Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

E-NOTíCIAS > SMARTPHONE

O verdadeiro computador pessoal

Por ‘The Economist’ em 10/03/2015 na edição 841
Reproduzido do Estado de S.Paulo/The Economist, 3/3/2015; tradução de Anna Capovilla e Celso Paciornik

Há 2 bilhões de pessoas em todo o mundo usando smartphones que têm uma conexão de internet e uma tela de comando por toque ou algo assim como interface. No fim da década, esse número provavelmente dobrará para pouco mais de 4 bilhões, segundo Benedict Evans, da Andreessen Horowitz, uma empresa de capital de risco. Já enormemente atrativo – cerca de 500 milhões serão vendidos na China este ano – os smartphones estão ficando mais úteis na ponta superior e muito mais baratos na inferior.

A marca mais popular na Índia, Micromax, vende modelos básicos por menos de US$ 40. Uma vez estabelecidos os telefones num mercado, a expectativa de que cada pessoa terá um – o que Rich Ling, da Nanyang Technological University, em Cingapura, chama de a “lógica móvel” – os empurra até para mãos inicialmente relutantes, tornando-se onipresentes.

O sucesso não é uma história de telefones apenas. De 2009 a 2013, a indústria móvel investiu US$ 1,8 trilhão para melhorar sua infraestrutura em todo o mundo, segundo o Boston Consulting Group. As velocidades de download aumentaram num fator de 12 mil vezes e as taxas de dados caíram para alguns centavos de dólar por megabyte (ver tabela). Junto com Wi-Fi em casas e escritórios, isso viabilizou adicionar ao poder de computação dos telefones o de centros de processamento de dados muito distantes. A Amazon Web Services, maior provedora mundial dessa computação em nuvem, diz que agora está adicionando por dia a mesma capacidade de servidor que sua controladora de e-commerce necessitava para operar toda sua infraestrutura global há dez anos.

Em 2020, algo próximo de 80% dos adultos possuirão um smartphone conectado a este notável recurso global. Se forem como os europeus e americanos de hoje, que estão liderando nesses assuntos, eles os usarão por cerca de duas horas por dia. E se forem como os adolescentes europeus e americanos de hoje, usarão mais do que isso. A ideia de que o lugar natural para encontrar um computador é uma escrivaninha – para não falar antes disso, um porão – ficará no passado.

Como o livro, o relógio e o motor de combustão interna antes dele, o smartphone está mudando a maneira como as pessoas se relacionam entre si e com o mundo que as cerca. Ao tornar o mundo online mais relevante, e mais aplicável a cada tarefa, desde ir de A para B até encontrar um(a) parceiro(a), vigiar uma criança, verificar o termostato, o produto está acrescentando toda sorte de conveniências.

Um mundo mais fluido

Além da conveniência, porém, um computador que está sempre com você remove muitas limitações anteriores ao que pode ser feito, quando e onde, e destrói velhas certezas sobre o que era o que, e quem era quem. Distinções que eram anteriormente claras – as diferenças entre um produto e um serviço, entre um dono de carro e um motorista de táxi, entre uma praça de cidade e um movimento político – se confundem. O mundo está ficando mais fluido.

Essas mudanças e as ferramentas que as impulsionam reorientaram o foco da indústria de computadores. Graças sobretudo ao iPhone, a Apple – há não muito tempo uma fabricante de desktops e laptops de nicho – hoje vale mais do que qualquer outra companhia do mundo e acabou de ter o trimestre mais lucrativo da história. Benedict Evans afirma que suas receitas são hoje maiores do que as de todo o ramo de computadores pessoais (PC). A Xiaomi, uma fabricante chinesa de smartphones em rápido crescimento, tornou-se a startup mais valiosa do mundo. O smartphone tornou-se um produto-chave da tecnologia da informação. Ele gera a maioria dos lucros, atrai a maior parte do capital e os cérebros mais brilhantes.

