Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

E-NOTíCIAS > ENTREVISTA / EDWARD SNOWDEN

O mercado negro de dados sobre brechas em sistemas

Por ‘OG’ em 13/01/2015 na edição 833
Reproduzido do Globo.com, 9/1/2015; título original “Snowden: Políticas dos EUA criam mercado negro de dados sobre brechas em sistemas”

Edward Snowden disse em entrevista ao programa NOVA Next, da PBS, que o governo dos Estados Unidos erradamente promove estratégias de ciberataques às custas do enfraquecimento do sistema, deixando-o aberto a ofensivas provenientes do mercado negro, diz o “TechCrunch”.

“Estamos criando uma classe de pesquisadores de segurança na rede que pesquisam vulnerabilidades, mas, em seguida, em vez de revelá-las para os fabricantes de dispositivos para que sejam consertadas e para nos dar mais segurança, eles as vendem a agências secretas”, disse Snowden.

 “Ou vendem-nas no mercado negro para grupos criminosos que se tornam aptos a explorar tais brechas para atacar alvos. Isso nos deixa muito menos seguros, não apenas em nível individual, mas também em amplo nível social; em amplo nível econômico. Além disso, isso cria um novo mercado negro de armas de computador, basicamente armas digitais”, explica.

Snowden aponta que os próprios painéis de revisão independentes da Casa Branca têm mostrado que nenhum programa impediu sozinho um iminente ataque terrorista contra os Estados Unidos. Ele não acredita que o público esteja ciente do quão desastrosos poderiam ser os efeitos negativos dessas políticas e questiona o valor de tais programas que “deixam nossas próprias informações vulneráveis”.

Snowden também aponta que outros países, como o Irã, estão à frente dos EUA na percepção do problema:

“Mas é importante ressaltar que nós mesmos, dos EUA, começamos esta tendência, em muitos aspectos, quando lançamos a campanha do Stuxnet contra o programa nuclear iraniano. Ela na verdade deu início a uma resposta, uma ação de retaliação do Irã, quando o país percebeu que tinha sido apanhado desprevenido. Na ocasião, o Irã estava muito atrás da curva tecnológica, em comparação com os Estados Unidos e muitos outros países. E isso está acontecendo em todo o mundo hoje em dia, quando um país percebe que foi apanhado. Eles são vulneráveis. Eles não têm capacidade para retaliar a qualquer tipo de campanha cibernética contra eles”.

EUA têm mais a perder

“Gastamos muito mais em pesquisa e desenvolvimento, em comparação com o resto do mundo. Assim, quando se trata de nossa segurança cibernética, nós temos mais a perder do que qualquer outra nação na Terra”, diz Snowden, referindo-se aos EUA.

Snowden disse que não queria supervalorizar o problema, “Ninguém vai pressionar uma tecla no teclado e derrubar o governo”. Mas enfatizou que as ameaças de governos estrangeiros são reais e que os EUA devem se concentrar mais na defesa de sua própria informação do que em focar em outros.

Quando foi entrevistado pelo NOVA Next, Snowden estava na Rússia, país onde vive desde que liberou documentos que comprovam que os EUA espionaram seus próprios cidadãos através de várias empresas de tecnologia.

Ele é procurado pelos EUA com acusações criminais por roubo e uso indevido de informações classificadas. Snowden contrariou previsões do ex-diretor da CIA, Michael Hayden, dando conta que ele acabaria se tornando um bêbado triste e miserável na Rússia. Snowden disse que só bebe água e que o país é realmente ótimo. “Sim, eu sei. É uma loucura “, disse ao entrevistador James Bamford.

A transcrição completa da entrevista pode ser lida (em inglês) no site http://goo.gl/JUPxzY.

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