Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Facebook fez experiências com usuários sem que eles soubessem

Por Rosa Jiménez Cano em 08/07/2014 na edição 806
Reproduzido do El País Brasil, 30/6/2014; título original: “O Facebook fez experiências com 689.000 usuários sem que soubessem”; intertítulo do OI

Uma semana de experiências e milhões de comentários, em sua maioria negativos, foram as consequências de um estudo conduzido por vários engenheiros do Facebook. A maior rede social do mundo pegou 689.000 perfis, sem aviso ou consentimento, para analisar seu comportamento alterando o algoritmo que seleciona as notícias que vêm dos amigos. Um grupo via notícias positivas, o outro, negativas.

A indignação surgiu quando se soube da publicação do estudo no site da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. Para o teste, foram selecionados, exclusivamente, perfis que escrevem em inglês. A recusa a comentar ou interagir com conteúdos de tom negativo, emotivos demais ou próximos da tristeza era muito mais alta. Em certas ocasiões, até 90% do habitual. O estudo conclui que sim, a motivação dos comentários dos contatos do Facebook convida a seguir na linha negativa ou positiva, segundo o grupo que lhes coubesse, ao fim de uma semana.

Esse tipo de experiência baseada na interação é muito comum em certos sites e, sobretudo, no comércio eletrônico, mas não leva em conta o tom do conteúdo. Denomina-se teste A/B a experiência de mostrar uma apresentação (como a organização da página ou o estilo dos ícones) diferente da mesma página para estudar se o usuário passa mais tempo nela, se dá mais cliques… mas nunca usando o tom do conteúdo como um componente extra.

Em um primeiro momento, o Facebook se limitou a dizer que os posts, atualizações de estado, poderiam ser consultados da maneira habitual, sem considerar que a seleção de uma ou de outra opção (notícia positiva ou negativa) com fins experimentais era onde residia a ruptura da confiança de seus usuários. Na última hora do domingo, o perfil deAdam Kramer, coautor do estudo e analista dos dados na empresa, apresentava uma explicação um pouco mais concreta: “Para nós, é importante o impacto emocional do Facebook nas pessoas que o usam, por isso fizemos o estudo. Sentíamos que era importante avaliar se ver conteúdo positivo dos amigos os fazia continuar dentro ou se o fato de que o que se contava era negativo os convidada a não visitar o Facebook. Não queríamos irritar ninguém.”

Quem tem perfil permite acesso

Na explicação ele garante que o estudo afetou apenas 0,04% dos usuários, um em cada 2.500 perfis, durante uma semana no início de 2012. A rede social respondeu ao jornal britânico The Guardian que sua intenção era melhorar o serviço para mostrar conteúdo mais relevante e que criasse uma proximidade maior com a audiência.

O que a equipe do site de Mark Zuckerberg parece não se dar conta é do mal-estar que surge na hora em que se viola o combinado – um algoritmo similar para todos –, e se experimenta com as sensações dos usuários. Também não deixa claro se o conhecimento adquirido a partir desse experimento pode ser aplicado à publicidade contratada em seu interior.

Em todo o caso, fica a sensação de que a experiência ficou conhecida graças à publicação do estudo, mas que qualquer um poderia ser objeto de muitas outras por parte dos analistas de dados do Facebook sem ser avisado antes. Segundo os termos de uso, de maneira explícita, quem tem um perfil dá permissão de acesso a “operações internas, resolução de problemas, análises de dados, experimentos, pesquisa e melhoria do serviço”.

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Rosa Jiménez Cano, do El País

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