Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Crime digital é cada vez mais organizado

Por Gustavo Brigatto em 25/11/2014 na edição 826
Reproduzido do Valor Econômico, 19/11/2014; intertítulo do OI

Para ter um cartão de crédito com limite de R$ 8 mil, um brasileiro precisa ter um salário considerável e um bom histórico de pagamentos. Mas no submundo da internet brasileira, com R$ 350 é possível comprar de criminosos digitais um número de cartão de crédito com esse limite. Para um limite de R$ 1 mil, os criminosos cobram R$ 90. Os dados são de um levantamento feito pela empresa de segurança Trend Micro.

Como em um setor estruturado da economia, a oferta de produtos e serviços é ampla. “Basicamente, tudo que for informação digital pode ser comprado”, disse Miguel Macedo, diretor de marketing da Trend Micro, ao Valor. Estão à venda contas de usuários em sites e serviços como PagSeguro, Mercado Livre e eBay; listas de telefones; programas para dar golpes na internet e até cursos que ensinam como praticar os golpes. Segundo a Trend Micro, o Brasil é o único país onde os criminosos oferecem treinamentos a seus clientes. Dependendo do “produto”, os criminosos cobram de R$ 25 a R$ 3 mil. O pagamento pode ser feito por depósito em conta corrente, transferência em conta do PayPal ou usando a moeda virtual bitcoin.

Alguns itens chegam a ser oferecidos de graça, como forma de atrair as pessoas para outras ferramentas que ajudam a cometer crimes, essas pagas. “Programas que geram números aleatórios de cartão de crédito [portanto, sem garantia de limite de crédito] não são vendidos. O que os criminosos fazem é vender a lista de sites de comércio eletrônico que têm um nível de segurança mais baixo e aceitam esses números”, disse Macedo. Segundo ele, os criminosos também criam pacotes promocionais que são vendidos com desconto. Na lista dos mais vendidos estão os números de cartão de crédito e os endereços de e-mail para envio de spam.

Bom senso

O acesso a essas informações é muito fácil. Ao contrário do que ocorre na Rússia e na China, onde os criminosos trocam informações de forma mais velada, usando sistemas específicos e acessando a chamada Deep Web – a porção pouco visível e mais nefasta da rede –, no Brasil as ofertas estão escancaradas em redes sociais como YouTube, Facebook e Twitter. “Esse comércio avança muito rápido e qualquer um que acompanhe um pouco o mundo de tecnologia consegue achar os vendedores”, disse Machado.

Fechar negócio com eles, no entanto, pode não ser uma tarefa simples. Em testes feitos pela Trend, quando o comprador em potencial apresentava um nível de conhecimento mais avançado, os criminosos desistiam da conversa. Outra característica, segundo o executivo, é que os vendedores geralmente não usam as informações para cometer crimes na tentativa de se proteger.

A Trend Micro fechou um acordo com a Interpol e o governo brasileiro para denunciar crimes descobertos na rede. Para o internauta comum, como forma de evitar problemas, o executivo ressaltou a necessidade de usar programas de segurança e o bom senso, evitando abrir links desconhecidos.

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Gustavo Brigatto, do Valor Econômico

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