A App Store, da Apple, e o Google Play, o equivalente para o sistema operacional Android – que está presente em 82% dos smartphones mundiais, ante 15% da Apple – agora oferecem mais de 3 milhões de aplicativos aos usuários. A Apple sozinha vendeu apps num valor acima de US$ 14 bilhões em 2014.

Telefones que começam idênticos – muito mais, por exemplo, do que carros – podem ser customizados para atender a uma gama quase infinita de necessidades e entusiasmos. A Cry Translator pretende interpretar o humor de seu bebê; a Run Pee lhe diz qual é o melhor momento de uma parada para o banheiro em qualquer filme (e lhe informa o que você perdeu).

O fato de que eles podem ver e ouvir, que eles sabem onde estão e com que velocidade estão sendo movidos, e podem sentir ou inferir toda sorte de outras ocorrências, aumenta as vantagens que os smartphones têm sobre as caixas pousadas sobre escrivaninhas. Quando sai o próximo ônibus? De que música é aquela melodia vagamente conhecida? Quando custaria aquele produto com código de barra em outro local? Aquilo é realmente cavalo no menu? A combinação de dados locais e computação em nuvem responde perguntas em qualquer circunstância que o usuário possa se encontrar.

Além de permitir que as pessoas façam cada vez mais coisas em seus telefones, os apps lhes permitem fazer cada vez mais coisas fora de seus telefones também. Se alguma coisa pode ser conectada à internet – seja ela uma porta ou uma geladeira ou um termostato –, pode ser acessada por um app. O telefone é fundamental, portanto, para o sucesso da “internet de coisas”.

Produtos da tecnologia vestível – monitores de desempenho físico, relógios inteligentes, câmeras clip-on etc. – trabalharão principalmente por meio do telefone das pessoas que os utilizam. Em parte isso ocorre porque dar aos vestíveis conexões sem fio de curta distância com um telefone em vez de sua própria conexão com a internet significa que eles podem ser construídos com baterias menores e circuitos mais simples. Em parte é porque o telefone já é uma grande maneira de ler, captar e atuar em toda sorte de dados. O telefone pode ser transformado num controle remoto para quase tudo: você pode adicionar um app de apito para cães para enviar comandos a seu bichinho de estimação.

Verifique o número, por favor

A mais famosa empresa baseada em app, a Uber, é avaliada em US$ 41 bilhões pelo sucesso que teve em transformar o smartphone num controle remoto para táxis. O smartphone proporciona às duas categorias de usuários da companhia – motoristas e passageiros – o controle de que elas precisam. E ele dá aos algoritmos da companhia os dados que eles precisam, das posições de carros a feedbacks do cliente.

Provedores de serviços similares estão usando smartphones para reequipar a logística local. Ao longo dos anos, muitas empresas tentaram transformar a entrega de compras de supermercados e de outros produtos em um grande negócio. A geração mais recente provavelmente será mais bem-sucedida graças aos smartphones, que poderão acionar compradores pessoais prontos para entrar em ação caso alguma coisa precise ser apanhada. O Instacart, um dos maiores desses serviços, tem contratos com mais de 4 mil delas em 15 cidades americanas. Ele passou de uma receita de US$ 1 milhão, em 2012, para US$ 100 milhões, no ano passado. Esses modelos de negócio têm os seus críticos; a maneira como esse “Plataform-Kapitalismus” integra vidas e meios de vidas cada vez mais completamente numa rede de transações no mercado é uma preocupação crescente da esquerda europeia.

