Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Yahoo enfrenta momento decisivo

Por Michael J. De La Merced em 30/09/2014 na edição 818
Reproduzido do Estado de S.Paulo/The New York Times, 29/9/2014, tradução de Augusto Calil

Mais do que todos os outros investidores, o Yahoo deveria ter se beneficiado com a estreia do gigante chinês do comércio eletrônico, Alibaba, no mercado de ações há dez dias. A empresa vendeu papéis do Alibaba avaliados em US$ 6 bilhões após o pagamento de impostos, e o restante de sua participação é avaliado em US$ 3 bilhões.

Mas, desde então, as ações do Yahoo tiveram desvalorização de mais de 8%, destacando a encruzilhada difícil que agora está diante da empresa e de sua diretora executiva, Marissa Mayer.

O Yahoo poderia usar o dinheiro da venda de ações do Alibaba para dar início a uma rodada de aquisições que poderia ajudar a companhia a se reinventar e recuperar a relevância.

Mas muitos investidores e analistas ficaram pouco impressionados com as tentativas anteriores de compras, incluindo o investimento de US$ 1,1 bilhão da rede de blogs Tumblr, que proporcionou poucos ganhos óbvios. Agora, os acionistas inquietos pedem para receber a maior parte do dinheiro obtido com a venda de ações do Alibaba, potencialmente limitando a capacidade de Marissa de colocar em prática planos de aquisições.

Sarah Meron, porta-voz do Yahoo, não quis comentar a estratégia de aquisições da empresa nem os planos para as ações restantes do Alibaba no longo prazo, que a empresa prometeu conservar em seu portfólio por mais um ano, no mínimo.

Benefício indireto

A questão do destino do Yahoo só vai se tornar mais aguda nos próximos 12 meses. Antes do IPO do Alibaba, a única forma de os acionistas obterem uma forma de participação no site consistia em investir no Yahoo por causa da participação da empresa no grupo chinês. Mas, quando o público ganhou a possibilidade de comprar diretamente ações do Alibaba, a necessidade de usar o Yahoo num investimento indireto desapareceu.

Ainda assim, a participação do Yahoo no Alibaba é o ativo mais valioso administrado por Marissa. Em seguida, há os 35% de participação em seu braço japonês, Yahoo Japan, com valor calculado em US$ 8 bilhões.

No fechamento do pregão de quinta-feira, o valor de mercado do Yahoo era de aproximadamente US$ 39 bilhões. Ao subtrairmos os impostos gerados pela venda das empresas asiáticas, o restante é avaliado em cerca de US$ 13 bilhões.

E esse restante ainda teria desafios pela frente, dizem os analistas. A empresa vem perdendo terreno constantemente em seus principais ramos de atuação, como a venda de espaços de publicidade e anúncios em buscas com a ascensão de rivais como Facebook, Twitter e sistemas automatizados de compra de anúncios. Seu serviço de e-mail ainda conta com quase 300 mil usuários, mas teve de entregar a coroa ao Gmail, do Google.

Um negociante do Vale do Silício descreveu a situação em termos sucintos: “Fundamentalmente, a empresa precisa ser remontada”.

A maneira mais fácil de fazer isso seria com novas aquisições, usando o dinheiro da venda das ações do Alibaba. A administração foi rápida e consistente ao anunciar que ao menos metade do dinheiro será distribuído entre os investidores, provavelmente sob a forma de uma recompra de ações.

Fora isso, os executivos têm sido discretos em relação aos planos para essa pilha de dinheiro. O uso mais óbvio seria numa rodada de aquisições, e os banqueiros estão preparando incontáveis propostas para alvos em potencial, incluindo o site de resenhas de estabelecimentos Yelp e a rede social Pinterest, de imensa popularidade.

“O tipo de publicidade do qual o Yahoo depende enfrenta desafios essenciais”, disse Jon Miller, ex-diretor executivo da AOL que hoje investe em empresas de tecnologia e mídia. “Mas comprar algo como o Pinterest pode dar boas chances no próximo ciclo.”

Mesmo que a Yahoo adquirisse muitos outros sites de grande visibilidade, isso pouco mudaria a percepção dos investidores, segundo a qual a empresa carece de uma visão de longo prazo que vá além de simplesmente colocar mais anúncios diante de mais olhos.

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Michael J. De La Merced, do New York Times

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