Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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A inquestionável verdade

Por Paulo Bento Bandarra em 24/03/2009 na edição 530

Continuando na busca da ‘ditrabranda’, verificamos que ela sempre existiu na nossa história. Aqueles que negam a sua existência o fazem por pura hipocrisia. Se ela não existisse de fato, dentro do seu pensamento e ideal, jamais teriam aceitado a revolução soviética, a revolução maoísta, e muito menos, aqui ao lado, a revolução cubana. Tanto ela existe para a esquerda internacional mediocrizante, que para Lula, Chávez, Correa e nossos ministros ex-terroristas – Dilma, Dirceu, Tarso Genro, Marco Aurélio Garcia. Fidel é o melhor representante dela. Não porque ela seja branda, tendo em vista o número de mortos, o número de evadidos, o número que pereceram no mar, o totalitarismo das decisões, o centralismo do poder, do planejamento, unipartidarismo, da falta de liberdade total das mínimas decisões. Mas que para estes totalitários, a liberdade só existe dentro de um limitado objetivo que a ditadura fornece, e não outro nenhum regime político e econômico.

O outro mundo possível defendidos pelos de cá, que não dão para chance de optar pelos de lá. ‘LEITURAS DA FOLHA: A `ditabranda´ e a culpa de Fidel‘, acusa em 23/02/2009, Gilson Caroni Filho, professor titular de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), Rio de Janeiro, RJ. Os mesmos que justificam Fidel Castro e a sua dinastia pela existência há cinqüenta anos de Fulgencio Batista, falecido em 1973, e Augusto Pinochet, pelos seus 17 anos e uma fração dos mortos em Cuba. Os dois há muito mortos. Mas ainda servem de justificativa retórica.

Campos de ‘reeducação’ etc.

Isto está explicitamente representado pela propaganda da esquerda contra Pinochet como ditador e o tratamento dado a Fidel (ou Trotski, Lênin, Stalin, Mao) como estadista. Não que a esquerda não aceite a ditadura como um sistema ideal, mas porque ela não pode avançar nesta direção em uma que a controle e a censura como faz com toda a diversidade de idéias e de modos de produção na qual ela não sobrevive no seu sonho do marxismo global. Do pensamento único. O único que vale a pena, nos seu modo canhestro de enxergar o mundo, como válido, e como aceitável o totalitarismo certo. Não que realmente almeje a democracia, assim como as religiões não almejam de coração a liberdade de crença. É apenas visto como uma medida provisória para atingir o totalitarismo final sonhado.

A sua luta pela revisão da lei de anistia possui este sentido. Não que realmente pense que o crime de tortura seja lesivo para a humanidade mais do que o de morte. Nunca se preocuparam com a existência dela dentro dos estados socialistas que chegaram à perfeição por vários métodos: Gulags, prisões de reeducação, sanatórios psiquiátricos para tratar os seres anti-sociais (na sua visão medíocre), revoluções culturais, queima de bibliotecas, campos de ‘reeducação‘ do Khmer Rouge etc…

Por que você odeia Fidel?

Nada disto foi alguma vez abjurado como crimes reais essenciais do método contra a humanidade. Como faz o cristianismo e o islamismo, não acham que fizeram o mal suficiente na sua história para desmerecer o crédito que vivem pedindo sempre de novo, enquanto lutam para destruir justamente os seus valores mais humanos. Por isto Cesare Battisti é relativizado e Ustra é demonizado. A democracia italiana é desprezada, e a ditadura cubana solidarizada contra os milhares de presos políticos e a sua ilegitimidade prisional em termos de processo judiciário livre. Porque lá se vive o fim último da socialização sonhada. A cristianização da humanidade final, a luta vitoriosa contra o pecado, a realização do homem-novo sonhado por Che Guevara, do super-homem socialista tentado criar pelos irmãos Castro que só poderá ser atingido eliminando definitivamente o espírito humano livre, a diversidade, a liberdade, a imprensa, a independência do judiciário, a possibilidade de se sustentar sem a benesse do ditador. O trabalhador incansável pelo Estado e seus governantes inquestionáveis que sobrevivem de migalhas escolhidas pelo grande irmão como suficientes. ‘A verdade é una, o erro é múltiplo; não por acaso a direita professa o pluralismo’ (O Pensamento de Direita, Hoje, [La pensée de droite, aujourd´hui] de Simone de Beauvoir, Ed. Paz e Terra, 1972, 112 pág.).

Por que pela enésima vez Lula pede que Obama alivie o ‘bloqueio’ para Cuba e jamais ele e o PT pediram pela liberdade do povo cubano, que seria o mais lógico? São estes que querem mais uma vez nos ensinar o que é certo, o que é democracia. Os que negam o direito de luta por esta democracia dos de lá. Pois o objetivo é chegar lá, e não a democracia. Ainda perguntam por que você odeia tanto Fidel, que tem tudo para ser amado.

As vozes que aqui gorjeiam, nunca gorjeiam pelos de lá!

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Médico, Porto Alegre, RS

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