Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Como o Facebook quer dominar o mundo

Por Vindu Goel em 29/04/2014 na edição 796
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 29/3/2014, tradução de Terezinha Martino

Na quinta-feira (27/3), Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, anunciou a criação de um laboratório com 50 especialistas em aeronáutica e cientistas espaciais para pesquisar de que maneira pode ser possível acessar a internet por meio de drones movidos a energia solar e outras “aeronaves de conectividade”.

Para começar, o Facebook comprou a Ascent, uma pequena empresa britânica cujos fundadores ajudaram a criar as primeiras versões de um drone movido a energia solar, o Zephyr. “Queremos chegar a novas formas de conectividade que reduzam o custo”, disse Yael Maguire, diretor de engenharia do novo Facebook Connectivity Lab. “Queremos descobrir se existem meios de o céu oferecer acesso à internet.”

É o segundo anúncio ambicioso feito pelo Facebook nesta semana e o terceiro no ano. Na terça, a companhia disse ter gasto US$ 2 bilhões na compra da Oculus VR, empresa que desenvolveu óculos de realidade virtual para jogos. No mês passado, a rede social anunciou a compra do WhatsApp, aplicativo que permite o envio de mensagens grátis, por US$ 19 bilhões. Já o novo laboratório faz parte do projeto Internet.org, de Zuckerberg, cujo objetivo é levar a Internet aos dois terços desconectados da população mundial.

Trabalhando com parceiros como Qualcomm e Nokia, o Facebook pretende explorar tecnologias para comprimir os dados de Internet, reduzir custo de celulares e estender as conexões para pessoas que não podem ter acesso ou vivem em lugares de difícil alcance. Os satélites podem propiciar o acesso à internet para áreas pouco povoadas com conexões online irregulares e de custo alto.

O céu não é o limite

O Facebook imagina drones que podem permanecer no ar por meses, até anos, a mais de 19 quilômetros acima do solo – bem acima de outros aviões e do clima muito variável. Para tornar a rede mais eficiente, disse Maguire, os drones mandariam dados um para o outro usando lasers antes de enviá-los para a terra. “Você precisa criar uma internet no céu”, disse Maguire. “Queremos seguir em inúmeras direções – algumas arriscadas, que podem não funcionar.” Segundo o executivo, o objetivo de conectar o mundo à internet é importante para o Facebook e a empresa está determinada a concretizá-lo.

Para Matthew Eastwood, analista da consultoria IDC, o Facebook quer chegar a uma população que nunca deu lucro a provedoras de comunicação. “É preciso lhes dar crédito por pensarem diferente das operadoras.”

As iniciativas do Facebook trazem à mente os esforços da sua rival do Vale do Silício, a Google, que está tentando levar a internet para áreas remotas por meio de uma rede de balões voadores. A companhia também desenvolveu carros que dispensam o motorista, adquiriu empresas de robótica e criou numa série de projetos científicos que não parecem ter relação com suas atividades principais mantidas por anúncios.

“Quanto mais penso a respeito – drones e realidade virtual e o volume excessivo de dinheiro que pagaram pelo WhatsApp – acho que estão tomando decisões em lugar de uma sólida prática comercial implementada”, disse Brian Blau, analista da empresa de pesquisa Gartner. “Às vezes acho que o Facebook tenta apenas não ficar por baixo do vizinho.” Ou talvez do Google.

Maguire disse que não queria roubar ninguém do Google quando adicionava à sua lista 40 outros engenheiros espaciais, designers de aviões e magos das comunicações a laser à sua equipe. “Você não vai encontrar esses conhecimentos especializados nas comunidades tradicionais baseadas na internet. Achamos que os talentos vêm de outras áreas.”

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Vindu Goel, do New York Times

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