Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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Amazon, Microsoft e Google brigam na nuvem

Por Shira Ovide em 29/04/2014 na edição 796

Na guerra travada pela Amazon.com Inc., Microsoft Corp. e Google Inc. para definir quem dominará o futuro da computação, quem está se saindo vitorioso são executivos como Michael Simonsen.

O diretor-presidente da Altos Research, uma firma novata do setor imobiliário, aluga capacidade de processamento e armazenamento de dados da Amazon para analisar informações sobre cerca de 100 milhões de propriedades para venda ou aluguel nos Estados Unidos. Há três semanas, a Amazon reduziu quase pela metade a tarifa que cobra da Altos, o que permitiu que Simonsen contratasse outros dois programadores para desenvolver novos serviços. “Ninguém nunca dá um desconto de 40% da noite para o dia”, diz Simonsen. “Nosso benefício direto é a oportunidade de criar mais produtos, de forma mais rápida.”

A Amazon, com seu Amazon Web Services (AWS), foi a primeira empresa a criar, há oito anos, o conceito de alugar capacidade de computação e poupar aos clientes os custos de construir sua própria infraestrutura informática. Até agora, ela tem se concentrado principalmente em empresas de pequeno porte, como a Altos.

A Microsoft e o Google têm aumentado sua oferta de serviços semelhantes, desencadeando uma guerra de preços de três pontas. No mês passado, em questão de dias, cada uma das rivais reduziu os preços de vários de seus serviços em até 85%.

Isso está mudando os cálculos para empresas que gastam globalmente cerca de US$ 140 bilhões por ano na compra de computadores, cabos de internet, software e outros equipamentos para suas centrais de processamento de dados.

A batalha vai definir como as companhias em todo o mundo organizam a infraestrutura de computação que apoia seus negócios, além de ameaçar os fabricantes de equipamentos tradicionais para centrais de dados, como a International Business Machines Corp., a Hewlett -Packard Co. e a EMC Corp.

Garantia de segurança

Desde que foi fundada, há quatro anos, a empresa americana de tecnologia de marketing Krux Inc. vem usando computadores da Amazon para personalizar as informações ou a publicidade que aparecem em websites. Tom Chávez, diretor-presidente da Krux, diz que a empresa analisa 160.000 lotes de dados por segundo. Ele imaginou que a Krux precisaria de seus próprios centros de informática quando seus servidores passassem a receber mensalmente 750 milhões de “requests”, que no mundo da publicidade on-line representam cada vez que um usuário de um website clica em um anúncio. O total de pedidos recebidos pela Krux a cada mês alcança hoje mais que o dobro desse nível, mas Chávez diz que a empresa não tem planos imediatos de construir seu próprio centro de dados.

“Essa guerra de preços entre os pesos pesados certamente adia [a decisão] ainda mais, o que é ótimo para minha empresa”, diz. Chávez acrescenta que também está considerando o serviço de aluguel de capacidade de computação da Microsoft, chamado Azure. O executivo estima que, se operasse a sua própria infraestrutura, a Krux gastaria cinco ou seis vezes mais com pessoal e equipamentos. Tanto a AWS, da Amazon, quanto a Azure, da Microsoft, têm centros de dados no Brasil, de onde prestam serviços para a maior parte de seus clientes na América Latina.

A empresa de pesquisa Gartner Inc. prevê que empresas de todo tamanho gastarão cerca de US$ 13,3 bilhões este ano com o aluguel de capacidade de computação da Amazon e outros fornecedores, 45% mais que no ano anterior. O dado equivale a menos de 10% da despesa total das empresas com centros de processamento de dados.

A Amazon é, de longe, o maior participante da indústria, com um faturamento que no ano passado superou US$ 3 bilhões, um salto de 85% ante 2012, de acordo com a Bernstein Research, que calcula a receita do setor de maneira diferente à da Gartner. A Bernstein acredita que a Microsoft e o Google faturaram centenas de milhões de dólares, embora nenhuma das duas empresas divulgue os resultados separados deste setor.

O que tem dado impulso ao crescimento da computação em nuvem são as economias que ela gera. Um site de tamanho médio, com cerca de 50 milhões de “pageviews” por mês, gasta cerca de US$ 1.200 por mês para comprar dois servidores, o hardware necessário para enviar dados para a web e outros equipamentos, segundo cálculos de Simon Margolis, analista da consultoria de tecnologia SADA Systems. A mesma empresa pagaria entre US$ 270 e US$ 530 para alugar capacidade de computação equivalente da Amazon, Microsoft ou Google, diz ele.

Matt Gerber, vice-presidente executivo da 2nd Watch Inc., que ajuda grandes empresas a contratar os serviços da Amazon, diz que uma grande companhia de produtos de consumo que vem usando capacidade de computação da Amazon para necessidades menores, como websites de marketing, está se preparado para transferir mais funções básicas de computação de sua própria rede para a da Amazon. Gerber não quis revelar o nome da empresa.

“Os modelos de custos [dos clientes] já não funcionam” atualmente por causa da redução dos preços, diz Sebastian Stadil, fundador da Scalr Inc., que ajuda empresas a gerenciar infraestrutura de TI. Stadil diz que uma empresa de internet com a qual a Scalr trabalha está considerando transferir algumas tarefas para o Compute Engine, do Google, depois de reduções de preços recentes que não exigem a assinatura de contratos.

No entanto, há obstáculos para o modelo de locação que podem limitar o crescimento do setor. Geralmente, para grandes empresas com necessidades previsíveis de computação, é mais barato e confiável possuir e controlar sua própria infraestrutura. Muitas vezes, as empresas também têm que reconfigurar muitos programas antigos para rodar em computadores de outra companhia.

Em setores altamente regulamentados, como o de cuidados da saúde, as empresas precisam manter informações digitais sensíveis em seus próprios computadores. As revelações recentes sobre os programas de vigilância do governo dos EUA levaram clientes de empresas que prestam serviços de computação a cobrar de forma mais intensa que elas garantam a segurança de seus dados.

Algumas provedoras de serviço, como a Comcast Corp., estão optando por uma mescla de abordagens, aplicando as técnicas utilizadas pela Amazon em seus próprios centros de dados. Segundo a Forrester Research, cerca de um terço das grandes empresas pesquisadas no ano passado tinha criado um serviço semelhante ao da Amazon, que cobra por uso da tecnologia, em seus centros de dados.

Porta aberta

No negócio de locação, o aumento da concorrência está levando alguns clientes a mudar de fornecedores. A CliQr Technologies, que ajuda empresas a calcular o custo de suas necessidades de TI, diz que, no ano passado, mais clientes saltaram de um fornecedor para outro, especialmente depois que o Google renovou seu leque de produtos, no mês passado.

A Thermopylae Sciences & Technology, uma empresa americana de mapeamento digital, decidiu alugar capacidade de computação da Amazon e estava ansiosa para experimentar a do Google, mas o serviço não estava pronto, diz Michael Cachine Sr., diretor de tecnologia da informação da Thermopylae.

Desde que o Google mudou sua linha de serviços, no entanto, a Thermopylae passou a usá-los para desenvolver um software corporativo que gerencia as avaliações de desempenho de empregados e permite que os funcionários compartilhem suas informações pessoais com outros colegas. “Assim que a porta se abriu, começamos a fazer”, diz Cachine.

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Shira Ovide, do Wall Street Journal

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