Domingo, 18 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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A massa atômica chamada de rede social

Por Jean Carlos Sestrem em 10/06/2014 na edição 802

Partindo da premissa de que tudo que se faz na vida parte basicamente de dois polos – positivo e negativo – podemos observar que a sociedade muda seu viés de comportamento social, pesando perigosamente pelo polo negativo, enquanto o polo positivo sofre fisiologicamente com este peso. No gerenciamento da polis através da política, quem faz a política positiva precisa ser mais profundo nos debates e no conteúdo. Porém, praticar isso em uma sociedade predominantemente superficial se torna cada vez mais difícil, beirando o impossível.

O fato é que as tecnologias atuais, de formação de redes reais de ideias e virtualmente alocadas do ponto de vista físico, fizeram com que uma carga imensurável de informações transitasse diante dos olhos das pessoas em frações de segundos, obrigando assim as mais diversas classes econômicas e sociais a se encontrarem e se unirem próximas de seus interesses nucleares para acompanhar de longe seus temas, dada a velocidade com que transitam. Como olhando por uma janela de um avião, assistimos ao mundo lá fora passar de maneira simbólica, superficial. Hoje não mais lemos, passamos os olhos por cima, entendemos de maneira superficial não do assunto, mas o que acontece com ele.

A mídia tradicional, que antes dominava as massas através de apenas uma opinião, vê ruir seu império pela ausência deum “núcleo temático” de suas informações, pois o tempo que se dispõe para tratar de assuntos de toda a ordem, nem de longe concorre com o interesse nuclear somado à velocidade que se precisa para se ter informação selecionada do ponto de vista de afinidades dos núcleos sociais. Isso explica a queda vertical das audiências gerais.

Essa tendência já exigia do modelo político brasileiro uma ação mais evidente, tanto que o congresso de nosso país, em determinado período, tentando se adaptar ao que chamavam sem conhecer, de plena democracia, foi invadido por forças nucleares de toda a ordem étnica, gênero, religião, sindical, entre outras forças; o que gerou uma ascensão mais significativa dos núcleos que detinham mais poder econômico e social, lógica comum da estratégia sonhada pela liberdade vista do modelo anterior. Mais uma vez, a exemplo da mídia, quinhentos e tantos representantes (deputados) e três senadores por estado não conseguiram, óbvio, atender o interesse de todos os núcleos, que volto a dizer, estão em plena e violenta expansão fomentados pelas facilidades tecnológicas que geram com qualidade e quantidade os encontros e interação informacional de entes sociais embarcados em veículos velozes, limitados fisicamente pela absorção que não evoluiu como os meios.

A sociedade do futuro chegou

O fenômeno da força dos núcleos se deu de maneira irreversível e impermeável pelas forças de controle de massa falidas pelo novo e natural modelo; a sociedade globalizada não é mais massa, do ponto de vista do conceito de controle, como era antigamente, quando milhares de pessoas eram pautadas pelas causas comuns ao redor de um rádio de pilha ou na frente de um televisor. Hoje, a sociedade nem precisa mais de televisão, muitos nem assistem mais, e cada vez mais indivíduos superaram este modelo. Eu, por exemplo, até tenho TV em casa, mas não é mais uma TV comum, são Smart TV’s, que acessam a internet e eu vejo o que “me interessa” no tempo que me é conveniente. Faço parte de um núcleo de interesses, e não mais de uma sociedade civil de interesses meramente comuns, horizontais, solidários e genéricos que podem ser passados a limpo em 30 minutos de telejornal diário. Não! Deus me livre, não!

Ninguém tem mais paciência para ouvir sobre saúde, educação, segurança e transporte de maneira genérica e, pior, nem profunda, porque a ação e o resultado precisam atender os núcleos, e não mais a massa. Falar de educação, por exemplo, com a superficialidade de que precisamos valorizar os professores, não convence mais porque os alunos também querem ser pauta, as merendeiras também, as atendentes de creches querem estar no plano de carreira dos educadores também, se unem para isso de maneira muito mais pública do que em qualquer outra era, e por ai vai…

A sociedade do futuro chegou, é a sociedade do presente agora, as reformas se fazem necessárias com o visionismo real, e não com o visagismo virtual. Se queremos inovar, não podemos imitar o superado. Faz tempo que a sociedade, que na resistência dos mandatários assustados era chamada de juventude virtual, é essencialmente real e acessível. Ela se tornou adulta e quantitativamente gigantesca bem como, também, imensuravelmente fracionada. Ela esta seguindo um rumo, um trilho, mas ocupando o infinito.

E agora? Precisamos de uma tabela periódica de interpretação humana?

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Jean Carlos Sestrem é analista de sistemas

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