Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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E-NOTíCIAS > NASSIF vs. VEJA

A Abril nos tribunais

Por Guilherme Scalzilli em 04/03/2008 na edição 475

O jornalista Luís Nassif está mobilizando a blogosfera com seu dossiê Veja, série de artigos que denunciam o antijornalismo praticado pela revista nos últimos anos. Envolve interesses corporativos, destruição de reputações, tráfico de influência. Desmascara a diretoria editorial da revista e, principalmente, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Trata-se de estudo avassalador, embora não surpreendente, que precisa ser lido e divulgado.

O material já causou estragos. A Veja esboça uma ligeira mudança de tom nas suas edições semanais e há suspeitas de que ela tem obstruído as ferramentas de busca eletrônica aos conteúdos de matérias e postagens antigas – especialmente as que corroborariam as denúncias. A revista processa Nassif e, aparentemente, utiliza funcionários anônimos (além dos supracitados) para espalhar ataques pessoais a ele.

É compreensível que Nassif tente evitar conotações político-partidárias em sua empreitada. Seria (e continua sendo) cômodo para a revista refugiar-se numa batalha moral contra o ‘lulo-petismo’. Quando se trata de ética jornalística, entretanto, não cabem desculpas ideológicas.

E o respaldo da imprensa?

Mas o público sabe que esse comportamento da Veja também possui um viés eleitoral. Ela é acusada de defender interesses que se beneficiam do poder conferido pelas urnas a eles próprios ou a terceiros. Se alguém escancara essa contaminação, direta ou indiretamente, mexe nas suas motivações. Por isso, é importante não esquecer que o gesto de Nassif insere-se num contexto político, pois assim será tratado pelos detratores.

Os grandes veículos, assim como a Associação Brasileira de Imprensa, fingem que a querela não existe. Não querem se expor a exumações semelhantes, principalmente depois que a Folha de S.Paulo foi envolvida num dos episódios denunciados. Os comentaristas abordam a questão com cuidado, sabedores do poder destrutivo de Veja.

Esse comportamento revela muito sobre a categoria. A manipulação teria sido aberta, conhecida por todos, durante anos. E a revista só foi confrontada por iniciativa de um indivíduo isolado que, apesar da força de sua biografia e de seus argumentos, não angariou o respaldo de uma imprensa que se diz combativa e independente (ou melhor, que é ‘combativa’ e ‘independente’ quando interessa).

Precedente histórico

Imagina-se que a direção da revista tenha instruído seus advogados a causarem o maior estrago possível, financeiro e pessoal, na vida de Nassif. As despesas são altíssimas, os prazos dilatados, os resultados incertos e as primeiras instâncias, imprevisíveis. A desigualdade de forças resvala na coerção do gigante empresarial que tenta destruir exemplarmente seus desafetos incômodos.

Mesmo assim, parece alvissareira a hipótese do Judiciário ser constrangido a se manifestar. Passou o tempo de tratar falsos depoimentos, incriminações indevidas, denúncias vazias, deturpações e mentiras como simples efeitos colaterais da liberdade de imprensa. A integridade moral dos indivíduos e o interesse coletivo são protegidos por leis que estão acima de couraças retóricas.

A nobre iniciativa de Nassif não envolve apenas os leitores de Veja e talvez nem o público genérico de periódicos. Trata-se de esclarecer o uso antiético e quiçá ilegal da grande imprensa para favorecer determinadas facções corporativas ou políticas. Tamanha abrangência só pode ser respeitada por um poder de envergadura equivalente, conferindo máxima lisura ideológica à decisão.

O desejável sucesso da defesa do jornalista, ainda que custoso e demorado, pode abrir um precedente histórico e contribuir para uma análise profunda sobre o jornalismo nacional.

