapassando o uso em web. Por que o Twitter funciona bem com o uso mobile?

G.R. – O Twitter tem três grandes tipos de utilização: microtédio (isto é, quando a pessoa está em uma fila esperando algo acontecer), horário nobre (quando o usuário comenta a novela pela plataforma) ou em grandes eventos, que são por natureza móveis. Além disso, o Twitter sempre foi mobile: das mensagens SMS do início aos dias de hoje, então isso faz todo sentido para nós.

A abertura de capital mudou alguma coisa na empresa?

G.R. – Não. É uma experiência que só mostrou para nós que a empresa deve ser construída a longo prazo. Abrir o capital reforçou a ideia de que precisamos ter e engajar cada vez mais os usuários e melhorar a experiência do Twitter.

Com oito anos, o Twitter é uma empresa jovem – especialmente comparada a com Google e Microsoft. Depois da abertura de capital, o que o Twitter pode ser?

G.R. – Queremos cada vez mais consolidar uma estratégia de plataformas diferentes. Além do Twitter, temos também o Vine, um site de vídeos, o Mopub, que presta serviços de venda de publicidades para aplicativos, e o Crashlist, que ajuda desenvolvedores a encontrar erros em seus programas. É um ecossistema de plataformas, mas nem todas as pessoas enxergam isso.

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Bruno Capelas, do Estado de S.Paulo

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