Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Disseminação de boatos pode ultrapassar o mundo virtual

Por Sergio Matsuura em 13/05/2014 na edição 798
Reproduzido do Globo.com, 7/5/2014; título original “Com redes sociais, disseminação de boatos pode ultrapassar o mundo virtual”, intertítulo do OI

Quem conta um conto aumenta um ponto. E com as redes sociais, os riscos da disseminação de boatos podem ultrapassar o mundo virtual, caso da dona de casa linchada em Guarujá (SP). O retrato falado que teria motivado a ação dos populares foi divulgado pela Polícia Civil do Rio em 2012 em inquérito sobre a tentativa de sequestro de um bebê. A imagem foi publicada no início de abril por uma usuária do Facebook moradora do interior de Santa Catarina, replicada quase 16 mil vezes e levou pânico aos quatro cantos do país.

“A internet potencializou o conto do vigário. É impossível mensurar o estrago que isso pode causar”, explica Gilmar Lopes, criador do site E-farsas, especializado em desmentir rumores online. “Os boatos têm padrões. Não são datados e possuem informações imprecisas, para serem usados em outras situações. A história do voto nulo cancelar eleição vai voltar este ano.”

No caso em questão, o texto que acompanhava o retrato falado citava “uma sequestradora pela redondeza”, que teria capturado “mais ou menos 37 crianças para fazer magia negra”. A página do Facebook “Guarujá Alerta” pode ter sido mais uma enganada. “Não acredito em má-fé. Eles também caíram no boato”, diz Lopes.

Os filtros são os usuários

Os boatos, conhecidos como hoaxes, acompanham a internet desde o seu surgimento. No início, as falsas histórias circulavam por e-mail, com o objetivo de capturar o máximo de endereços para o envio de spams. Nas redes sociais, são usados para gerar “curtidas” e aumentar o público das páginas ou instalar aplicativos maliciosos nos computadores.

“Historicamente, os hoaxes não trazem muitas consequências, apenas mobilizações que acontecem nas redes sociais por alguns dias, até serem superados por outro boato. Dificilmente saem para o mundo real”, afirma Thiago Tavares, presidente da ONG SaferNet Brasil.

Para o especialista, o caso de Guarujá aponta para outra questão fora do mundo virtual: a falta de credibilidade do Estado. Segundo Tavares, o enfraquecimento das instituições responsáveis pela segurança pública abre espaço para a ação de justiceiros. As redes sociais só refletem esse sentimento latente da população.

Na internet, os rumores circulam livremente porque os filtros são os próprios usuários, sem compromissos com checagem e apuração dos fatos.

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Sergio Matsuura, do Globo

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