Os novos negócios que os smartphones e apps permitem não estão apenas estendendo a internet; também a estão remodelando de uma maneira que alguns de seus cidadãos atuais podem achar difícil de conviver. Uma razão pela qual o Google entrou no mundo dos smartphones com a aquisição e o desenvolvimento do Android foi adaptar seu negócio a um mundo de smartphones dominado por outra empresa. Quando pessoas acessam a internet com apps num telefone e não com um navegador num PC, elas a experimentam de uma maneira diferente. A internet parece muito menos um conjunto de páginas conectadas, e isso cria um negócio que depende de ajudar pessoas a encontrar a página que elas querem – e ver anúncios no processo – parecer menos atraente. Os usuários de smartphones compram coisas principalmente via apps, e não mediante buscas ou anúncios.

Se a mudança para o mundo telefônico foi um desafio para companhias nascidas na web – embora o Facebook ofereça um exemplo de sucesso – pode ser ainda mais difícil para companhias que tiveram de se adaptar à web. As empresas de mídia costumavam depender de seus usuários visitarem seus sites (embora conseguir que eles pagassem por isso sempre foi espinhoso). Mas as pessoas agora estão descobrindo coisas que elas querem ler ou assistir via Facebook, Twitter e, cada vez mais, serviços de mensagem. O Snapchat, que é extremamente popular entre adolescentes porque lhes permite enviar fotos que desaparecem após alguns segundos, introduziu recentemente um serviço chamado Discover.

Ele oferece artigos e vídeos de CNN, National Geographic e outros, que desaparecem após 24 horas. Algumas publicações já concluíram que os websites já tiveram seu tempo e agora estão planejando distribuir seus produtos diretamente apenas.

Outras rupturas são mais pessoais. Como postula Eric Topol em seu livro recente The Patient Will See You Now (O Paciente O Verá em Seguida, em tradução livre), a relação entre um médico e um paciente é outra coisa que se torna mais fluida na era do telefone. Os smartphones com os sensores apropriados podem coletar dados medicamente relevantes, da temperatura corporal aos níveis de glicose no sangue. Eles podem enviar fotos de lesões e até servir de otoscópio (para exames de ouvido) e outros tipos de instrumentos médicos. Topol, um cardiologista e diretor do Scripps Translational Science Institute, prevê que isso dará origem a “pacientes inteligentes”, capazes de conversar com o médico em melhores condições de igualdade.

As conveniências menos profissionais também estão mudando. As redes sociais muito locais, fluidas e orientadas para a ação possibilitadas por apps como Tinder e Grindr estão abalando os encontros amorosos. No Tinder, os usuários postam uma foto e um curto perfil e aí recebem as fotos de outros usuários próximos. Se gostarem do que veem, eles deslizam a foto para a direita – se não, para a esquerda. Se dois usuários deslizam para a direita, eles começam a conversar pelo serviço de mensagem do Tinder e vão em frente com a “relação”. Com menos de três anos de vida, o serviço é usado por mais de 30 milhões de pessoas por dia, o que significa cerca de 1 bilhão de deslizamentos de fotos, acarretando 13 milhões de encontros.

O comportamento e a etiqueta sociais já se adaptaram a novas tecnologias no passado: eles o farão de novo. No nível inconsciente do hábito os smartphones já estão estranhamente integrados nas vidas das pessoas. Circunstâncias espaciais particulares – entrar num elevador ou num trem, por exemplo – podem confiavelmente provocar uma verificação da tela. Um efeito similar em banheiros teria sido a razão porque a Samsung começou a fazer mais modelos à prova d’água.

Uma sensação estranha

Proteger usuários pode não ser tão fácil quanto proteger seus telefones. Fisioterapeutas advertem para o “pescoço de texto”; diferentemente do Ood, os humanos evoluíram para manter seus cérebros equilibrados no topo de suas colunas espinhais, e a curvatura constante para frente provoca estresse e tensão. Alguns psicólogos advertem para o perigo de descambar do hábito para o vício. Eles não estão advertindo apenas sobre apps de jogos, mas, de maneira mais geral, como a checagem de um telefone, como o jogo, é a busca de uma recompensa elusiva em que cada desapontamento reforça o desejo de tentar novamente. David Greenfield, um sociólogo e fundador do Centre for Internet and Technology Addiction, os chama de “as menores máquinas caça-níqueis do mundo”.

