Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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Twitter inspira paixões, mas não consegue gerar lucros

Por Rosa Jiménez Cano em 05/08/2014 na edição 810
Reproduzido do El País Brasil, 3/8/2014; intertítulo do OI

Em menos de um ano de mercado, as ações cresceram 40% em relação ao preço inicial, um crescimento de usuários, o dobro da renda (232 milhões) em relação ao segundo trimestre de 2013, mas também o triplo de despesas (108 milhões). Nos resultados que a empresa apresentou semana passada, alguma coisa não encaixa com o otimismo que envolve o Twitter.

No mundo das redes sociais, pensa-se mais em ganhar usuários do que em lucros imediatos. Para cada 1.000 visitas à timeline, a página em que aparecem as mensagens, o Twitter ganha 1,3 euros. Quanto mais visitantes, melhor. Por causa disso, Dick Costolo, o CEO, comemorou o salto de 255 a 271 milhões de usuários em apenas um trimestre. A febre Twitter continua, alimentada por famosos, cantores, artistas, jogadores de futebol, marcas e programas de televisão, que o adotaram como uma ferramenta de difusão.

A chave deste crescimento está na na plataforma móvel, porta de entrada para 77% dos usuários, mas também o conteúdo. Evan Williams, co-fundador do Twitter, foi o primeiro a se dar conta que seu negócio levaria tempo para ser lucrativo, mas também que seria a primeira rede social nascida especialmente para a plataforma móvel.

Williams havia acabado de vender uma empresa para o Google, a Blogger, plataforma de blogs mais popular, e tinha dinheiro no bolso. Segundo explica em A verdadeira história do Twitter, de Nick Bilton, a cada mês a operação era repetida. À direção cabia pagar as contas milionárias às empresas de telefone pelas mensagens SMS que os usuários enviavam dos celulares. O limite de 140 caracteres vem disso, da possibilidade de tuitar do computador ou de um celular ainda sem acesso à internet. Antes de o Iphone e o Android serem populares. Desde 2007, os aplicativos foram prioridade.

A tela de mensagens e as criações próprias foram outra chave para ganhar interesse. A Copa do Mundo de futebol foi um teste para comprovar se são ou não um bom formato para contar histórias em tempo real, sem a necessidade de envolver terceiros. Para cobrir o evento, criaram uma equipe dedicada a remodelar a estética do aplicativo. Incluíram um quadro superior para mostrar os resultados, notificações para gols e um guia dedicado aos momentos mais relevantes de cada jogo. Uma estratégia que encaixa mais com o que se espera de um meio de comunicação do que com um lugar dedicado à difusão do conteúdo. Isso questiona a própria definição do Twitter. Costolo, do outro lado do telefone em uma conferência de analistas, foi ambíguo: “Queremos ser úteis. Nisso, somos únicos. Fazemos com que a experiência dos meios (de comunicação) e do que acontece em tempo real seja melhor”.

Quanto mais tempo, mais páginas visitadas. Quanto mais páginas, mais receita. Srinivas Kulkarni, analista de origem indiana, vê isso como uma parte natural do caminho: “Estão em uma fase em que importa mais o crescimento, atrair o público do que os lucros. Isso virá depois”. Com o Facebook, que começou a participar da Bolsa há dois anos e meio, aconteceu algo parecido, ao dar prioridade aos usuários antes da chegada de dinheiro. Há dez dias, declarou 791 milhões de dólares de lucros no segundo semestre.

Venda direta

Toda a estratégia se baseia em buscar usuários. Cada novo perfil é uma nova oportunidade para oferecer publicidade e analisar dados de comportamento. Mais perfis equivalem a mais objetivos publicitários que amadurecem quando se conectam com amigos. Parece lógico, embora tenha suas complicações, sobretudo para o Twitter. O processo de registro continua complicado. Explicar a um novato a sua mecânica também. A falta de controle dentro da comunidade, protegida pela liberdade de expressão, é constante.

Não à toa, o plano filantrópico de Mark Zuckerberg, Internet.org, consiste em levar a internet às 5 bilhões de pessoas que ainda não têm conexão. Zâmbia é o primeiro país a testar. A conexão à internet é grátis por meio de um aplicativo simples no telefone, no qual se pode consultar o clima, pesquisar noGoogle ou navegar no Facebook. É maquiado como “contato com família e amigos”. A realidade: um novo lote de usuários recém-chegados ao universo deles e ávidos para explorá-lo.

Tanto o pássaro azul quanto os homens de Zuckerberg tentam ganhar clientela na Ásia, África e América Latina. O Twitter tem um escritório em São Paulo e por enquanto não há planos de expansão. Na Ásia, conformam-se com o Japão. Na Europa, diplomacia em Londres e Paris, mas, sobretudo, a Irlanda para as vendas. Em Madri, quase uma missão comercial, não passa de uma dezena de empregados.

No Twitter, consideram que, com os escritórios de Boston, Nova York e a sede central em San Francisco, todos os fusos horários estão cobertos, sem a necessidade de uma relação mais estreita. As formas dessa pretensão de venda direta ainda é falha. Oferecer um sistema de compra de anúncios para comércios locais ainda está longe. Enquanto isso, essa é uma das ações mais simples que podem ser realizadas no Facebook, com um cartão de crédito e menos de 10 minutos.

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Rosa Jiménez Cano, do El País, em San Francisco

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