Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

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A corrida em direção ao RSS

Por Carlos Castilho em 08/03/2005 na edição 319

O programa Real Simple Syndication, mais conhecido pela sigla RSS, tornou-se uma ferramenta obrigatória tanto no relacionamento da imprensa com o seu público como no de repórteres e comentaristas em relação às suas fontes.

Nos Estados Unidos, cerca de 154 jornais de todos os tipos ofereciam material informativo grátis a seus leitores, segundo levantamento publicado em dezembro de 2004 pelo site The Media Drop (http://www.themediadrop.com/archives/001588.php). Nesta relação a grande maioria são jornais regionais e publicações especializadas, pois a grande imprensa ainda não confiava integralmente no sistema. No Brasil, o RSS é usado pela Agência Estado, Último Segundo, Blue Bus, Abraji, Folha de S.Paulo e outros.

De acordo com o site Feeds (http://www.feeds.com.br/
index.php?ax=list&sub=13&cat_id=21
), há cerca de 450 sites que usam o RSS no Brasil. Dezoito são de jornais, agências de notícias ou sites informativos, mas os blogs pessoais formam a grande maioria – com 154 casos, segundo dados de fevereiro de 2005. A lista do diretório Feeds não é completa porque não inclui páginas como a das notícias da seção brasileira da ONU (http://www.onu-brasil.org.br/rss.php). Sites como o jornal eletrônico Último Segundo (http://ultimosegundo.ig.com.br/
usflash2/active_desktop.shtml
) utilizam o Active Desktop, um recurso do Internet Explorer parecido ao RSS.

A partir de janeiro, a corrida em direção ao RSS ganhou novo impulso com a adesão do Los Angeles Times, da Associated Press (http://hosted.ap.org/dynamic/fronts/RSS_FEEDS?SITE=APWEB&SECTION=HOME) e da empresa AdvanceNet (http://www.advance.net/), que administra as páginas web do conglomerado editorial Condé Nast (http://www.condenast.com/), um dos maiores dos EUA na área de revistas. Na Europa, o jornal inglês The Guardian iniciou uma fase de testes com o programa Newspoint (http://www.consenda.com/), o primeiro sistema de RSS especialmente desenvolvido para o setor jornalístico.

O RSS [detalhes em (http://www.rssficado.com.br/)] é um software que permite transmitir automaticamente informações novas para um usuário cadastrado. Ele é formado por um software residente no site produtor de informações e por um mecanismo de leitura.

Cada vez que uma notícia nova é adicionada ao site, o sistema envia um aviso pela web aos usuários cadastrados – que poderão ler a manchete, um resumo ou mesmo o texto integral, dependendo do modelo de sistema de leitura usado pelo internauta.

Direitos autorais

O RSS surgiu no bojo do fenômeno dos blogs, quando os blogueiros procuravam saber o que seus colegas estavam publicando, sem precisar ficar horas checando dezenas de sites. Depois de conquistar a blogosfera, o RSS acabou adotado também pelas grandes corporações da mídia como uma forma de manter contato automático com seus clientes e com futuros usuários.

O jornal seleciona as editorias ou serviços onde o RSS estará disponível e o leitor pode escolher as áreas de seu interesse. O New York Times (http://www11.estadao.com.br/agestado/) abre seu noticiário geral e a Folha de S.Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/
folha/informatica/ult124u16829.shtml
) oferece nove áreas de conteúdo. O Los Angeles Times, por enquanto, se limitará ao setor de classificados.

Apesar da generalização do uso do Real Simple Syndication na imprensa, o sistema ainda enfrenta muitos questionamentos, em especial nas áreas jurídica e financeira. O software e o conteúdo são fornecidos gratuitamente para uso individual e não-comercial de cada usuário ou empresa, mas os advogados discutem a questão dos direitos autorais do material enviado.

Nos Estados Unidos, os feeds (material enviado via RSS) são tratados como licenciamento: a pessoa pode usar, mas não é dona dos direitos autorais. No Brasil ainda não se discute esta questão.

A revista Wired (http://www.wired.com/news/rss), por exemplo, permite o uso livre (inclusive comercial) do seu RSS, desde que não haja reprodução do texto integral dos artigos publicados. Outros veículos, como o site esportivo Sportsline (http://cbs.sportsline.com/xml/rss/feeds), da cadeia de TV CBS, proíbem qualquer tipo de reprodução, inclusive em páginas pessoais.

Do ponto de vista financeiro, muitos jornais temem que o Real Simple Syndication reduza drasticamente o número de assinaturas pagas, com conseqüências diretas no faturamento. Mas a experiência do New York Times vai na direção contrária. A quantidade de assinantes caiu, mas em compensação o número de usuários cadastrados no RSS foi dez vezes maior do que o dos leitores que deixaram de receber o jornal.

Tempo real ou on demand

As dúvidas ainda são muitas, mas uma coisa já é certa. As newsletters de atualização, enviadas periodicamente aos leitores cadastrados, têm seus dias contados. A automatização do RSS as tornou antieconômicas porque usam muita mão-de-obra.

Outra mudança cujas conseqüências ainda não são totalmente conhecidas é a perspectiva de inversão de atitudes do leitor. Até agora ele era obrigado a ir até o jornal, para comprá-lo na banca ou para buscar informação. Pelo RSS, é o jornal que vai até o leitor, por meio do computador.

A rotina dos jornalistas também está sendo afetada pelo novo sistema de garimpagem de informações. O monitoramento regular de fontes, notadamente em áreas especializadas como economia, bolsas de valores e tecnologia, é feito através de leitores de RSS – que apresentam na tela do computador a lista mais recente das notícias publicadas. Alguns profissionais criaram até mesmo sites que monitoram RSS e fazem uma triagem para seus assinantes, como é o caso do Cyberjournalist Feeds (http://www.bloglines.com/public/cyberjournalist).

Segundo pesquisa do Pew Center (http://www.pewinternet.org/pdfs/PIP_blogging_data.pdf), publicada em fevereiro deste ano, nada menos que 5% dos usuários da web nos EUA (cerca de seis milhões de internautas) já usam regularmente o RSS para captar informações.

***

Quem quiser usar o RSS (Real Simple Syndication) para garimpar notícias deve seguir os seguintes passos:

1. Escolher um leitor de RSS, o programa que recebe o material e o organiza para leitura. Existem três tipos de leitor:

a) o que fica instalado no computador do usuário, como o NetNewsWire (http://ranchero.com/software/netnewswire/), para Mac, e FeedDemon (http://www.bradsoft.com/feeddemon/index.asp) ou FeedReader (http://www.bradsoft.com/feeddemon/index.asp), para PCs;

b) leitores incorporados a navegadores (browsers) como o Firefox (http://www.firefox.com) ou o NewsGator (http://services.newsgator.com/), que pode ser embutido no Outlook;

c) leitores online, como o Bloglines (http://www.bloglines.com/), por meio dos quais o usuário acessa os feeds por uma página web.

2. Selecionar as páginas que oferecem RSS, procurar o ícone correspondente – em geral identificado pelas siglas XML,RSS ou AtomFeed; copiar o endereço usando o botão direito do mouse e colá-lo no espaço reservado para novos feeds, no leitor de RSS. Há mecanismos de buscas especializados só na procura de sites com RSS, como é o caso do Feedster (http://www.feedster.com/)

Feito isso, basta escolher no programa-leitor se deseja que o monitoramento das noticias novas seja feito em tempo real ou só quando você pedir.

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Jornalista e pesquisador de mídia eletrônica

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