Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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‘Jesus do Bitcoin’ convoca ricos para seu paraíso fiscal

Por Jason Clenfield e Pavel Alpeyev em 23/06/2014 na edição 804

Ele é conhecido como “Jesus do Bitcoin” no mundo das moedas cibernéticas. Embora não prometa o paraíso, ele está oferecendo um refúgio: um condomínio no Caribe que vem com um novo passaporte e quase nenhum imposto.

Conheça Roger Ver, ex-cidadão dos EUA, ex-condenado e investidor milionário que se descreve como libertário e que fundou passportsforbitcoin.com.

O universo em constante expansão do que se pode comprar com bitcoins inclui uma estadia num hotel em Roma, um quimono em Tóquio e TV a cabo nos EUA. Ver, um investidor pioneiro em startups de bitcoins, agora diz que ele pode colocar cidadania nessa lista.

Especificamente, o direito de morar na Federação de São Cristóvão e Névis, duas ilhas ensolaradas a três horas de voo de Miami. São Cristóvão tem um programa “invista e se torne um cidadão” desde 1984, o mais antigo do tipo, de acordo com o site do país.

Desembolse US$ 400 mil para a compra de imóveis e obtenha um passaporte que lhe permite viajar sem visto a 120 países. Não há impostos sobre renda pessoal ou ganhos de capital e as restritas leis de divulgação das ilhas oferecem proteção contra um controle externo, de acordo com a Rede de Justiça Tributária, um think tank que investiga jurisdições sigilosas.

O website de Ver, em inglês, russo e chinês, oferece um modo de comprar um pedaço desse paraíso com bitcoins. Ele diz que isso ajudará as pessoas que estão cercadas por restrições governamentais em relação às transações financeiras. “No próximo mês irei à China para explicar às pessoas que bitcoin é o modo mais fácil de pagar por alguma coisa fora do país”, disse Ver durante reunião neste mês, na luxuosa sala de visitas do 51º andar do Roppongi Hills de Tóquio.

O bitcoin foi inventado em 2008 como uma moeda que poderia ser usada sem supervisão governamental. Isso atraiu pessoas que desejavam comercializar bens ilegais, como drogas e armas. A moeda também conquistou o apoio de libertários como Peter Thiel, o bilionário que ajudou a fundar o PayPal e que planeja construir uma ilha artificial onde as pessoas poderão fazer o que quiser. O site de passaportes de Ver, seu mais recente empreendimento, é uma versão em miniatura desse ideal.

“São Cristóvão é muito mais libertário do que os EUA”, disse Ver. “Então, todos os que adotaram os bitcoins desde o início, se tiverem os meios, é claro, vão preferir ser cidadãos de São Cristóvão.”

O investidor e o ex-especulador

Independentemente de como paguem, as pessoas costumam buscar países como São Cristóvão para driblar impostos, disse John Christensen, diretor da Rede de Justiça Tributária. O Departamento do Tesouro dos EUA disse no mês passado que os passaportes da ilha estão sendo usados para facilitar o crime financeiro.

Uma mulher que atendeu o telefone no gabinete do primeiro-ministro de São Cristóvão disse que o programa “não é uma questão de comprar passaportes, mas de conquistar a cidadania”. No entanto, não é necessária a residência ou uma visita ao país, apenas um investimento de US$ 400 mil – que pode ser revendido depois de cinco anos – ou uma doação não reembolsável de US$ 250 mil ao país, de acordo com o site oficial de São Cristóvão.

Ver disse que ganhou o apelido de Jesus do Bitcoin porque falava do bitcoin a quem quisesse ouvir, muito antes que outras empresas de capital de risco prestassem atenção à moeda digital.

Uma das pessoas que ouviram os sermões de Ver foi o agente que processou seu pedido de cidadania, Paul Bilzerian. Ele é um ex-especulador corporativo que se mudou para São Cristóvão após longas batalhas com a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (a SEC) e duas passagens pela prisão por fraude com valores mobiliários e conspiração para fraudar o governo em milhões.

Os dois se uniram pela crença comum de que se tornaram alvos das autoridades dos EUA, de acordo com Ver. Juntos, começaram o site passportsforbitcoin.com em abril, disse Ver.

O site diz que um segundo passaporte isola a pessoa dos governos que se intrometem nas vidas dos cidadãos.

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Jason Clenfield e Pavel Alpeyev, da Bloomberg

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