Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

E-NOTíCIAS > ENTREVISTA / TOM RIELLY

‘A essência da comunicação não vai mudar’

Por Bolívar Torres em 20/05/2014 na edição 799
Reproduzido do Globo.com, 14/5/2014; intertítulo do OI

Tom Rielly – “Sou membro da TED, uma associação conhecida por organizar palestras de impacto com pensadores de diversas áreas e disseminá-las em vídeos para bilhões de usuários na internet. Todo ano, o programa TED Fellows seleciona novas cabeças do mundo inteiro para atividades da nossa tribo.”

Conte algo que não sei.

T.R. – Para o TED Fellows deste ano, estamos muito interessados na participação de latino-americanos. Todas as áreas estão contempladas e qualquer um pode se inscrever. Se você acha que não tem diferencial a oferecer, deixe que achamos um para você. Não há nada a perder…

Como tornar algo tão simples como uma conferência em algo atraente para espectadores no mundo inteiro?

T.R. – Uma pessoa falando para uma plateia é um modelo que remonta às origens da humanidade. É como contar histórias ao redor de uma fogueira. Tem algo nessa linguagem que funciona de verdade se for feito da forma apropriada. Os espectadores querem olhar os palestrantes nos olhos, ver sua linguagem corporal… É muito diferente de um programa de TV. Não importa qual a educação ou a origem do espectador: todo mundo fica cativado quando vê alguém falando algo interessante.

Empatia com a plateia é o principal critério?

T.R. – É uma pergunta com a qual estamos sempre nos confrontando. Algumas pessoas nascem com o dom da comunicação. Já outras têm coisas fantásticas para dizer, mas são muito acadêmicas, acostumadas a falar apenas em convenções, com jargões muito específicos. O que tentamos fazer é ajudá-las a falar para um público mais geral e leigo, e sempre de forma clara. Se colocarmos uma pessoa que não sabe se comunicar, será um péssimo serviço para todo mundo.

Para atrair uma plateia mais generalista, o TED precisa ser menos denso e mais superficial? É possível transformar o conceito do site em educação de maior intensidade e aprofundamento?

T.R. – Uma das maiores críticas que recebemos é: “Pronto, vocês me deram essas informações ótimas, mas, e agora? Como posso saber mais sobre o assunto?” Pensando nisso, acabamos de redesenhar o site: a partir de agora, você encontra informações adicionais junto com a palestra, como artigos científicos sobre o mesmo tema e links para o site do palestrante.

O homem contemporâneo está sufocado com informação?

T.R. – Definitivamente, sim. Informação começa com atenção. Só que todo mundo tem energia limitada e capacidade de atenção finita. Neste momento, com a internet, muito da nossa atenção está sendo arrastada para a informação, e nem sempre de forma consciente. O importante é ter noção de como você está gastando a sua capacidade-limite de informação e saber o que é importante para você. Claro que sempre há essa ansiedade de não conseguir ver tudo o que está disponível no rádio, na TV e na internet. E, para compensar isso, acho saudável reservar um pedaço do seu dia com a cabeça livre. Eu, que sou um viciado em informação, tento sempre tirar um momento para ficar desconectado.

Qual é o futuro da comunicação?

T.R. – A resposta honesta para a pergunta é: “não sei.” Eu poderia fazer projeções fáceis: tablets superando computadores, e as interfaces ficando cada vez menores. Em breve, acho que não precisaremos mais digitar se não quisermos, o que não significa, necessariamente, que a digitação vá desaparecer. Mas o certo é que a essência da comunicação não vai mudar. As pessoas vão continuar querendo se conectar, trocar e expressar emoções, como amor e afeição.

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Bolívar Torres, do Globo.com

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