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Historiador e escritor

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/04/2008 CARLOS ASSUERO CRUZ

    Como diria o nosso conhecido amigo DÉCIO, velho Cearense da TV diário . . . ‘ A 35 anos que venho batendo nessa mesma tecla ‘ . . . Só não vê quem não quer. Infelizmente grande parte de nossos meios de comunicação tratam o povo como gente de segunda classe, como se não fizessem parte dessa grande nação BRASIL. Mentem, manipulam, mascaram as informações como se o povo fosse burro. Elas não informam . . . fazem uma campanha rasgada, vergonhosa todos os anos, o ano inteiro contra o povo brasileiro e a favor dos interesses internacional ( americano e europeu ) e de uma corja de ladrões colonialistas que a quinhentos anos vem violentando o povo e saqueando o país. É uma imprensa golpista e covarde. Porém, ‘ a onça agora bebeu água ‘ e não adianta essa imprensa golpista, juntamente com meia dúzia de senadores nervosos, estéricos, sem mais nenhuma perspectiva política querer manipular, pois o povo, por incrível que pareça, nesses cinco últimos anos aprendeu que não precisa mais de tradutor para compreender o que é bom ou ruim para os mesmos. É bom lembrar também que – é uma questão de lógica – quanto mais LULA fizer pelos pobres, mais os ricos se beneficiarão e o país também, porque as favelas tenderão a diminuir, a violência tenderá a reduzir, as grandes cidades terão uma melhor urbanização e maior qualidade de vida e o nordeste poderá ter mais re

  2. Comentou em 08/03/2008 marcos fae

    NÃO TENHO DÚVIDA DE QUE O BRASIL É MAIOR DO QUE ESTES RANCOROSOS ENGAJADOS. NASSIF FAZ HISTORIA E OS RUMINANTES LEITORES DA MIDIA PANFLETARIA NÃO TOMARÃO CONHECIMENTO. PREFEREM O CONHECIMENTO DISTORCIDO E SENSACIONALISTA QUE CURA CÂNCER TODAS AS SEMANAS. SERÃO TODOS CANCEROSOS?

  3. Comentou em 06/03/2008 Hugo Santos

    Não tenho preferência por esta ou aquela mídia; aliás suspeito de todas, Veja tem seus interesses escusos, mas o OI tb se posta de maneira parcial em relação aos veículos de imprensa que deveria ‘observar’, pois só as ‘Leituras de Veja’ são sempre negativas. Na verdade, quem ‘abriu um precedente histórico e contribuiu para uma análise profunda sobre o jornalismo nacional’ foi Diogo Mainardi em sua memoráveil coluna ironicamente intitulada ‘Observatório da Imprensa’, que abriu a Caixa de Pandora do jornalismo que se confirmou depois com as indicações políticas para cargos na TV pública, dentre outras coisas.

  4. Comentou em 05/03/2008 Max Suel

    É até engraçado ……. falam mal da VEJA , mas continuam sempre a lê-la (que lingua a nossa!); da mesma forma criticam e falam muito mal da GLOBO , mas não perdem uma novelinha ou uma ‘espiadinha’ no ‘Big Brother’. Com relação ao(s) processo(s) levados a efeito pela revista, acho que é o único caminho correto numa democracia onde há o império das leis. Caberá às partes apresentar seus argumentos, e caberá à Justiça dar a última palavra. Não pode haver censura: o jornalista Nassif escreve o que quer, e quem se sentir atingido deve procurar a Justiça. É o que parece estar ocorrendo neste caso.

  5. Comentou em 05/03/2008 Max Suel

    É até engraçado ……. falam mal da VEJA , mas continuam sempre a lê-la (que lingua a nossa!); da mesma forma criticam e falam muito mal da GLOBO , mas não perdem uma novelinha ou uma ‘espiadinha’ no ‘Big Brother’. Com relação ao(s) processo(s) levados a efeito pela revista, acho que é o único caminho correto numa democracia onde há o império das leis. Caberá às partes apresentar seus argumentos, e caberá à Justiça dar a última palavra. Não pode haver censura: o jornalista Nassif escreve o que quer, e quem se sentir atingido deve procurar a Justiça. É o que parece estar ocorrendo neste caso.

  6. Comentou em 04/03/2008 Arno Esquivel

    A revista processa Nassif e, APARENTEMENTE, utiliza funcionários anônimos (além dos supracitados) para espalhar ataques pessoais a ele’ .’IMAGINA-SE que a direção da revista tenha instruído seus advogados a causarem o maior estrago possível, financeiro e pessoal, na vida de Nassif.’ Se Nassif depender deste tipo de defesa da mídia, o cara está perdido. Se há uma coisa que não tem nada de APARENTE e IMAGINÁRIA é jornalismo de esgoto.

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