Os adolescentes, cujo tempo em telefones faz sombra ao de seus pais, estão desenvolvendo uma vida social em que as formas de contato face a face e digital são usadas de maneira intercambiável e, com frequência, simultânea. Manuel Castells, da Universidade do Sul da Califórnia, fala de suas vidas baseadas no telefone operando num “tempo atemporal” em que atividades e conversas ocorrem em paralelo ou mesmo retroativamente (quando as vidas das pessoas vêm com linhas do tempo, é uma experiência comum descobrir o que elas disseram primeiro somente depois de saber o que elas disseram em seguida).

Essa fluidez se coaduna com outras noções dos efeitos que a computação verdadeiramente pessoal dos smartphones poderia ter. Os relógios mecânicos permitiram que os dias da revolução industrial fossem regularizados de novas maneiras; os carros mudaram o panorama e ampliaram a geografia das vidas das pessoas; o livro impresso tornou o conhecimento humano mais acessível, mais facilmente construído e mais completamente examinável, fixando-o em livros encadernados em estantes. Em seus atuais – e ainda primeiros – tempos, o telefone parece permitir um relaxamento da arregimentação primitiva. Ele encoraja mais o aluguel do que a compra e a coordenação das coisas em andamento, e não com antecedência.

Manifestações políticas recentes aproveitaram a nova fluidez. Os smartphones não causaram levantes ou revoluções, mas afetaram sua dinâmica: mobilizar se tornou muito mais barato, a organização centralizada menos necessária. Durante protestos recentes em Ferguson, um subúrbio de Saint Louis, Missouri, e Hong Kong, apps de mensagem foram usados para coordenar atividades no terreno em tempo real.

Um sentido fixo de lugar ainda significou muito para esses movimentos – vejam-se os casos da Maidan, em Kiev, da Praça Tahrir, no Cairo, do Parque Zuccotti, em Nova York, da Praça Cívica, em Hong Kong. A metonímia dos movimentos de protesto desse tipo reflete a maneira como o espaço físico está se tornando “uma função do mundo virtual”, nas palavras de Thomas Sevcik, da Arthesia, que fornece consultoria a administrações urbanas. A reconfiguração dos espaços públicos como plataformas políticas reflete a maneira que a finalidade dos lugares públicos, sejam eles estradas ou salas ou edifícios, agora depende menos de onde eles estão e para o que foram destinados, e mais ao que está sendo feito com as telas que eles contêm ou que as pessoas trouxeram para eles.

Essas mudanças se mostrarão fascinantes para cientistas sociais, para alguns dos quais o smartphone se tornou tanto um telescópio quanto um microscópio, permitindo-lhes observar fenômenos sociais mais precisamente e numa escala maior do que nunca. Otimistas, como Alex Pentland, do Media Lab do MIT, argumentam que as vastas quantidades de dados que os telefones fornecem poderiam sustentar uma “física social” nova, profética. Esta nova ciência poderia ser capaz de modelar e, com isso, ajudar a mitigar muitos problemas mundiais, de epidemias à violência (e também as epidemias de violência).

Os bons tempos mal começaram. Entretanto, para os pessimistas, os smartphones são versões miniaturizadas das telas de TV de 1984, de George Orwell, instrumentos onipresentes que permitem que a polícia do pensamento identifique os inimigos do Estado. Os serviços de segurança nas democracias mostram um profundo interesse na capacidade de destrinchar o maior número possível de smartphones. Nas autocracias, indubitavelmente estarão fazendo o mesmo. Em todo o mundo, as pessoas correm para comprar máquinas por meio das quais podem ser monitoradas num grau de intimidade anteriormente impossível – monitoradas pelo Estado, pelas companhias às quais confiam seus dados, pelos piratas que roubam suas informações e pelos colegas que se limitam a olhar o que foi postado.

