Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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A cidadania se constrói na internet

Por Cleyton Carlos Torres em 19/01/2010 na edição 573

De alguns anos para cá, tecnologia virou notícia corriqueira, comum e fundamental na grande mídia. Capas de revistas, manchetes de jornais, reportagens extensas e páginas e mais páginas de portais ou blogs que focam um mesmo assunto: internet como sinônimo de tecnologia.

Tecnologia não significa só internet, mas para quem quer falar de internet tem que saber lidar com ciência e tecnologia. Há uma defasagem nos profissionais de comunicação ao trabalharem com divulgação científica. Na questão da tecnologia, por exemplo, a imprensa tradicional sempre foca – exaustivamente – as mídias sociais e como a internet mudará radicalmente a nossa vida na Terra.

São jogados confetes e previsões alucinadas são projetadas quando o assunto é internet. Internet não é sinônimo de tecnologia e mídias sociais não são sinônimo de internet. A imprensa ainda trata o leitor como um consumidor leigo de informações, passivo e ‘quadrado’, que ao se adicionar uma mínima informação a mais, por mais comum que ela seja, não conseguirá compreender a reportagem ou o texto.

Análise, julgamento e erro

Cerca de 80% da população brasileira não consegue entender um texto simples. Isso é fato. Mas analisar a internet – uma questão fundamental para os dias atuais – como sendo apenas sites de trocas de informações pessoais, fotos ou encontros amorosos, é tratar todos, leigos ou mais íntimos, como um público extremamente maleável, que aceita o que a grande mídia publicar. E isso não é verdade. Não mais.

A imprensa possui um papel ímpar na democracia, mas infelizmente por décadas vem vendendo escândalos políticos, celebridades e ‘sangue’ como sendo informações de interesse público. Agora, com a tecnologia e a internet na pauta de todos os brasileiros em todas as classes sociais, o jornalismo ainda quer pecar em repetir o mesmo erro: vender mídias sociais e celulares touch screen como sinônimo de divulgação tecnológica. O que muito se vê é uma complicação do que é demasiadamente simples, e uma simplificação daquilo que nunca foi complicado, tornando o assunto, de tão simplório, áspero. Devemos mostrar os reais impactos na vida cotidiana, e não só primar a internet como sendo ‘a moda da vez’.

O jornalismo diário analisa, julga e erra. Resta-nos realizarmos uma maior crítica e não permitirmos que o jornalismo pautado pela web cometa o mesmo erro. Jornalismo é sinônimo de cidadania. E nos dias atuais a cidadania se constrói, também, através da internet, e não através de redes sociais. Cabe à imprensa e aos jornalistas demonstrarem isso aos leitores.

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Jornalista e blogueiro, pós-graduado em Assessoria de Imprensa, Gestão da Comunicação e Marketing, São Paulo, SP

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