Domingo, 19 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1037
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Google quer tomar lugar da Microsoft no escritório

Por Shira Ovide e Alistair Barr em 09/09/2014 na edição 815

O Google Inc. acredita que pode revolucionar o mundo monótono da tecnologia corporativa e ganhar uma fatia dos cerca US$ 300 bilhões que as empresas gastam por ano com software para o trabalho. Mas ser pioneiro em carros sem motorista e drones para entregas talvez seja mais fácil do que mudar a forma como as pessoas enviam e-mails no escritório.

A tarefa do executivo Amit Singh é convencer as empresas a abandonar o Microsoft Outlook, o Office e os computadores de mesa e substituí-los pelas versões para negócios do Gmail e Google Apps e por laptops básicos conhecidos como Chromebooks.

Várias novatas e outras firmas pequenas da região de San Francisco, na Califórnia, já adotaram os serviços do Google, mas até agora a empresa teve sucesso limitado em convencer as grandes a substituir ferramentas como o Microsoft Word.

Singh, que tem 46 anos, refinou as ofertas do Google para o local de trabalho, concentrando-se em serviços como o Drive for Work, que podem coexistir com programas concorrentes. Ele considera mais fácil para as empresas acrescentar serviços do que fazer uma mudança completa. Para ajudar os clientes a verem as várias ofertas do Google como um conjunto coerente de produtos, Singh acabou de rebatizar o pacote de software como “Google for Work” (Google para o Trabalho).

Em uma entrevista ao The Wall Street Journal, Singh, um ex-executivo da Oracle, discutiu as ambições do Google para o software empresarial, sua estratégia para tomar o lugar de gigantes como a Microsoft no escritório e como se destacar no mercado já saturado de serviços em nuvem. Seguem trechos editados:

WSJ: A maioria das tecnologias utilizadas no local de trabalho não mudou muito nos últimos anos. As coisas estão prestes a mudar?

Singh: A forma como as pessoas estão usando a tecnologia no trabalho está mudando. As pessoas estão passando a maior parte do seu tempo em dispositivos [móveis] em vez de computadores de mesa. [Os funcionários] estão envolvidos na escolha da tecnologia. Eles usam coisas em casa e querem usar as mesmas coisas no trabalho porque acham que algumas dessas coisas no trabalho não acompanharam [o progresso].

WSJ: A ênfase no Drive for Work nos últimos meses significa que vocês não foram tão bem-sucedidos como queriam vendendo para as empresas [aplicativos] como o Apps, um concorrente do Microsoft Office, ou o Gmail?

Singh: Esses são, em muitos aspectos, mercados diferentes. Nosso Gmail para negócios, nosso Apps para negócios continuam crescendo a passos largos.

O compartilhamento de arquivos, a sincronização e a colaboração, o gerenciamento de documentos, tudo isso constitui, na verdade, uma nova categoria, o que nos permite pegar nossos produtos, que construímos ao longo do tempo, e entrar num conjunto de clientes completamente novo. Nossa proposta de valor para o Drive é: ‘Por favor, continuem usando seja o que for que vocês estejam usando – Microsoft ou produtos Lotus, da IBM – e nós podemos agregar valor com o Drive em paralelo. Se vocês não estão prontos para uma grande mudança de e-mail, temos essa nova alternativa.’

WSJ: Como é tentar incentivar mudanças em empresas que normalmente não se movem tão rápido como o Google?

Singh: Agora que a mobilidade está mudando o trabalho e novos modelos de negócios estão sendo criados, seja o Uber no transporte ou o Netflix na mídia, há uma percepção crescente, no nível do diretor-presidente e do conselho, que as empresas precisam mudar o modo como pensam sobre tecnologia e elas estão procurando o Google para isso. [Elas dizem:] ‘Como podemos transformar nossas empresas para aproveitar a tecnologia?’ De muitas maneiras, elas mesmas estão revolucionando elas próprias.

WSJ: O que o sr. achou da recente parceria entre a Apple e a IBM para ajudar empresas a desenvolver aplicações para a web?

Singh: É muito cedo para dizer. Como a Apple não tem, necessariamente, capacidade de serviços e na nuvem, essa combinação [com a IBM] faz sentido para eles. No nosso caso, fornecemos a combinação, com o Android e a nuvem juntos. Com o tempo, os desenvolvedores vão reconhecer o valor dessas plataformas para construir uma nova geração de aplicativos para o trabalho.

[A Apple não quis comentar.]

WSJ: A Amazon foi pioneira num serviço na nuvem que permite às empresas pagar por hora para compartilhar a infraestrutura de computação. O que o Google pode fazer de diferente?

Singh: A primeira versão da nuvem até agora tem sido algo assim: Você está acostumado a fazer as coisas de uma certa maneira, deixe-me lhe dar um dispositivo de armazenamento virtual, na nuvem. Isso economiza uma verba substancial e lhe dá agilidade. Nós vamos agregar um valor diferente. Vamos dar conta do ‘up-time’ (manter o serviço rodando), a escala, ajuda para corrigir [falhas da tecnologia]. Isso é realmente um espaço muito diferente.

WSJ: A Amazon é vulnerável?

Singh: Estamos incrivelmente dispostos a ser a opção número um de plataforma [na nuvem] para desenvolvedores. Decidimos nos últimos anos pegar a [infraestrutura de tecnologia] que construímos para nós mesmos e abri-la para os desenvolvedores. Dar-lhes o mesmo tipo de mágica que os engenheiros do Gmail ou do YouTube desfrutam.

WSJ: O que acha do foco do diretor-presidente da Microsoft, Satya Nadella, em software e serviços móveis adaptados para a nuvem?

Singh: Parece que ele começou bem. Mas é preciso fazer mais do que falar. Eles não pensam em centros de dados e em redes. Na área móvel, eles estão tentando, mas não é o núcleo dos negócios deles. Nem a nuvem nem os celulares são a capacidade central deles. Seus produtos, como o Office Web Apps, se você usá-los, você verá o nível de maturidade. Mas esperamos que melhorem. Concorrência sempre é uma coisa boa e nunca os subestimamos. [A Microsoft não quis comentar.]

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Shira Ovide e Alistair Barr, do Wall Street Journal

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