Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Abin quer licença
para grampear

Por Luiz Antonio Magalhães em 03/07/2007 na edição 440


Leia abaixo os textos de segunda-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 2 de julho de 2007


GRAMPOS EM DEBATE
Tânia Monteiro


Abin afirma ser ‘inteligência surda’ e pede a Lula licença para grampear


‘A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) quer deixar de ser uma ‘inteligência surda’. A direção do órgão prepara um pedido formal para que o presidente Lula patrocine mudanças na legislação para permitir a seus agentes fazer escutas em telefones e ambientes, havendo autorização judicial.


O pedido da Abin e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) será analisado em reunião que o presidente fará com os principais assessores para tratar dos rumos do serviço brasileiro de inteligência. Depois do que aconteceu em maio, quando o governo foi surpreendido pela invasão da usina hidrelétrica de Tucuruí por integrantes da Via Campesina e do Movimento dos Atingidos por Barragens, o Planalto concluiu que chegou a hora de discutir que Abin o Brasil precisa ter.


A cúpula da agência define um conjunto de propostas que vai da mudança na Constituição para permitir escuta ambiental e interceptação telefônica e de comunicações – sempre mediante autorização judicial – até o aumento do orçamento para modernizar seus equipamentos e ampliar seus quadros em ao menos 20%, nos próximos três anos, com melhoria salarial. Quer também proteção da identidade dos agentes.


‘Não temos capacidade de ouvir, somos uma agência de inteligência surda’, desabafou o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, a quem a Abin está subordinada. ‘Mas não queremos acesso à escuta ambiental indiscriminada. Queremos ter essa capacidade para combater, por exemplo, a espionagem’, disse o general, ao explicar que a Abin tem obrigação de ajudar empresas estratégicas a se protegerem contra espionagem industrial, de defender a agricultura e a pecuária contra a sabotagem – como ocorre quando alguém libera intencionalmente vírus ou praga – e de monitorar pessoas com fins criminosos.


‘Sabemos, por exemplo, onde essas pessoas vão, com quem elas falam, mas não sabemos o que elas falam porque não podemos usar escutas ou interceptações’, disse o ministro do GSI. Em sua avaliação, são três as áreas ‘indispensáveis’ para a escuta ambiental: espionagem, sabotagem e proteger a própria estrutura do sistema de inteligência. ‘Vamos pedir isso ao presidente’, adiantou.


Para o presidente da Abin, Márcio Buzanelli, a autorização para escutas legais ‘será um marco na evolução do trabalho da Abin’. Hoje, diz ele, faltam instrumentos importantes para sua atuação plena, como ocorre em outros países. Buzanelli diz que a Abin ‘é um órgão de defesa dos interesses nacionais e não tem nada a ver com os modelos pretéritos, porque é um serviço de inteligência de um país democrático’.


Buzanelli sustenta que a Abin de hoje não é uma herdeira do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), que atuou durante os governos militares (1964-1985). ‘Saímos da Guerra Fria e estamos vivendo em um mundo completamente diferente do que era o mundo dos tempos do SNI’, diz. ‘A Abin não é filha do SNI. É herdeira de um serviço de inteligência implantado em 1927, durante o governo democrático do presidente Washington Luiz.’ Ele acrescenta que, em 1946, após o Estado Novo, outro governo democrático reorganizou a inteligência, com o nome de Serviço Federal de Informações e Contra-informações, novamente reorganizado em 1958, por Juscelino Kubitschek.


FALHAS NA ESTRUTURA


Tanto o ministro Félix quanto Buzanelli respondem às críticas ao papel desempenhado pela Abin defendendo ampliação de sua estrutura. ‘A Abin para ser onisciente – ou seja, tudo saber – tem de ser onipresente – ou seja, tem de estar em todos os lugares’, defende Buzanelli. ‘Temos uma estrutura pequena para acompanharmos um país do tamanho do Brasil’, complementa o general Félix.


Hoje a Abin tem cerca de 1.500 funcionários, orçamento de R$ 33 milhões para pagamento de pessoal e atividades de inteligência e conta com 69 escritórios e subunidades no Brasil e no exterior. Buzanelli quer ampliar a presença internacional de seus agentes, pede mais R$ 10 milhões para seu orçamento e deseja aumentar em 20% o número de servidores nos próximos três anos.


Também quer modernizar seus equipamentos. ‘Eles estão muito desatualizados’, reconhece o ministro-chefe do GSI. A proposta é que para se modernizar a Abin receba R$ 4 milhões ao ano, durante cinco anos. ‘Nosso orçamento não permite investimentos’, afirma o general Félix, acrescentando que o Brasil gasta no setor muito menos do que outros países de porte semelhante.’


