Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

E-NOTíCIAS > DEMOCRACIA ELETRÔNICA

A comunicação entre o cidadão e o político

Por Ari Macedo em 13/03/2007 na edição 424

A internet, como ferramenta de nova tecnologia, possibilita uma relação cada vez mais intensa de intercâmbio de mensagens entre os cidadãos e o espaço cibernético. A inter-relação efetiva entre as duas partes potencializa algo que muitos especialistas no assunto vêm apontando, que é a chamada democracia eletrônica ou ciberdemocracia.

O termo ciberdemocracia é defendido como uma terminologia condensadora de uma comunicação política multilateral e pluridimensional, dentro de um ambiente de conexões bidirecionais com o processamento de um número cada vez maior de informações. É nesse espaço que se generaliza a demanda direta de informações com os internautas. Mas como essa oferta de informação e de intercâmbio de mensagens é de fato recebida e utilizada pelos cidadãos? Como desfrutar do processo de contatos amplificados pela rede?

Interface com os cidadãos

Interessa-nos aqui pensar a comunicação direta existente entre os cidadãos e o ambiente político dentro do ciberespaço, o que é ainda muito falho. A possibilidade de dirigir-se a parlamentares, partidos políticos e candidatos a cargos públicos por e-mails ou participar coletivamente de páginas institucionais e obter respostas concretas sobre os mais diversos assuntos sustentaria os ideais de ciberdemocracia. Isso até ocorre, mas de maneira muito incipiente, de modo a restringir a efetiva integração coletiva nas discussões políticas candentes.

É no ciberespaço, enquanto meio inter-social, global e sem autoridades supremas e hierarquias, que os usuários podem ampliar as discussões políticas sem censura ou medo. Algo pouco aproveitado em termos políticos. As páginas partidárias, de parlamentares ou de candidatos a cargos públicos, são pouco exploratórias e não desenvolvem uma interface com os cidadãos a ponto de serem promovidas campanhas convocatórias, fóruns de discussão, respostas diretas a questionamentos por e-mail, dentre outros recursos que facilitariam o contato ainda maior entre as entidades políticas e a população.

Categorias importantes

Na internet, o aumento de sinergia entre o agente público e o cidadão abre espaço para o desenvolvimento cada vez maior da ciberdemocracia. Essas questões ficaram latentes quando do desenvolvimento da pesquisa pelo Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política no período eleitoral do ano passado, coordenada pelos professores Vera Chaia (PUC-SP), Miguel Chaia (PUC-SP) e Víctor Sampedro (Universidade Rey Juan Carlos, Madri).

Ao serem analisadas as páginas dos partidos políticos e dos candidatos (o foco eram os que pleiteavam a Presidência da República), notou-se uma falta de interrelação com o cidadão/eleitor. A pesquisa verificou algumas categorias importantes que, no nosso entender, facilitariam aquilo que chamamos de sinergia entre os usuários da rede e os sites políticos, tais como: a quantidade de informação disponibilizada (políticas gerais, jurídicas e eleitorais); a interatividade (recebimento de boletins informativos, possibilidade de envio de indagações aos partidos e candidatos e recebimento de boletins informativos); facilidade de uso da página (atualização das notícias, canais de buscas de informação, relação com outros links externos); e a estética (imagens e fotografias, humor e ironia, símbolos dos partidos).

Aperfeiçoamento do processo político

Foi possível verificar a quantidade de informações disponibilizadas – artigos de membros partidários ou dos candidatos, notícias eleitorais, estatutos ou programas partidários e legislação eleitoral –, mas foi pequena a oferta de recursos que permitissem o contato direto com os cidadãos, ou, quando disponibilizados, eram pouco absorvidos pelos usuários da rede – como correios eletrônicos, campanhas convocatórias, fóruns de discussão.

Não que os partidos e os candidatos não utilizaram ou utilizam a internet como mais um recurso para propagandear seus feitos e realizações, mas fica evidente a intenção de passar o máximo de informação aos usuários restrita ao campo de notícias, esquecendo-se que o ciberespaço, ao ser um ambiente em que as mais diversas conjugações são permitidas, deve dar liberdade aos usuários para toda forma de expressão. Não tratá-los apenas como meros receptores.

A internet é o canal ciberdemocrático que possibilita a permanente interlocução e, sendo assim, deve ser utilizada como meio de aperfeiçoamento do processo político. Os partidos políticos, os candidatos e os parlamentares ainda não descobriram essas possibilidades e suas ferramentas. Quando deixarem de imaginar os cidadãos apenas como receptores de notícias, potencializarão novas discussões com o envolvimento social cada vez maior.

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Doutorando em Ciências Sociais pela PUC-SP e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (Neamp)

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