Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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O ‘dr. Facebook’ está a caminho

Por Christina Farr e Alexei Oreskovic em 07/09/2014 na edição 819

O Facebook já sabe quem são seus amigos e o tipo de coisas que chamam sua atenção. Em breve, a companhia também poderá saber sobre seu estado de sua saúde. Nos calcanhares de outras empresas de tecnologia no Vale do Silício, como a Apple e o Google, o Facebook está detalhando seus primeiros passos no fértil campo dos cuidados com a saúde, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto. As pessoas pediram anonimato, pois os planos ainda estão em desenvolvimento.

A empresa está explorando a possibilidade de criar comunidades “de apoio” na internet para interconectar usuários do Facebook afetados por várias doenças. Uma pequena equipe também considera novos aplicativos de “cuidados preventivos” capazes de ajudar as pessoas a melhorarem seus estilos de vida.

Nos últimos meses, disseram as fontes, a gigante em redes sociais vem realizando reuniões com especialistas e empresários do setor médico e está montando uma unidade de pesquisa e desenvolvimento para testar novos aplicativos com informações de saúde. O Facebook ainda está na fase de coleta de ideias, disseram essas pessoas.

O setor de saúde tem sido historicamente uma área de interesse do Facebook, mas ficou em segundo plano diante de produtos mais prementes. Recentemente, os executivos do Facebook perceberam que a saúde pode funcionar como uma ferramenta para aumentar o envolvimento [das pessoas] com o site. Um catalisador: o inesperado sucesso do Facebook com “a iniciativa de status doador de órgãos”, criada em 2012. No mesmo dia em que o Facebook modificou as páginas de perfis para permitir que participantes [da rede social] especificassem sua disponibilidade como doadores do órgãos, 13.054 pessoas inscreveram-se via internet para ser doadoras nos EUA, um aumento de 21 vezes em relação à média diária de 616 inscrições, segundo estudo de junho de 2013 publicado no “American Journal of Transplantation”.

Por outro lado, as equipes de produtos do Facebook notaram que pessoas com doenças crônicas, como diabetes, tenderiam a acessar a rede social para obter aconselhamento, disse um ex-integrante do Facebook. Além disso, a proliferação de redes de pacientes como a do PatientsLikeMe demonstram que as pessoas estão cada vez mais confortáveis em compartilhar informações sobre sintomas e experiências de tratamento na internet.

Moderador ou curador?

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, poderá intensificar seu envolvimento pessoal na área da saúde. Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan, residente no departamento de pediatria da Universidade da Califórnia, em San Francisco, doou recentemente US$ 5 milhões ao Centro de Saúde Ravenswood em East Palo Alto. Qualquer tipo de publicidade em torno de iniciativas de saúde estariam no alvo, como poderia ocorrer na televisão ou em outros meios de comunicação. As empresas farmacêuticas são proibidas, por exemplo, de usar o Facebook para incentivar a venda de medicamentos, em parte devido a preocupações envolvendo direitos a privacidade.

Preocupações com a privacidade, uma área em que a empresa tem enfrentado críticas consideráveis ao longo dos anos, vão provavelmente revelar-se problemáticas. Nesta semana, a empresa pediu desculpas a usuários por manipular fluxos de notícias para fins de pesquisas. Mas o Facebook talvez já tenha algumas ideias para amenizar preocupações com questões de privacidade em torno de suas iniciativas em saúde. A empresa estuda lançar seu primeiro aplicativo de saúde discretamente e com um nome diferente, disse uma pessoa.

Pesquisas de mercado encomendadas pelo Facebook descobriram que muitos de seus usuários não sabiam que o Facebook é dono do serviço de fotos Instagram, disse a fonte. O recente relaxamento da política do Facebook que exigia que os usuários usassem seus nomes reais também poderá reforçar os planos da empresa no setor de saúde.

Pessoas com doenças crônicas podem preferir usar um pseudônimo ao compartilhar suas experiências de saúde. “É razoável imaginar o Facebook conquistando um público interessado em estilo de vida e bem-estar, mas pacientes realmente doentes, com doenças como câncer, não estão aí para brincar”, disse Frank Williams, executivo-chefe da Evolent Health, empresa fornecedora de software e serviços para médicos e sistemas de saúde. As pessoas necessitariam anonimato e uma garantia de que seus dados e comentários não seriam compartilhados com seus contatos, anunciantes ou empresas farmacêuticas on-line, disse Williams.

Ainda não está claro se o Facebook funcionará como moderador ou como curador do conteúdo compartilhado nas comunidades de apoio mútuo ou se trará médicos especialistas externos para proporcionar contexto. O Facebook não quis comentar sobre seus planos na área de saúde.

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Christina Farr e Alexei Oreskovic, da Reuters

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