Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1060
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Big Broadway Brazil

Por Jose Morais da Silva Neto em 03/03/2009 na edição 527

O Big Brother começou e com ele o período em que milhões de pessoas desperdiçam kilowatts e mais kilowatts de eletricidade para assistir esse esboço de programa que, por sinal, apresenta algumas particularidades interessantes dentro dessa esfera televisiva pós-moderna. Em sua curta vida, o Big Brother Brasil já tem um papel relevante no que tange à movimentação de dinheiro no mercado de revistas de conteúdo erótico e pornográfico. A cada nova remessa, pelo menos 60% dos BBBs posam nus, as espiadinhas parecem estar dando bastante lucro e nesses tempos de crise sabe como é. Entre as diversas e divinas atribuições do BBB está o dever patriótico de renovar a composição de meta-celebridades que muito em breve atuarão nas baladas desse Brasil varonil, que é gigante pela própria natureza e um impávido colosso.

Cada nova edição do Big Brother abre vagas e dá um novo brilho, ou melhor, recicla o ‘profissional’ ex-BBB, que vê essa temporada de safra como uma nova oportunidade de se ver na tela, de expor sua imagem no mercado midiático. O ritmo ciclotímico gerado por Bial e seus comparsas não se encerra aí. O BBB também é um termômetro, um indicador do padrão sócio-cultural que vigora em determinadas classes da sociedade; para a casa mais espiada do Brasil só entram perfis que atendem a uma determinada linha estética. Ou você já viu algum desempregado desdentado relaxando na sauna do BBB?

Formato fez e faz sucesso

Outra intendência desse programa é a de ser um prato cheio para os blogueiros: uns espinafram, esculacham sem dó nem piedade, atacando de um ponto de vista racional, mas outros, desavisados, escrevem com pieguice própria de telespectador viciado nos melodramas da casa. O efeito causado pelo Big Brother Brasil é mais visível após o término do programa, quando um punhado de ‘Rafinhas’, ‘Natálias’, ‘Tatis’ e ‘Fernandos’ são lançados ao mundo real. Esses novíssimos pseudo-artistas permeiam na nossa telinha, mas não nas telonas (deu pra sacar a ironia?). Na parte de divulgação, propaganda e marketing do BBB, o que chama a atenção é um ato de grande criatividade e ao mesmo tempo oportunismo – o cartel montado em conjunto pela Globo e RedeTV, enquanto a primeira cede as imagens exclusivas do programa, a RedeTV ganha audiência vinculando a tarde toda, no programa de Sônia Abrão, flashes, namoros, brigas e outras fofocas que rolam dentro da casa dos BBBs; um mutualismo perfeito.

Por mais inútil que pareça, o BBB faz sucesso, já foi também um fenômeno de audiência no começo, mas hoje em dia não tem o mesmo vigor. O formato do Big Brother fez e faz sucesso em outros países, principalmente nas camadas inferiores da sociedade, cumprindo assim o seu papel massivo. Depois de tantas críticas, voilà, eu assisto o Big Brother. Mentira.

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Estudante Comunicação Social UEPB, Remígio, PB

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