Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Ascensão dos aplicativos de mensagens desafia Facebook

Por Deepa Seetharaman em 14/07/2015 na edição 859
Reproduzido do Valor Econômico, em 10/07/205; intertítulos do OI, a partir de uma original do The Wall Street Journal

Cinco anos atrás, Justin Pak usava o Facebook para manter contato com amigos e parentes. Agora, o estrategista de marcas, que tem 28 anos e mora em Nova York, prefere usar um dos seis aplicativos de mensagens instalados no seu celular.

“Quando mando uma mensagem para alguém, há uma expectativa maior de que eles vão responder”, diz Pak. “Postar no Facebook é como pregar um bilhete na porta de um amigo e torcer para que eles vejam.”

O Facebook Inc. popularizou o conceito de rede social dez anos atrás. Agora, a rápida ascensão dos serviços de mensagens está transformando as redes sociais à medida que usuários se comunicam cada vez mais de um para um, em vez de um para muitos, como é a norma no Facebook.

Seis dos dez apps mais usados do mundo são serviços de mensagens, segundo a “startup” de dados Quettra. Apps de mensagem são usados, em média, quase nove vezes por dia, comparado com a média de 1,9 para todos os aplicativos, segundo a Flurry, unidade de análise de dados do Yahoo Inc.

Os usuários do Facebook recorrem aos aplicativos de mensagens WhatsApp e Messenger entre 25 a 30 vezes por dia, comparado com 15 vezes em que escrevem no “feed” principal do site, segundo estimativa do Deutsche Bank. Analistas preveem que o WhatsApp alcance 1 bilhão de usuários no início de 2016, sete anos depois de ter sido lançado – e dois anos menos que o próprio Facebook levou para atingir essa marca.

Conversas pessoais

Estudiosos da comunicação dizem que o crescimento dos aplicativos de mensagens é natural porque conversas pessoais diretas refletem mais fielmente a maneira como as pessoas interagem. Os usuários não estão abandonando o Facebook, mas a função da rede social está mudando.

“O WhatsApp está atendendo a uma necessidade mais primária que os [sites] de redes sociais como o Facebook e o Twitter, diz Scott Campbel, professor de comunicações móveis da Universidade de Michigan. “Talvez haja algo de evolucionário nisso, algo que tenha a ver com clãs.”

O próprio Facebook aderiu à tendência. Além de ter comprado o WhatsApp por US$ 22 bilhões no ano passado, a empresa americana também desenvolveu e promoveu o Messenger, que conta hoje com mais de 700 milhões de usuários.

“Acreditamos que mensagens sejam uma das poucas coisas que as pessoas realmente usem mais do que as redes sociais”, disse no ano passado o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, durante uma sessão pública de perguntas e respostas.

Ainda assim, a mudança traz desafios para o Facebook, que ganha dinheiro inserindo anúncios próximos aos posts dos amigos que os usuários veem nas suas páginas do site. Muitos apps de mensagens não as exibem da mesma forma sequencial, o que torna mais difícil acrescentar anúncios.

Receitas

Alguns serviços de mensagens da Ásia geram receita de outras maneiras. Cerca de 550 milhões de pessoas na China usam o WeChat todo mês para se comunicar com amigos, jogar videogames móveis ou assistir a esportes. A Tencent Holdings Ltd., dona do serviço, recebe uma fração das vendas de mercadorias reais ou virtuais para os usuários. O WeChat também coloca anúncios na sua lista de “Momentos”, que é semelhante ao “feed” de notícias do Facebook.

Já o Line, que é popular no Japão, Taiwan e Tailândia, gera receita com compras efetuadas dentro do app e ao vender pacotes de “stickers” on-line, as ilustrações e caracteres que as pessoas se enviam, por cerca de US$ 1,99 cada, para seus 205 milhões de usuários ativos.

Até agora, a receita proporcionada por essas iniciativas não chega nem perto do faturamento do Facebook com anúncios. O Line, WeChat e o sul-coreano KakaoTalk cobram de US$ 1,50 a US$ 3,00 por ano de seus usuários ativos mensais, enquanto o Facebook fatura, em média, US$ 9,45 por usuário ativo mensal.

Em março, o Facebook deu mostras de seus planos futuros ao abrir o Messenger para que desenvolvedores externos criem apps de vídeo e fotos para a plataforma de mensagens. A empresa também adicionou ao app uma função que permite aos usuários monitorar seus pedidos a varejistas on-line. Esses recursos, porém, ainda não geram receita.

David Marcus, responsável pelo Messenger no Facebook, diz que a empresa está consciente do desafio e que precisa superar os apps asiáticos. “No momento, não ganhamos dinheiro com o Messenger”, diz. “Mas estamos esperançosos que, com o tempo, vamos encontrar um modelo de negócios realmente bom e sustentável.”

Certamente, o Facebook está longe de desaparecer. Cerca de 1,44 bilhão de pessoas visitam o site pelo menos uma vez por mês. A rede social ganha dezenas de milhões de usuários todo mês, muitos de países em desenvolvimento onde o Facebook é considerado “a internet”.

Na média, entretanto, os usuários do Facebook estão compartilhando menos. Perto de 42% dos usuários da rede social dizem que atualizaram seu status ou postaram um comentário no primeiro trimestre – ante 69% no mesmo período de 2013, segundo a firma de pesquisa de mercado GlobalWebIndex.

Marcus, do Facebook, diz que o uso da rede social está mudando, mas que tanto o número de usuários do Facebook quanto o tempo que eles passam no site estão crescendo. “Então, isso não é problema.”

Há usuários experimentando um modelo híbrido que usa apps de mensagens em comunicações com uma única pessoa ou muitas. A escola de ensino médio Luther Burbank, em Sacramento, Califórnia, por exemplo, usa o WhatsApp para ensinar inglês a alunos não nativos. Todos os dias, os professores fazem uma pergunta à classe por meio de mensagens de texto ou áudio. Os alunos têm até a manhã seguinte para responder.

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