Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

E-NOTíCIAS > ENTREVISTA / VINT CERF

‘Ser conectado é parte de uma evolução social’

Por Isabel De Luca em 31/03/2015 na edição 844
Reproduzido do Globo.com, 29/3/2015

Considerado o “pai da internet”, Vint Cerf afirma que estar conectado é parte de uma evolução social. Mas ele reconhece que a distração causada pelo uso excessivo se smartphones pode ser prejudicial.

As pessoas usam o celular para despertar, responder e-mails, usar redes sociais, jogar videogame e até fazer chamadas telefônicas. Antes de dormir, a última coisa que fazem é checar as notificações. Existe um uso excessivo da tecnologia?

Vint Cerf – Estamos vendo a transição de uma tecnologia para outra. Há duas décadas, você leria livros em papel e checaria as mensagens na secretária eletrônica. O fato de estarmos usando mais os dispositivos computacionais é um sinal que eles são mais flexíveis que seus homólogos de propósito único. O seu celular também é uma câmera, acessa e-mails e redes sociais, funciona até como lanterna e controle remoto. Penso, no entanto, que, porque nós carregamos nossos celulares durante todo o dia, nos permitimos nos distrair do presente de formas que podem ser socialmente prejudiciais. Então, você está certo por estar um pouco preocupado.

Com os smartphones, estamos sempre conectados, trabalhando o tempo inteiro, como máquinas. Não precisamos desconectar um pouco?

V.C. – É um bom conselho, mas não acho que isso seja possível. Esperamos por respostas instantâneas e nossos contatos ficam agitados e preocupados quando não recebem respostas imediatas. É parte de uma evolução social e cultural que temos que reconhecer, e, talvez, tentar reverter.

Hoje, existem os tablets, smartphonese computadores, mas amanhã serão os smartwatches, roupas inteligentes, carros e casas conectadas. Será possível se afastar da tecnologia?

V.C. – Pode ser que, eventualmente, parte desta tecnologia seja menos intrusiva. Um colega, Mark Weiser, falava sobre a “computação ubíqua”, em que computadores e redes desaparecem da vista, mas fazem parte do ambiente. Eu acho que, em certa medida, nós podemos esperar que nossas casas inteligentes sejam menos intrusivas. Elas vão se adaptar às nossas necessidades sem o nosso envolvimento consciente. Os carros autônomos, quando chegarmos lá, terão essa mesma característica.

Por outro lado, a tecnologia torna o trabalho mais eficiente. Podemos fazer mais em menos tempo por causa desses dispositivos. Por que não temos mais tempo livre?

V.C. – Essa é uma boa pergunta! O que está acontecendo é que essas tecnologias também estão oferecendo formas inteiramente novas para entreter e consumir tempo (pense em Twitter, Facebook, Netflix, YouTube e o sempre presente e-mail). As mesmas ferramentas que nos permitem fazer mais em uma unidade de tempo também consomem o tempo que economizamos!

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Isabel De Luca, do Globo

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