Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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‘A rede Ello é um negócio’

Por Rosa Jiménez Cano em 07/09/2014 na edição 819

Paul Budnitz se define como uma pessoa que gosta de criar coisas bonitas. Seu perfil se afasta muito das típicas histórias de sucesso noVale do Silício. Para começar, porque terminou a universidade e, embora tenha nascido na Califórnia, vive há 47 anos em Vermont. Depois, porque seu negócio não é o hardware, pelo contrário, centra-se em objetos reconhecíveis para dotá-los de novos designs com ar clássico. Daí ele ter criado uma firma de bicicletas tradicionais, cuja marca é o seu próprio sobrenome, e os brinquedos Kid Robot, com toque nostálgico e futurista.

Sua abordagem minimalista das redes sociais se concretiza no Ello. A rede social da moda, cujos convites são solicitados sem pudor noFacebook – vale tudo para entrar –, nasceu em março deste ano, mas sua decolagem só se tornou real na semana passada, quando o Facebook decidiu expulsar várias drag queens do seu serviço por não usarem seus nomes reais. Como reação e apoio, os simpatizantes da comunidade LGBT de São Francisco, nos Estados Unidos, se transferiram para o Ello, por considerá-lo um lugar muito mais limpo. Assim começou um sucesso que paralisou várias vezes seus servidores nos últimos dias.

O manifesto de fundação e o design com tipografias rudimentares e poucos ícones evidenciam uma estudada simplicidade. Budnitz explica no que consiste a sua proposta.

Pergunta. Como teve a ideia?

Resposta. Há um ano e meio, com Todd Berger e Lucian Fohr, da equipe da Berger & Fohr, nos juntamos e, conversando, percebemos que as redes sociais já não eram mais divertidas. Estavam infestadas de anúncios, posts inflados. Elas nos pareciam feias e desordenadas. Também achávamos horroroso que nossos posts fossem lidos e vendidos junto com nossos dados aos anunciantes.

Eles trouxeram alguns programadores amigos, do coletivo Modeset. Conseguiram fazer disso algo simples, bonito, sem anúncios e, sobretudo, uma rede social privada. Logo haverá milhares de pessoas querendo se inscrever. Por isso decidimos abri-la sob um modelo de convite, para que não saia do controle. Estamos surpresos com a resposta.

P. Quanto cresceu desde a estreia?

R. Não revelamos essa cifra, mas temos picos de 31.000 convites por hora.

P. Em que países encontra maior aceitação?

R. Realmente é um fenômeno global, mas, se tivermos que destacar algum lugar, muitíssimos vêm da Europa. Especialmente da Espanha, Portugal, Itália, Alemanha e Áustria. Como não guardamos os dados dos usuários, realmente não sabemos com exatidão onde vivem.

P. Parece muito estranho que saiam sem aplicativo para celulares…

R. É justamente nisso que estamos trabalhando, mas a versão web para celulares está pensada para funcionar em todo tipo de aparelho.

P. Qual é o seu modelo de negócio?

R. O Ello é um negócio. Assim como na App Store, as funções gerais são gratuitas e sempre serão. Por valores muito pequenos vamos vender funções especiais para os usuários acrescentarem ao seu perfil. Temos milhares de pedidos indicando coisas pelas quais as pessoas pagariam. Pagar alguns dólares é uma boa maneira de ajudar uma rede social que não se sustenta com anúncios.

P. Como tratam a privacidade?

R. Com cautela e pondo ao usuário como prioridade. É a primeira coisa em nossa lista de prioridades. Estamos trabalhando em novas opções, como bloquear [outros usuários], que estará pronta muito em breve.

Algumas particularidades do Ello

>> Níveis de afinidade: Pode ser elegido entre seguir a alguém ou lhe fazer amigo. Os amigos aparecerão na pestana principal. O resto, em “ruído”.

>> Sem limite ao publicar: Para publicar algo no perfil basta com introduzir informação em uma caixa dedicada ao efeito, não há um limite de carateres. Aceitam gifs, imagens em movimento. No entanto, não existe o conceito “gosto”, também não o “repost” de Tumblr ou retuit, para dar mais de difusão. A única maneira de interagir com o autor é mencionando-o como em Twitter, com uma arroba antes de seu nome de usuário.

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Rosa Jiménez Cano, do El País, em São Francisco

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