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Velhas campanhas, novos tempos


‘O concurso do bebê Johnson&Johnson, que no final da década 60 fez o sonho de muita mãe coruja, está de volta. Mas não mais com aquela roupagem que valorizava, acima de tudo, a estética. O concurso retorna, 40 anos depois, com a preocupação de estar em sintonia com o discurso do politicamente correto. As crianças agora serão escolhidas por sorteio, e não mais por um júri que valorizava, acima de tudo a beleza física.


Para dar um ar de contemporaneidade à campanha, a multinacional de produtos para higiene e saúde está desembolsando R$ 15 milhões na nova campanha. As primeiras peças publicitárias chamando as mães para participarem chegaram aos pontos-de-venda neste final de semana. A partir de 23 de julho, terá início a veiculação dos comerciais de televisão e dos anúncios em revistas.


A tática de recuperar clássicos em versões mais adequadas ao contexto dos tempos atuais não é exatamente nova na indústria da publicidade. Mesmo assim, requer cautela, diz Alexandre Gama, presidente da agência NeogamaBBH. Ele mesmo viveu uma experiência curiosa nesse sentido em 1995, ao responder pela campanha de ressurreição do Fusca.


Com a abertura às importações, não havia interesse das montadoras em fabricar carros populares. Mas o então presidente Itamar Franco queria o produto no mercado e convocou a Volkswagen a relançar o Fusca. Chamado para o briefing de desenvolvimento das peças publicitárias, Gama ficou surpreso ao ver que os executivos da montadora não botavam fé, comercialmente, na investida. Queriam apenas atender ao pedido presidencial.


‘Em função disso, tivemos total liberdade para resgatar o espírito guerreiro do carrinho’, lembra Gama. ‘ A única maneira de trazê-lo de volta não era apelar para o que ele trazia de novo, mas ressaltar o que era bom no velho’, diverte-se ainda hoje com a história. Os anúncios cravavam frases irônicas como ‘Buracos, voltei’, ou ‘Voltamos atrás. Mas se voltar atrás não fosse normal, os carros não teriam marcha a ré’.


‘Sabíamos que a imprensa especializada iria crucificar o carro por ser antigo e duro em relação aos novos modelos. Criamos então uma comunicação para desarticular esses argumentos’, diz. O Fusca acabou vendendo bem mais do que a própria empresa esperava.


Outro clássico reeditado, após mais de dez anos de abandono, foi o famoso jingle das Casas Pernambucanas, criado em 1963 pelo maestro Heitor Carillo: ‘Quem bate? É o frio. Não adianta bater, eu não deixo você entrar…’. Há quatro anos , a musiquinha reestreou para estimular as vendas da rede varejista. Mas ganhou arranjos mais modernos. Já teve batida de música country, som de percussão do Olodum, e, atualmente, está embalada numa onda rock and roll. Fora isso, a letra também sofreu pequenas adaptações, como a substituição da citação de ‘flanelas e lãs’, não mais usadas, por edredons e mantas.


CARA DE BEBÊ JOHNSON


Quase como o slogan ‘não é assim uma Brastemp’, usado para se definir algo sem muita qualidade, por anos a fio sinônimo de criança bonita era ter ‘cara de bebê Johnson’. A sacada promocional para estimular vendas dos produtos da Johnson é até hoje uma das mais expressivas no vasto portfólio de ações de vendas da companhia.


Ao retomar a iniciativa no Brasil, a agência Borghierh/Lowe, responsável pela comunicação desse segmento na Johnson&Johnson do Brasil, tem como expectativa aumentar em até 50% as vendas de produtos infantis em relação ao mesmo período de 2006.


A promoção vai escolher o bebê que represente ‘um mundo mais bonito’, com a proposta de celebrar a importância de atitudes como carinho, respeito e alegria. Para tal, diz a gerente de marketing da companhia, Marina Sachs, serão feitas imagens dos 54 bebês escolhidos por sorteio em todo os 26 estados do Brasil, junto de suas mães, para integrar um livro no qual vão relatar experiências de afetividade entre mãe e filho.


‘Houve uma evolução no comportamento do consumidor , fato detectado em nossas constantes pesquisas , e estamos tentamos resgatar esses valores com a repaginação do concurso’, diz Marina. ‘É lógico que a estética ainda é importante. Toda a mãe quer ter um filho lindo. Mas, ao mesmo tempo, isso não é tão relevante desde que ele tenha saúde.’


O vencedor será escolhido entre os 54 bebês por meio de votação na internet . O ganhador será conhecido em 17 de dezembro. E, como nos velhos tempos, participará de um comercial da Johnson&Johnson.’


FIM DO NO MÍNIMO
Pedro Doria


No Mínimo (2002-2007)


‘Na última sexta-feira, o NoMínimo levou ao ar sua última edição. O site, uma revista eletrônica na qual publicaram material uns 300 jornalistas e fotógrafos, durou exatos 5 anos e um mês. Ele próprio era filho de NO., outro site pioneiro, que foi de 2000 a 2002. É um total de sete anos e meio na internet.


(Cá esta coluna não vai de todo isenta: trabalhei em ambos os sites, do primeiro dia ao último.)


Com o anúncio do fim das operações, estourou entre blogs da rede uma discussão a respeito do financiamento do jornalismo online. A revista fechou porque o iG, no qual ela estava instalada, decidiu não arcar com seus custos.


Anúncios do Google, sugeriram blogueiros. Ninguém se financia com patrocínio, disseram outros.


Embora muitos que tenham por única referência a internet não percebam, a mídia está vivendo uma transição que conhece e é sempre muito tensa.


A TV estreou no Brasil em 1950. Só na década de 70 é que as emissoras começaram a fechar no azul. De todas as pioneiras, apenas a Record manteve-se no ar e ainda assim mudando de dono várias vezes. Hoje, ninguém discute que é excelente negócio ser dono de emissora.


O Pato Donald sustentou a revista Veja por mais de uma década. Hoje, a Veja é 60% da Abril. Investe-se em jornalismo de olho no futuro. A rede não é diferente. Dará dinheiro. Quem sobreviver verá.


Até lá, evidentemente, muitos modelos de sustento serão tentados, alguns com sucesso, outros não. Os grandes projetos permanecerão sustentados por grandes grupos – hoje, empresas de telecomunicações e de mídia. O jornal New York Times ainda sustenta seu portal, embora o site tenha mais leitores.


Um dia, internet dará dinheiro suficiente para pagar-lhe o jornalismo.’


INTERNET
Bruno Sayeg Garattoni


Serviço Net Vírtua causa polêmica


‘Você navega na internet, acessa seus emails, entra no YouTube… Tudo normal. Mas aí, na hora de baixar uma música ou um vídeo, a coisa muda: os downloads feitos com programas de troca de arquivos (peer-to-peer, ou P2P), como os superpopulares eMule e BitTorrent, ficam estranhamente lentos.


E sem nenhum motivo aparente – mesmo que haja muita gente compartilhando o arquivo que você quer baixar, o download se arrasta.


Revoltados, muitos internautas acusam os serviços de banda larga de boicotar, intencionalmente, os programas P2P – usando um truque chamado traffic shaping (veja quadro).


Isso não é novidade, e já rendeu muita discussão. Mas, na semana passada, a polêmica voltou a pegar fogo: caiu na internet uma gravação em que um funcionário da Net, empresa responsável pelo serviço Vírtua, admite a desaceleração forçada dos programas P2P.


A gravação, que está no site, foi feita pelo usuário Erick Tostes, que tinha acabado de assinar o Net Vírtua e se assustou com a lerdeza da conexão. ‘Eu ainda não tinha desinstalado o meu Speedy, de 1 Mbps, e aí comparei com a conexão do Vírtua, de 2 Mbps.’


Segundo Erick, o Speedy conseguiu baixar a 110 KB/s – um valor normal, dentro do previsto (veja no texto abaixo como calcular a velocidade real da sua conexão de banda larga).


Já a conexão do Vírtua, que supostamente tem o dobro da velocidade, foi patética – 30 KB/s. Como os testes foram feitos com o mesmo arquivo, Erick atribui o resultado ao traffic shaping. Mas por que o provedor recorreria a essa prática?


‘A Net oferece 2, 4, 8 mega. Mas não quer que as pessoas realmente usem (essa capacidade), pois a rede dela não agüenta’, fustiga Horácio Belfort, da Abusar – associação que reúne usuários de banda larga.


A Net diz que sua rede tem capacidade de sobra e reitera que nunca sabotou os programas P2P. Ela diz que flutuações de velocidade são normais. ‘A internet, como um todo, oscila’, alega Marcio Carvalho, diretor de produtos da empresa.


Mas, como explicar, então, a ‘confissão’ gravada pelo usuário Erick Tostes? ‘Houve um problema de comunicação. A Net não concorda com as afirmações (do atendente).’


Sem se identificar, a reportagem do Link ligou para o suporte técnico da Net e reclamou de uma conexão Vírtua 2 Mbps – que realmente apresentava dificuldade com programas peer-to-peer. Algumas horas depois, a velocidade, que estava em 30 KB/s, subiu para o nível esperado – 250 KB/s. Então, se você está com problemas, a primeira medida é reclamar.’


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Veja como driblar o suposto bloqueio


‘Os downloads estão lentos? O primeiro passo para superar esse problema é descobrir a velocidade real da sua conexão. Basta fazer uma continha.


Os provedores de banda larga indicam a velocidade da conexão em milhares de bits por segundo (Kbps). Mas o seu computador indica a velocidade em milhares de bytes por segundo (KB/s). Parece a mesma coisa, né? Mas não é.


Para saber a velocidade real da sua conexão, pegue a velocidade ‘nominal’, aquela indicada pelo provedor, e divida por oito. Por exemplo: se eu tenho uma conexão de 500 Kbps, e divido esse valor por oito, vou concluir que a minha velocidade máxima de download é de aproximadamente 62 KB/s.


É esse valor que tem de aparecer na tela do computador quando você estiver baixando arquivos. Na prática, a velocidade da conexão é influenciada por muitos fatores – mas, se os seus downloads sempre ficarem muito abaixo do máximo teórico da sua conexão, alguma coisa está errada.


O truque mais básico, para quem usa programas do tipo peer-to-peer, é trocar a porta de conexão – quando dá certo, essa mudança faz com que os downloads passem a correr por uma estrada desimpedida, sem os ‘afunilamentos’ impostos pelo provedor.


Experimente mudar a porta de conexão para 1720 – normalmente, ela é usada por softwares de videoconferência, que os provedores geralmente não limitam.


Nos programas BitSpirit e MicroTorrent, que são clones melhorados do BitTorrent, o ajuste é bem simples. No BitSpirit, basta clicar em Options/Preferences, entrar em Network Options e digitar 1720 no campo Default Port. No MicroTorrent, clique em Options/Preferences e Connection. Não use o BitTorrent ‘original’, pois ele tende a ser mais lento.


Quando funciona, a mudança de porta produz uma aceleração dramática. Mas ela nem sempre dá certo. Nesse caso, a solução é ativar a criptografia, que embaralha a transmissão de dados entre o seu PC e a internet.


Aí, como o provedor não consegue ler os dados, teoricamente não percebe que você está usando um programa do tipo peer-to-peer – e, portanto, não consegue impor limitações de velocidade aos downloads. No BitSpirit, clique em Options/Preferences, entre em Protocol Extensions e aí, no campo Encryption, escolha a opção ‘Force’. Se não der certo, volte a essa tela e escolha a opção ‘Normal’.’


Gustavo Miller


No palco, no cinema, na TV e na web


‘Está difícil arranjar alguma desculpa para não ver o trabalho da atriz Graziella Moretto. No cinema, ela está em cartaz com o filme Não por Acaso. Já no teatro, lá está ela de novo com a peça A Graça da Vida. E não adianta vir com aquele papo de não morar em São Paulo para ver a peça ou de não ter o longa dirigido por Philippe Barcinski sendo exibido na sua cidade.


É só entrar no YouTube e procurar pelo nome da atriz que a diversão está garantida. Isso mesmo. Lá no site é fácil se deparar com as aventuras de Carmelita Baruerink da Vega, uma socialite e filantropa que mal consegue mexer o rosto tamanha a quantidade de botox que tem na face. Outra boa dica é Solange Alazão, uma personal trainer que ensina os melhores exercícios para fugir de uma bala perdida.


Ao todo são cinco os personagens criados, que ainda incluem uma atriz mirim de 11 anos que pôs prótese de silicone, a fútil Cristiangela Galinhelli e Palmitinha, uma cozinheira pra lá de atrapalhada. ‘Acho que hoje não existe meio melhor que a internet para fazer esse trabalho que eu amo fazer, o humor’, diz. ‘E isso que eu fiz no YouTube dificilmente poderia ser colocado na TV sem fazer concessões. Eu teria de enquadrar os personagens em alguns moldes e perderia um pouco o lado autoral do trabalho’, completa.


Os vídeos não foram feitos exclusivamente para a web, e grande parte dos personagens já acompanha Graziella desde os tempos do show humorístico Terça Insana. Os filmes têm cerca de 4 minutos cada e foram feitos para servir como cena de transição para um show de humor que a atriz apresentou em 2005: Porcaridade, que teve uma única apresentação, com o intuito de ajudar uma escola da periferia paulistana.


Por ser um show solo, Grazi ficava em cena o tempo todo. Então os vídeos entretinham o público a cada troca de personagem. Feito o espetáculo, os filmes ficaram de lado, até que seu cunhado os colocou no YouTube. ‘Ele disse: ‘Ei, por que a gente não joga lá? Não vai custar nada mesmo!’, lembra.


Aos poucos, os vídeos foram conquistando os internautas e Grazi viu que na web há um tipo de publicidade que no teatro é essencial para o sucesso de uma peça: o boca-a-boca.


‘Só que a internet faz isso muito mais rápido e com um clique você já comenta o que viu com mil pessoas!’, diz.


Graziella fala que outra semelhança que ela adorou ter visto entre a internet e o teatro é a possibilidade de experimentar personagens. Quando ela atuava no Terça Insana, personagens novos eram criados semanalmente e o público julgava aquele que mais agradasse. ‘É um método ‘tentativa e erro’. Às vezes é um tiro e faz um baita sucesso; em outras, eu passava vergonha’, ri. Solange Alazão, por exemplo, nunca foi muito aproveitado no teatro, mas na web o vídeo dela é o mais assistido entre todos os da atriz.


Essa curiosidade faz Graziella pensar em criar shows humorísticos feitos exclusivamente para a web. Ela cita dois exemplos de programas que a agradam muito: Illeanarama – Supermarket of the Stars, uma sitcom de Illeana Douglas cujo enredo fala de uma atriz independente (a própria Illeana) que, desiludida da vida artística, vira caixa de supermercado.


O outro é o talk-show The Jeannie Tate Show, em que a apresentadora recebe os convidados em sua van, ao mesmo tempo em que leva os filhos para jogar futebol. Esse é um quadro criado pela turma do Head in the Oven, que produz curtas humorísticos apenas para a web.


‘O pessoal cobra muito por novos vídeos, mas falta ‘tempo’, diz. Quando diz ‘tempo’, Grazi se refere ao fato de que na internet ainda é muito difícil ganhar dinheiro com algo assim. Por isso, os projetos ficam apenas no campo das idéias. ‘Eu tenho de ganhar a vida por fora e arranjar algum trabalho que me sustente, então a internet é meio que um frila’, brinca.


Mas ela promete que, em breve, os internautas que tanto a privilegiam vão ver algum trabalho especial para o mundo virtual. ‘A web criou novos espaços para quem tem o que dizer e isso facilitou muito. Por quanto tempo a gente não teve espaço para se mostrar porque tinha de se adequar a certos padrões como os da TV?’, pergunta.


E ela sabe que, arranjando tempo para pôr a cachola para funcionar, o projeto vira realidade rapidinho. ‘É uma coisa que só depende da gente: meu marido é técnico de som e meu cunhado é montador. Eu já tenho a equipe técnica na minha própria família!’, ri.’


***


Novos e velhos talentos do humor pipocam pela internet


‘Apesar de os vídeos de Graziella terem entrado no YouTube por acaso, não pára de crescer o número de humoristas (da velha-guarda à molecada) que põe na rede os seus trabalhos.


A turma do Terça Insana, da qual a atriz participou em 2003, tem uma quantidade enorme de vídeos de suas apresentações no YouTube. Em entrevista ao blog do Estado ReporterAlex, a diretora do espetáculo, Grace Gianoukas, disse que o site ‘é uma ferramenta sensacional de marketing e divulgação, porque é espontânea’. O pessoal do Clube da Comédia, especialista em humor stand-up comedy, também se aproveita dos vídeos na internet para se promover. Os comediantes Rafinha Bastos e Danilo Gentili chegam a colocar na web algumas de suas apresentações.


Dá até para vender o peixe de uma peça que nem estreou, como fez a atriz Cristina Nicoletti, do hit Vai Tomar no… O seu show Se Piorar Estraga estreou na semana passada com quase todos os ingressos esgotados (será que o vídeo ajudou?).


Como não poderia deixar de ser, a rede é a porta para gente nova se mostrar, como o paulista Maurício Chad, que cria sátiras de programas da TV.


Procurando no YouTube por ‘humorista’ e ‘comediante’, dá para achar um monte de coisas (ruins e boas).’


TELEVISÃO
Julia Contier


Festa sob patrocínio


‘Graças ao patrocínio do Unibanco, Saraiva, Porto Seguro e Ipê, e a uma parceria inédita entre a TV Cultura e a direção da Festa Literária Internacional de Paraty, este ano a emissora vai montar na Flip uma tenda que servirá de sede aos estúdios dos seus programas.


A determinação de cobrir o evento de forma especial veio de Paulo Markun, que ao assumir a presidência da Fundação Padre Anchieta determinou que a TV Cultura mudasse a cobertura da Flip, disse Hélio Goldstein, coordenador do Núcleo de Cultura e Artes Cênicas da TV Cultura.


‘O objetivo de uma TV pública passa por eventos como a Flip. É por isso que este ano a Cultura fará uma cobertura especial, inclusive com links ao vivo exibidos pelo Metrópolis’, explica.


Durante os cinco dias, alguns dos principais programas da TV Cultura – Roda Viva, Metrópolis, Vitrine, Entrelinhas, Planeta Cidade e telejornais cobrirão o evento e produzirão edições especiais que serão exibidas posteriormente pela emissora.


A transmissão será feita em rede e todas as emissoras públicas devem receber a programação gerada pela Cultura de Paraty.


Reportagem motiva Assembléia


Uma denúncia do Repórter Record do dia 25 de junho sobre o maltrato a idosos mobilizou a Assembléia Legislativa de São Paulo na semana passada. O promotor e deputado Fernando Capez (PSDB) pediu à Record a fita com a reportagem A Velhice Pede Socorro para exibir aos colegas, a fim de que se comece a debater a atual legislação a respeito do tema na Frente Parlamentar em Defesa dos Idosos. Capez ainda solicitou uma cópia do programa para enviá-la ao Procurador-Geral da República, por causa da gravidade das denúncias.


Entre-linhas


Entre as reformas operadas por Paulo Markun na Fundação Padre Anchieta, está a saída de Salomão Schvartzman do ar. O Diário da Manhã se despediu da Rádio Cultura FM na última sexta.


A RedeTV! anuncia que terá seu primeiro correspondente internacional. O repórter Daniel Fábris troca Belo Horizonte por Londres.


A Band estréia hoje O Jornal do Pan para aquecer a cobertura dos Jogos Pan-Americanos. Vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 11 da manhã, com apresentação de Nivaldo Prieto.’


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 2 de julho de 2007


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A Copa, o Pan e as armas


‘‘Gol do Brasiill!!’, berrou Galvão Bueno três vezes, narrando desde o Brasil, não da Venezuela. E sem menção a Hugo Chávez, a não ser indiretamente, ao ver Robinho cercado por uma dúzia de soldados: ‘É um policiamento ostensivo, muitas vezes agressivo’. Por uma vez, ele concordou com Bob Fernandes, que em blog no Terra Magazine, desde a Venezuela, vem sublinhando a presença militar em toda parte, de ‘homens com metralhadoras’, na Caracas da Copa. No Rio dos Jogos Pan-Americanos, ‘soldados de olhar fixo e fuzil na mão’ no Complexo do Alemão, descrevia o ‘Jornal Nacional’ de anteontem. Mas não, nada de ligar uma coisa e outra, soldados e Pan.


‘PRIMEIRÍSSIMO MUNDO’


Do Pan, ontem na transmissão, lá estava Galvão Bueno descrevendo o Engenhão ou João Havelange como ‘um estádio de Primeiríssimo Mundo, um legado que vai ficar dos Jogos’ etc. No sábado, na Globo , era ‘o mais moderno de todos os estádios brasileiros’, ele que ‘segue à risca os padrões da Fifa em conforto e segurança’. A saber, foram ‘R$ 320 milhões gastos nesta obra de arte do esporte’. Para registro, a agência Associated Press, em diversos sites, até elogiou, mas viu ‘problemas de infra-estrutura’.


CHÁVEZ FORA


Na Agência Bolivariana, há dias, ‘Venezuela reitera o interesse num Mercosul com novo modelo de integração’. Na Folha Online , o notícia de que ‘Chávez está disposto a retirar o pedido de ingresso’. Avalia o ‘ ‘Financial Times’ ‘ que o Mercosul, na verdade, não o quer tão cedo, para fechar acordo com a Europa .


‘CONDUTO DE COCA’


A AP , em uma reportagem de quatro correspondentes, despachou a sites de jornais dos EUA e Europa o especial ‘Venezuela se torna conduto de cocaína’. A partir de fontes venezuelanas e americanas, a avaliação é que que ‘Caracas vem tomando a posição de Bogotá [Colômbia] de centro para operações de drogas’.


CIMEIRA E AS PRIORIDADES


A estatal Agência Brasil destacou a chegada de Portugal à chefia da União Européia com o Brasil como ‘uma das prioridades’. Do primeiro-ministro de Portugal, ‘nossa presidência começa com uma nova cimeira, a cimeira com o Brasil’, para tratar, como sempre, de ‘biocombustíveis’. É o encontro de cúpula de Lula com os líderes europeus, nesta semana. Mas agências e jornais como o ‘Financial Times’ não vêem bem assim. Até mencionam o Brasil e o Mercosul ao apresentar a gestão portuguesa que começou ontem, mas sublinham os incêndios a apagar na própria Europa, envolvendo a Polônia, a Rússia, a Turquia etc.


SEM RESPEITO E MEDO


O ‘Miami Herald lamenta em coluna a queda da nova lei de imigração e do ‘fast track’, que dava poder à Casa Branca de fechar acordos comerciais. No dizer de Otto Reich, o ex-enviado americano, ‘na América Latina, a direita perdeu o respeito por nós e a esquerda perdeu o medo’.


MAS COM ETANOL


Sobrou, para tentar deixar ‘alguma coisa próxima de um legado de George W. Bush na região, a parceria com o Brasil para produzir etanol de cana na América Central’. Isso, se Washington conseguir levar o projeto adiante, na prática. E tem também os acordos bilaterais, ainda pendentes.


‘WAR’


O blog ValleyWag desenhou o mapa das redes sociais para ‘brincar de dominar o mundo’. Nos EUA, o Myspace de Rupert Murdoch lidera, mas o Facebook está chegando lá. O Orkut, do Google, não vai além dos Brics Brasil e Índia’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Veto da Anvisa deve tirar R$ 240 mi da TV


‘Proposta da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de regulamentar a propaganda de alimentos vai reduzir em R$ 802 milhões por ano o investimento publicitário da indústria alimentícia.


Com o objetivo de reduzir as mortes por doenças relacionadas à obesidade, a agência já tem pronta uma proposta de resolução que, entre outras medidas, limitará ao período entre 21h e 6h a propaganda de alimentos ‘com taxas elevadas de açúcar, gorduras trans e saturada e sódio’, além de ‘bebidas com baixo teor nutricional’ (refrigerantes, refrescos, chás). A resolução também proíbe desenhos e personagens infantis na publicidade e a distribuição de brindes nas embalagens.


Dos R$ 802 milhões que serão cortados da mídia, R$ 240 milhões são de gastos com TV que deixarão de ser feitos, o que equivale a duas vezes o orçamento anual da TV Cultura. Os dados são da Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação) e (parte deles) constam de relatório da Anvisa sobre o impacto econômico da restrição da propaganda.


Segundo a Abia, as medidas cortarão 40% da publicidade de alimentos, que atingiu R$ 2 bilhões em 2005. A indústria deixaria de vender R$ 18,2 bilhões/ano (10,6% do total). ‘A proibição é quase como uma censura prévia ao setor’, diz Edmundo Klotz, presidente da Abia. ‘Quem mais perderá com isso será a mídia’, prevê.


PEGOU MAL


A cúpula da Record não gostou de ver a apresentadora Eliana cantando o hit ‘Vai Tomar no C…’ numa peça de teatro. A apresentação está disponível no site YouTube. Executivos da emissora chegaram a discutir o assunto em reunião, mas acharam melhor não repreender a artista, uma vez que a Record não foi envolvida.


SALÃO 1


A Globo adiou para 2008 o quadro ‘Dança da Galera’, versão do ‘Dança dos Famosos’ só com anônimos. No lugar dele, o ‘Domingão do Faustão’ terá no próximo semestre um concurso de um ‘concurso de covers’.


SALÃO 2


Depois do ‘Circo dos Famosos’, que estréia domingo, o ‘Domingão’ fará uma segunda edição do ‘Dança no Gelo’.


ZERO É DEZ


A Globo estima fechar o primeiro semestre de 2007 com zero de crescimento em seu faturamento. Mas está satisfeita com o resultado. Afinal, o primeiro semestre de 2006 foi inflado pela Copa do Mundo.


CURSINHO


O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) realiza amanhã à tarde, em sua sede no Rio, um seminário sobre seu programa de financiamento à TV digital. O fórum será dirigido às TVs, fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos e bancos.


AGENDA


Na sexta, também no Rio, o IETV (Instituto de Estudos de Televisão) promove encontro entre os principais executivos da televisão para discutir conteúdo em TV digital.’


Nelson Ascher


As lições de ‘Roma’


‘A SÉRIE ‘Roma’, cuja segunda e última temporada terminou há poucas semanas, é o que se pode chamar de alto entretenimento. Veicular informações não estava entre seus objetivos, mas tampouco há por que pôr em dúvida que, mesmo nesse sentido, ela deve ter sido útil. Muita gente, depois de vê-la, não apenas tem agora uma visão mais informada e instigante do que foi a antiga Roma, com tudo o que a aproxima e a afasta de nós, como pode ter tido sua curiosidade aguçada o bastante para procurar mais informações. Alguns, quem sabe, até mesmo chegarão a Tito Lívio, Suetônio, Tácito, Cícero etc.


Suas virtudes, portanto, lhe eclipsam as limitações. Professores e especialistas destacaram, na série, aspectos e detalhes que não correspondem àquilo que sabemos dos fatos -e esse é o papel deles. A verdade, porém, é que mesmo tais distorções, se encaradas sem demasiada sisudez, assumem um caráter lúdico, digamos, convertendo-se num jogo que consiste em encontrar erros e adaptações meio infiéis. Certas liberdades que foram tomadas, no entanto, não são de forma alguma erros. São recursos imaginativos a que os roteiristas recorreram para tornar a narrativa interessante como obra de ficção -e um ótimo exemplo é a trama que faz de Cesarion, o filho de Júlio César com Cleópatra, um possível bastardo do legionário Titus Pulus.


Além do quadro da época e suas minúcias, há diversos outros fatores que merecem consideração. A qualidade dos atores é quase sempre excelente, e não é à toa que os principais são britânicos ou irlandeses, ou seja, oriundos de uma grande tradição dramática em cujo centro estão também duas peças clássicas que recobrem o mesmo período: ‘Júlio César’ e ‘Antônio e Cleópatra’, ambas de Shakespeare. O ritmo da série lhes deu a oportunidade de apresentarem o que tinham de melhor.


Locações e cenários subverteram de maneira perspicaz a imagem que Hollywood criou de Roma em seu apogeu, pois, em vez de uma cidade pronta, perfeita, monumental e toda marmórea, o que vemos é antes um organismo vivo, uma metrópole pulsante com seus altos e baixos, seus bairros chiques e favelas, sobretudo uma entidade mutável, continuamente em obras, com andaimes aqui, guindastes ali. Em outras palavras, a cidade em si nos é apresentada menos como uma estátua ou monumento, algo cuja perfeição cabe-nos admirar, do que como um processo, uma transformação ininterrupta que dialoga com e ilumina nosso próprio mundo.


Nem tudo na série é uniformemente de alto nível, e a primeira temporada, a que narra a trajetória de César, mostrou-se mais realizada do que a segunda. Seja como for, ambas multiplicam exemplos de soluções engenhosas para os problemas colocados. Quem queira retratar o período em questão não tem como escapar da necessidade de retratar, de forma convincente, as batalhas. No entanto, apenas uma delas, creio que a de Phillipi, foi filmada como tal, com centenas de ‘extras’ vestidos de legionários e toda a parafernália. Uma idéia das outras foi perfeitamente passada por meio de cortes súbitos que, eliminando as cenas grandiosas, justapunham o começo e o desfecho dos combates, exibindo suas conseqüências imediatas para alguns poucos personagens.


Vale a pena observar que a combinação de um roteiro inteligente com bons atores contribuiu igualmente para nos fornecer uma visão nuançada seja da luta da maioria pela sobrevivência, seja a da minoria pelo poder. Os personagens emergem do passado em sua imperfeição, nem inteiramente bons e admiráveis, nem inteiramente maus e desprezíveis. Ao contrário de nós, eles claramente ignoram o que o futuro deles lhes reserva: César não supõe que será assassinato naquele dia, nem Marco Antônio antevê que um garoto tímido, filho de sua amante, será seu rival vitorioso.


É importante ressaltar o ponto acima, pois, ao que parece, o senso de historicidade vem se perdendo, inclusive entre pessoas de quem se esperaria uma visão mais elaborada das coisas. Tornou-se moda, por exemplo, criticar os bombardeios de Dresden ou Hiroshima durante a Segunda Guerra, como se, quando foram planejados e decididos, os responsáveis soubessem de tudo o que levamos décadas para saber e/ ou entender. Isto, mais do que a mera narrativa de intrigas e batalhas, é a grande lição de história da série -a saber, a de que, em cada momento, os agentes históricos agem com informações parciais, freqüentemente equivocadas, usando como conseguem seus cinco sentidos para sobreviver num ambiente complexo e perigoso.’


QUADRINHOS
Pedro Cirne


HQ retrata cotidiano de um namoro


‘Uma relação amorosa tem de tudo: surpresas, erros, presentinhos, desculpas, mágoas e aquele chato daquele ex-namorado que não se toca. A história em quadrinhos ‘12 Razões para Amá-la’, lançada neste mês, é uma aventura, não de super-heróis ou aventureiros, mas de um casal tentando ser feliz.


Evan e Gwen são jovens, bonitos e, como todos os seres humanos, imperfeitos. ‘12 Razões para Amá-la’ apresenta o namoro dessa dupla por meio de 12 cenas curtas, fora de ordem cronológica.


A idéia não é mostrar como eles se conheceram, os primeiros encontros, a relação já estável e a troca de presentes no aniversário de um ano. O que os autores Jamie S. Roch e Joëlle Jones fazem é trazer cenas aleatórias que podem parecer sem importância em um primeiro momento, mas que, juntas, constroem o mosaico complicado que é um namoro.


Assim, há um capítulo composto apenas por Gwen contando piadas sem graça, sob os protestos de Evan. Em outro, os dois estão assistindo a um filme de terror no cinema, e ela descobre que ele está roncando ao seu lado. ‘Que espécie de cara leva sua namorada para ver ‘O Exorcista’ e ainda tira uma soneca durante a sessão?’, indigna-se a namorada.


Os poucos coadjuvantes que aparecem quase não falam. A força das histórias está na interação entre Evan e Gwen. É nos seus detalhes que são revelados os medos, inseguranças, erros e o carinho que sentem um pelo outro. E também são nesses pequenos detalhes, que na verdade nunca são ‘pequenos’, que está o mérito desta HQ: são eles que aproximam o leitor das personagens.


Trilhas


‘12 Razões para Amá-la’ tem um jeito de álbum de música. Os nomes dos 12 capítulos são canções, apresentadas já com os nomes dos intérpretes, como uma indicação de trilha sonora para a leitura. Há até menção a uma cantora brasileira: o nono capítulo chama-se ‘A Certain Sadness’, faixa que Astrud Gilberto gravou com o também brasileiro Walter Wanderley no álbum ‘A Certain Smile, a Certain Sadness’, em 1966.


Todos os capítulos de ‘12 Razões para Amá-la’ trazem a simplicidade e a beleza do cotidiano. É como se os autores dissessem: para viver um relacionamento a dois, não se deve procurar por reviravoltas, clímax ou grandes revelações. Já está tudo lá: nos diálogos, risos, ciúmes, flores, diferenças e até no presentinho besta. É só querer enxergar.


12 RAZÕES PARA AMÁ-LA


Autores: Jamie S. Roch e Joëlle Jones


Editora: Devir


Quanto: R$ 22 (152 págs.)’


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