Quinta-feira, 28 de Maio de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº852

E-NOTíCIAS > CAMPUS PARTY

A nova opinião pública

Por Luís Nassif em 30/01/2010 na edição 574

O ambiente é caótico. Do lado de fora do galpão cerca de 2 mil blogueiros montaram acampamento. Dentro, em uma imensa área aberta, milhares de pessoas se organizam espontaneamente em um ambiente caótico. Nele, há cinco mesas-redondas simultâneas, nos diversos pontos da área, games gigantes, mesas com centenas de internautas ligados por banda larga.


Há de tudo. Figuras folclóricas da blogosfera, grandes marcas globais de aparelhos tecnológicos, uns rapazinhos que montaram um orelhão telefônico que fala pela internet, dirigíveis sendo movidos a controle remoto.


Trata-se do Campus Party, um evento que surgiu há dez anos na Espanha – apoiado pela Telefonica – e há três anos se realiza no Brasil. É um enorme encontro de geeks, de uma rapaziada que gosta de vestir bermudas e bonés, nasceu no ambiente tecnológico, abomina regras sociais, cultiva ao mesmo tempo o individualismo e o trabalho em grupos, em redes.


Jogo político


A inauguração contou com o governador de São Paulo José Serra. Na sexta-feira (29/1), com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.


A presença de futuros candidatos à presidência da República não é mera coincidência ou extravagância. Mas o reconhecimento da influência cada vez maior da comunidade da mídia digital.


Nos próximos anos, essa comunidade meio dispersa, meio inorgânica, começará a se articular de forma mais consistente e passará a ter influência política. Poderá se contrapor às pressões das emissoras de TV aberta, defendendo as cotas para a animação nacional, por exemplo. Poderá se articular pressionando o Congresso na defesa de teses de seu interesse.


Esse mesmo processo está se dando com movimentos sociais por todas as partes do país. Muitas dessas manifestações têm se dado através das diversas conferências nacionais – de Comunicação, de Cultura, de Direitos Humanos etc.


Alguns setores vêem com receio esses movimentos, como se o país de repente pudesse mergulhar em uma fase de caos político, similar ao pré-1964 no Brasil ou aos anos 1930, na Europa.


Trata-se de um pessimismo injustificável. A internet e a modernização do país está permitindo, de forma pacífica, a incorporação de novos grupos ao jogo político. Não há garantia maior de institucionalização da democracia do que esse método de incorporação política. A alternativa seriam os conflitos sociais, os confrontos que permitissem abrir espaço na pancada.


Sem donos


Nos próximos anos, se verá o desabrochar de um jogo democrático inédito no país. Até algum tempo atrás, a grande mídia – meia dúzia de jornais no eixo Rio-São Paulo-Brasília, uma ou outra emissora de TV – controlavam o debate político. Só se tornava fato político o que passasse por ela.


Com isso, ficavam de fora do jogo político os interesses das cidades do interior, do agronegócios e da agricultura familiar, da indústria nacional e da pequena e micro empresa.


A ampliação dos blogs e sites mudará completamente esse jogo. A partir de agora, não haverá mais donos da política – nem grandes jornais nem partidos políticos. Os próximos anos exigirão dos governantes, cada vez mais, a capacidade de negociar e de prestar contas de seus atos.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/02/2010 MARIA LUZANIRA DE SOUZA SOUZA

    BOA TARDE!
    FAÇO O CURSO DE MÍDIAS NA EDUCAÇÃO E ESTOU NECESSITANDO LER A ENTREVISTA DE DON TAPSCOTT, POR SÉRGIO DÁVILA, FEITA EM WASHITON, EM 27/1/2009. ENTREI NO SITE INDICADO PELO EPROINFO, http://observatório.ultiimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=52 MAIS NÃO CONSEGUIR LOCALIZAR-LA. FICO MUITO GRATA SE PUDER RECEBER A AJUDA DE ALGUEM DESTA ESTIMADA EQUIPE.
    DESDE JÁ MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO.
    MARIA LUZANIRA DE SOUZA.
    PROF. DE GEOGRAFFIA.

  2. Comentou em 30/01/2010 Gersier Lima

    “Estranho, muito estranho este Senhor. Aqui, prega as virtudes democráticas da Internet. Lá, no seu portal, é “líder” de uma espécie de falange que prega a alienação e truculência. Ai de quem criticar Lula, uma espécie de representante de Frei Galvão na Terra.”
    Eu desafio ao Teócrito Abritta que se diz físico e escritor a nos mostrar quando,onde e quando ele viu qualquer uma dessas acusações que ele faz ao Nassif e o seu Blog. Vc está muito enganado e agindo de má fé.Quem age como vc descreve é um tal de noblat,um tal de RA,um tal de josias.Sua miopia não deixa vc enxerga-los?Ou seria sua hipocrisia?
    “Se contrário, teremos uma mera carneirada, bem ao gosto dos políticos desonestos e dos mistificadores religiosos dos dias de hoje.”
    Vc deveria dizer que “ainda existem nos dias de hoje”,que são gente como o serra e quem seria seu companheiro de chapa o arruda,o azeredo inventor do que pessoas como vc chamam de “mensalão” e outros que vc sabe muito bem quem são.
    Carneirada existia antes,hoje graças a internet, ela se resume a pessoas que se dizem cultas por ter diplomas universitários e quadros com título pendurados na parede,mas que são mais alienados que muitos que ainda estão estudando ou possuem pouco estudo. Mais uma observação,não sou analfabeto.Se escrevo alguns nomes próprios com as iniciais em minúsculo,é porque são merecedores do meu desprezo.

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