Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Até onde vai a iPhonemania?

Por Economist.com em 28/10/2014 na edição 822

Quem disse que os smartphones já passaram do se auge? Não parece ser isso que ocorre na fatia superior do mercado. A Apple surpreendeu até os otimistas quando anunciou no dia 20 de outubro que tinha vendido um número recorde de 39 milhões de iPhones no quatro trimestre do ano contábil da empresa. 

A demanda pelos dois novos dispositivos da Apple, iPhone 6 e o modelo maior, iPhone 6 Plus, ambos lançados no mês passado, ajuda a explicar por que a Apple teve lucros tão expressivos no trimestre passado. A empresa registrou receita superior a US$ 41 bilhões, superando em US$ 2 bilhões as expectativas dos analistas. 

A renda líquida da Apple chegou a US$ 8,5 bilhões, cerca de US$ 1 bilhão a mais do que no mesmo período do ano passado. A renda por ação teve alta ainda mais acentuada, de US$ 1,18 para US$ 1,42, por causa do grande programa de recompra de ações da empresa.

Os resultados da Apple são ainda mais brilhantes porque as rivais estão apresentando desempenho aquém da expectativa no momento. No início do mês, a Samsung Electronics, principal concorrente da Apple nos smartphones, alertou que seu lucro operacional no terceiro trimestre seria inferior à metade daquele registrado no mesmo período do ano anterior. 

Velocidade reduzida

Na semana passada [retrasada] o Google anunciou que tinha ficado aquém das previsões. E, poucas horas antes da divulgação dos resultados da Apple, a IBM apresentou números decepcionantes: o lucro operacional da empresa no terceiro trimestre fiscal teve queda de 10%, resultado bem abaixo das estimativas dos analistas.

A única má notícia nos resultados da Apple foi uma queda nas vendas de iPads. A empresa vendeu 12,3 milhões de dispositivos do tipo no trimestre passado, uma queda em relação aos 14 milhões registrados no mesmo período do ano passado, dando sequência a uma tendência iniciada no começo de 2013. Isso pode mudar no próximo trimestre, pois na semana passada a Apple lançou modelos mais leves e mais baratos do iPad. 

Mas a queda pode ser indício de que os tablets estão ficando espremidos pelos smartphones, que estão cada vez maiores, e os laptops, cada vez mais leves. Além disso, muitos usuários parecem tratar seus tablets como pouco mais do que um televisor, o que significa que não o substituem com frequência. Quase metade dos iPads em uso são os modelos originais lançados anos atrás.

A outra grande questão é se a Apple é capaz de continuar vendendo ainda mais iPhones. Como ponto positivo, os novos iPhones acabam de começar a ser vendidos na China, onde os dispositivos são muito populares. 

Por outro lado, alguns analistas dizem que muitos dos iPhone 6 vendidos eram do modelo maior – uma parte do mercado que a Apple tinha ignorado até recentemente. 

E o crescimento do mercado total de smartphones está perdendo velocidade; em mercados maduros como a Grã-Bretanha, observa-se até um encolhimento. Seja como for, o mais recente trimestre da Apple mostra que, apesar do seu tamanho, a empresa não perdeu sua capacidade de surpreender.

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