A mídia social, que funciona graças aos celulares, os serviços de mensagens e outros aplicativos, já tornam a vida das pessoas mais públicas. Os hackers que penetram na nuvem expõem partes da vida das pessoas baseadas no celular que gostariam de manter em sigilo. As democracias poderão achar soluções aceitáveis para alguns dos problemas apresentados. Pentland pede um “novo acordo sobre dados”, o que incluiria conceder aos indivíduos claros poderes sobre seus dados pessoais e permitir que eles tenham um melhor controle do uso das informações.

Em The Black Box Society, Frank Pasquale, da Universidade de Maryland, defende uma maior transparência no uso dos dados por parte dos governos e das companhias – e limites ao seu emprego.

Alguns problemas têm soluções técnicas. A Califórnia agora afirma que os smartphones dispõem de kill switches – que permitem aos proprietários trancar seus aparelhos à distância no caso de serem roubados, reduzindo assim seu valor para os ladrões e protegendo os dados aos quais eles costumam ter acesso. As versões mais recentes do iOS, da Apple, e do Android, do Google, codificam imediatamente os dados nos smartphones de uma maneira que somente o usuário consegue decodificar.

A questão mais fundamental a respeito do universo fluido dos smartphones talvez seja se os atuais contribuirão para unir as pessoas, em geral, ou se as dividirão. Os usuários de trens e ônibus que não desgrudam os olhos da telinha durante a viagem parecem até mais isolados uns dos outros do que costumavam ser. Um videoclipe de 2013 sobre segurança a bordo de um trem de São Francisco mostrava vários passageiros que não tomavam conhecimento de um homem que brincava com uma pistola até que ele disparou em alguém. O título de um livro de Sherry Turkle, do MIT, resume um fenômeno real: Alone Together – Why We Expect More From Technology and Less From Each Other (Sozinhos juntos – Por que Esperamos Mais da Tecnologia e Menos uns dos outros, em tradução livre).

E, de novo, os aparelhos realmente aproximam mais as pessoas. Eles o fazem casualmente, assegurando que haja sempre alguém com quem se possa jogar, ou conectar-se. Eles o fazem comercialmente, juntando as pessoas que precisam de empregos a pessoas que os procuram e pessoas com produtos para vender a pessoas que querem comprar. E o fazem de maneira impessoal, como os selfies das celebridades enviados para números gigantescos de seguidores, e o fazem intimamente, com uma conversa quase constante entre membros da família e com vínculos eternos com amigos que, não fosse isso, se perderiam.

Eles podem fazê-lo de uma forma que permita às pessoas excluir vozes que as contestam; podem fazê-lo de forma indescritivelmente banal. Podem fazê-lo de maneira diferente de acordo com a idade e o gênero – algumas pesquisas sugerem que, pelo menos em algumas culturas, as mulheres usam os celulares para enriquecer e fortalecer seus vínculos sociais, compartilhando fotos e coisas afins, enquanto os homens os usam para criar novos vínculos, mais fracos, baseados em interesses comuns. Mas em todo caso o fazem.

A nova tendência da computação para a fluidez significará, com toda probabilidade, que a forma atual do celular não durará para sempre. Os telefones computadores realmente pessoais – aqueles que se adaptam ao seu ambiente e vice-versa – seguramente persistirão. As pessoas viverão em perpétuo contato recíproco e com o poder computacional da nuvem.

Os seres Ood, é preciso lembrar, não tinham apenas dois cérebros, um na cabeça e o outro na mão – tinha também um terceiro, planetário, compartilhado telepaticamente por todos. Talvez seja para um mundo como este, com celulares na mão, no bolso e na carteira, que a humanidade se encaminha.

******

Copyright 2015 The Economist Newspaper Limited. Direitos reservados, publicado sob licença. O texto original em inglês está em www.economist.com

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem