Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

E-NOTíCIAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

A proibição de jornalistas em Gaza

Por Jorge Luiz Cursino Roriz em 13/01/2009 na edição 520

A imprensa mundial está impedida de entrar na Faixa de Gaza. Qual o motivo da proibição? Israel se preocupa com a segurança dos jornalistas ou deseja impedir que a imprensa documente e divulgue o massacre dos palestinos? A proibição não impediu que jornais de todo o mundo retratassem crianças inocentes e palestinos cobertos de sangue caracterizando o conflito como se apenas um lado tivesse vítimas.


Pouco se fala que o Hamas atacou civis israelenses, quebrando unilateralmente o acordo de cessar-fogo, em dezembro de 2008. Onde estão as fotos das vítimas civis israelenses?


É inegável a superioridade do Exército israelense, porém é preciso que o conflito não tenha uma cobertura parcial da imprensa internacional, retratando o grupo Hamas como pobres inocentes. Os verdadeiros inocentes são os civis palestinos, que estão servindo de escudo para ideologias comunistas e são massa de manobra do antiamericanismo.


Se um gigante for atacado por uma formiga, no mínimo o gigante vai coçar no local atingido, podendo matar o inseto. Como dizia Bertolt Brecht, ‘Do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem’.


***
Tenho percebido no noticiário certa falta de análise sobre o conflito em Gaza. Muitas rádios noticiam que, apesar da invasão israelense ser muito forte, Israel ainda não conseguiu impedir que foguetes do Hamas sejam lançados contra o seu território, e Israel não está conseguindo atingir seu objetivo de terminar com o lançamento de foguetes.


1. Israel sabe que, neste momento, não vai impedir o lançamento de foguetes, pois este é um objetivo futuro; temos como exemplo o Hezbollah, que cantou vitória a quatro cantos, mas agora já declarou não querer guerra com Israel novamente.


2. Se anunciam protestos em todo o mundo contra Israel, mas não noticiam que estes protestos não demonstram propriamente a opinião dos governos onde é feito o protesto; protesto popular não representa o oficial.


3. A maior hipocrisia é dizer que existe crise humanitária em Gaza agora, porque sempre existiu, e nunca a mídia veio colocar isso de maneira tão enfática como agora.


4. O governo brasileiro repudiou o ataque israelense, mas nunca apresentou uma única proposta de solução, e nunca condenou o Hamas pelos atos de terrorismo. O que o governo faz agora é querer aparecer bonito na foto, como o resto do mundo – que diz querer um cessar-fogo. Cessar-fogo é uma palavra bonita e de impacto, mas não apresenta solução. (Edval Cruz, motorista, São Paulo, SP)


***


Peço que OI dê uma focalizada aqui em Brasília em relação á mídia. Só temos dois jornais e ambos estão disputando quem mais apóia os governos – federal ou distrital. Nenhuma crítica, nada. Só elogios, obras aqui, PAC acolá. A primeira página do Correio Braziliense de terça-feira (13/1) lança a candidatura Dilma. Depois, mais duas páginas inteiras sobre a estratégia e as diretrizes do governo para a crise e 2010. Nenhuma análise, apenas divulgação. Isto sem falar nos colunistas que surfam na marolinha. Para que Diário Oficial? Até a colunista social usa quase todo espaço divulgando a viagem do governador ao Rio. Ninguém fala nada contra, sei não… (Angela Miranda, professora, Brasília, DF)

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Jornalista, Salvador, BA

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