Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

E-NOTíCIAS > ECOS DA GUERRA

A morte em nome de Deus

Por Valmir Perez em 13/01/2009 na edição 520

Os ataques israelenses à faixa de Gaza nas últimas três semanas deixam claro, mais do que a simples constatação de que o Oriente Médio é um barril de pólvora, que nossos olhos e ouvidos estão proibidos de saber e acompanhar o que realmente está acontecendo com a população civil que tenta sobreviver no meio de uma guerra estúpida numa região demograficamente superlotada.

Mais ainda, constatamos diariamente até onde vai o poder da mídia de informação, ou seja, até onde meia dúzia de genocidas, tanto de um lado como do outro, querem que vá. As notícias que sobram nos dão conta apenas dos fatos ‘autorizados’ da guerra, mas sempre no chamado ‘tom imparcial’, cujo discurso garante sempre que a notícia e história referente à notícia não nos chegue com maior clareza. Nesse tom imparcial, nunca, e nunca mesmo, vocês ouvirão falar que essa gente que deixa escorrer bombas e mísseis de última geração sobre as cabeças das pobres crianças – tanto judias quanto palestinas – sejam pessoas com sérios problemas mentais, que nunca poderiam estar sentados com suas bundas grandes nas cadeiras onde mereciam estar, pessoas civilizadas, inteligentes e sensíveis.

Infelizmente ou terrivelmente, ou as duas coisas juntas, além das conseqüências por si só já tragicamente catastróficas das mortes de centenas, senão milhares de pessoas comuns (isso, por ora, não podemos conhecer), virão também, após essa escalada de violência canibalesca, outras tragédias que se somarão às já existentes, como o aumento do ódio entre dois povos da mesma origem, os traumas, as doenças mentais, as deformações do corpo, das personalidades, as doenças infecciosas, as subnutrições, as contaminações por agentes químicos e radiativos e todas as formas possíveis de horrores que sobrevivem a essas catástrofes inteligentemente e previamente planejadas.

Tecnologia para destruir o planeta

Além disso tudo, fica faltando nos parece, uma informação que é das mais importantes: essa gente está sendo morta em nome de Deus!

Isso mesmo. Essa gente toda, tanto de um lado quanto do outro, está sendo morta em nome do criador!

Essa importante informação não nos chega e nem nos chegará através da mídia jornalística, não por sua pseudo-imparcialidade, mas porque vai ficar muito chato se de uma hora para outra descobrirmos que as religiões, tanto umas como qualquer outra, que enviam seus filhos para matar seus semelhantes são religiões de mentira!

Esses povos, tanto os que tomaram as terras do outro como os que as querem de volta, estão a se digladiar como animais no ringue porque acreditam que o Deus de um é mais poderoso, mais bondoso, mais sábio e inteligente do que o Deus do outro. Parece incrível, mas é a pura verdade.

Mas como o tom da mídia de informação é sempre muito imparcial, ela não pode entrar nos detalhes desse verdadeiro furo de reportagem, pois já pensou o que vai acontecer com as igrejas, com os religiosos e com os assassinos de crianças que assinam acordos internacionais fajutos, quando descobrirmos que estamos no século 21, com tecnologia suficiente para destruir o planeta várias vezes e deixar Nostradamus parecendo um vidente de esquina e ainda sermos levados a crer em deuses que escolhem um povo em detrimento do outro?

Furo de reportagem sem acesso

Já pensaram o que vai acontecer depois que descobrirmos que todas as rezas e mísseis que sobem encomendando a morte de um semelhante são coisa fora de moda e não condizem mais com entidades de carbono que têm cérebro e poder de raciocínio?

Já imaginaram quantos dízimos serão suspensos ou serão desviados pela população enfim atenta, a fim de suprir as necessidades básicas de seus semelhantes em dificuldades?

Vocês podem conceber a revolução que explodirá quando, ao invés de adorarmos uma imagem de barro, ou nos sentarmos dentro de um lugar ricamente decorado, repetindo frases velhas e sem sentimentos, com a cara no chão, ou balançando na frente de um muro calado e burro, tentando atrair o perdão, a clemência e a prosperidade sem fim, olharmos nos olhos de nossos semelhantes e descobrimos a divindade dentro de um templo de carne e osso?

Quem nesse momento teria coragem de assassinar um Deus? Quem teria a coragem de despejar bombas e mísseis sobre as cabeças desses seres divinos? Quem ousaria deixar essa criatura divina vivendo em valas, comendo restos e sentindo dores sem auxílio?

Mas é claro que disso não poderemos conhecer, pois conhecendo um novo mundo se abriria para a humanidade. A esse furo de reportagem vocês jamais terão acesso. Isso está escondido e muito bem guardado sob as mangas dos rabinos, sob as calças dos muçulmanos, sob as sais dos padres e dos papas, dentro dos cofres de aço dos pastores, nas bibliotecas proibidas onde a mídia não vai e nem quer entrar.

Que essa notícia chegue!

Esse furo de reportagem iria de uma hora para outra arrasar com todos os tanques de quatro milhões de dólares, quebraria todas as plataformas de lançamento das infindáveis ogivas, afundaria todos os porta-aviões, faria todos os senhores da guerra, fabricantes de armamentos, abrirem falência de suas fábricas de morte; definharia de vez todos os discursos militares que servem apenas de fachada para que uns comam mais e melhor que o restante.

Esse furo de reportagem dos milênios nos faria mais divinos, mais senhores e responsáveis pelas nossas próprias atitudes, nos deixaria mais calmos, mais amorosos, mais sábios, menos pedantes e egoístas; nos levaria a consumir menos, nos faria respeitar e cuidar bem melhor do grande templo vivo da natureza.

Essa notícia certamente faria tremer aqueles que sobrevivem das misérias humanas, das guerras, das doenças criadas em laboratório, de todas as faltas de condições básicas. Faria tremer os pais de todas as igrejas que, de uma hora para outra teriam que se despojar de suas vaidades e arrogâncias e descerem de seus púlpitos dourados e limusines à prova de bala para encontrar um Deus caído na sarjeta e apoiá-lo, tratá-lo com todo o respeito que um ser de divinas dimensões deve ser tratado.

Esse simples fato que correria o mundo através dos jornais diários das televisões, das páginas escritas, pelas ondas dos rádios e pelos bits dos computadores, incendiando tudo o que é velho em nossas concepções e não nos serve mais, faria de nós, terráqueos, seres em outra escala de evolução.

Que essa notícia chegue logo!

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Lighting designer, Campinas, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 15/01/2009 Rodrigo Otávio da Silva Motta

    Infelizmente, o ser humano não mudou nada desde a Antiguidade.O salmista bíblico já declarava:’Já há tempo demais que habito com os que odeiam a paz.Sou pela paz; quando, porém, eu falo, eles teimam pela guerra(Salmo 120:6e7)’.Nome de Deus é envergonhado pelos que se dizem Seus adoradores, e os céticos se endurecem em sua incredulidade.’O Senhor põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a Sua alma o abomina(Salmo 11:5)’.

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