Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Um mundo todo conectado

Por Mark Zuckerberg em 15/07/2014 na edição 807
Reproduzido do Valor Econômico, 8/7/2014; intertítulo do OI

Houve momentos na história quando invenções de novas tecnologias alteraram completamente a forma de viver e trabalhar de nossa sociedade. A imprensa escrita, o rádio, a televisão, telefones celulares e a internet estão entre elas. Nas próximas décadas, veremos a maior das revoluções, quando bilhões de pessoas se conectarão à internet pela primeira vez. Hoje, pouco mais de 33% do mundo está conectado – cerca de 2,7 bilhões de pessoas. É fácil achar que a internet é algo normal e presumir que a maioria das pessoas terá acesso a ela e a oportunidade que nós temos, mas não é assim. Conectar todo mundo é um dos desafios fundamentais da nossa geração. Quando as pessoas têm acesso à web, elas não se conectam apenas com seus amigos, famílias e comunidades, elas ganham a oportunidade de participar da economia global. Pesquisa da McKinsey & Co. de 2011 revela que a internet já é responsável, em certos países desenvolvidos, por uma fatia da atividade econômica maior que a agricultura e energia e, nos cinco anos prévios, gerou 21% do crescimento do produto interno bruto.

O acesso a ferramentas on-line permite que as pessoas usem informação para trabalhar melhor e, dessa forma, criar ainda mais trabalhos, negócios e oportunidades. A internet é a fundação dessa economia. Conectar todos no mundo fará mais do que compartilhar esses benefícios com outros bilhões de pessoas. Colocar os outros 66% do mundo on-line irá capacitá-los para inventar e criar novidades que nos beneficiarão também. Se pudermos conectar todos, nossas vidas melhorarão drasticamente. Mas isso não virá sem ajuda. Mais surpreendente que o fato de que a grande maioria das pessoas não tem acesso à internet é o de que a adoção da web está crescendo menos que 9% anualmente. É um ritmo muito lento considerando que estamos no início desse processo e que essa taxa tende apenas a se reduzir. Uma crença comum é que quanto mais pessoas compram smartphones, mais terão acesso a dados. Mas isso não é certo. Na maioria dos países, o custo do plano de dados é bem mais alto que o do aparelho.

Por exemplo, um iPhone com um plano de dados de dois anos nos Estados Unidos custa cerca de US$ 2.000, dos quais entre US$ 500 e US$ 600 cobrem o telefone e os cerca de US$ 1.500 são para o plano. Por sua vez, a maior parte dos custos de dados vai diretamente para a cobertura de dezenas de bilhões de dólares gastos todos os anos na construção de uma infraestrutura global para manter a internet. Se isso não se tornar mais eficiente, não poderemos servir a todos de forma sustentável pelos preços que as pessoas podem pagar. E se não mudarmos isso, logo viveremos em um mundo onde a maioria das pessoas com smartphones os usará offline e sem acesso à internet. Há muita pesquisa sobre como entregar a internet de formas completamente novas. Parte desse trabalho envolve satélites, aviões e lasers para a emissão da internet a partir dos céus. Essa pesquisa será necessária para conectar a todos porque algumas pessoas vivem em áreas remotas onde não há infraestrutura para incluí-las. Mas esse não é o problema que assola a maioria. Cerca de 90% da população mundial já vive nas proximidades de uma rede de celular. Nessas áreas, não precisamos construir uma infraestrutura completamente nova.

Internet livre e gratuita

Apenas precisamos mostrar porque a conexão é valiosa e torná-la acessível. O desafio para nossa indústria será desenvolver modelos de acesso à web que tornem os dados mais baratos, permitindo, ao mesmo tempo, que as operadoras de celular continuem a crescer e investir de forma mais sustentável. Iniciativas como a internet.org – uma parceria global fundada pelo Facebook e outros líderes da tecnologia – já estão trabalhando para resolver essa questão junto com as operadoras para oferecer serviços básicos de internet grátis às pessoas em todo o mundo.

Nossa sociedade já decidiu que certos serviços básicos no telefone devem ser grátis. Todo mundo pode, com três dígitos (190 no Brasil), delatar um crime ou pedir ajuda mesmo que não tenha um plano de telefonia. No futuro, todo mundo poderá ter acesso a serviços básicos de internet, mesmo se não pagar por um plano de dados. E assim como serviços telefônicos básicos encorajam muito mais pessoas a ter telefones, os serviços básicos de internet vão encorajar mais pessoas a ter planos de dados. Se esses esforços funcionarem, nós poderemos conectar bilhões de pessoas nos próximos dez anos – e isso transformará suas vidas e comunidades. Um recente estudo da Deloitte revelou que ampliar o acesso à web nos países desenvolvidos poderia criar 140 milhões de empregos e tirar 160 milhões de pessoas da miséria, e que essa nova oportunidade pode até reduzir as taxas de mortalidade infantil.

Na África Subsaariana, Sudeste Asiático e América Latina, a internet ajudará a impulsionar o progresso humano. Talvez a mais importante mudança possa ser o novo senso global de comunidade. Hoje só podemos ouvir as vozes e testemunhar o imaginário coletivo de cerca de 33% dos habitantes do mundo. Nós estamos sendo roubados da criatividade e do potencial de outros 66% do mundo que ainda não estão online. Amanhã, se tivermos sucesso, a internet irá de fato representar a todos. Nada sobre esse futuro está garantido. Os próximos anos serão uma luta na expansão e defesa da internet livre e gratuita. Nosso sucesso irá determinar até onde a visão de um mundo conectado pode ir. Conectar o mundo está dentro de nosso alcance e, se trabalharmos juntos, nós podemos tornar isso possível.

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Mark Zuckerberg, para o Wall Street Journal

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