Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

E-NOTíCIAS > CUBA

Blogueiros se esforçam para ter acesso à rede

12/10/2007 na edição 454

Quando a cubana Yoani Sanchez quer atualizar seu blog, Generación Y, ela se veste como turista e entra disfarçada em um hotel de Havana, cumprimentando os funcionários em alemão – só assim Yoani pode acessar a rede, pois a internet nos hotéis é para uso exclusivo de estrangeiros. Em um dos posts recentes, a blogueira descreve a censura em seu país: há um grande número de policiais nas ruas de Havana checando documentos e revistando bolsas em busca de produtos vendidos no mercado negro.


Yoani é um dos exemplos de blogueiros independentes em Cuba que se esforçam para driblar o controle governamental e divulgar ao mundo notícias do país dominado por um único partido, o Comunista. ‘Estamos aproveitando que os hotéis não são monitorados. Eles não podem controlar a internet aqui’, conta ela. Ainda assim, manter um blog não é tarefa fácil. Quando Yoani está dentro do hotel, ela tem de ser rápida – não por medo de ser pega, mas porque o acesso é caríssimo. Para ficar uma hora online, ela tem de desembolsar US$ 6, o que equivale a duas semanas de salário.


Missão (quase) impossível


Os blogueiros independentes ainda têm de hospedar seus sítios em servidores fora de Cuba e contam com mais leitores estrangeiros do que dentro do país – o que não é surpreendente, pois apenas 200 mil cubanos, ou 2% da população, têm acesso à rede. O índice é o mais baixo de toda a América Latina, segundo a União Internacional de Telecomunicações, organização internacional destinada a padronizar e regular as ondas de rádio e telecomunicações internacionais. Apenas funcionários do governo, acadêmicos e pesquisadores têm permissão para ter e-mails, que são fornecidos pelo próprio governo. Os cidadãos comuns podem abrir e-mails apenas em terminais disponíveis nos correios, de onde também podem acessar a rede – porém só são liberados os sítios cubanos.


O governo cubano coloca a culpa do acesso limitado nas sanções americanas que impedem que o país se conecte com cabos de fibra ótica submarina. Por isso, Cuba alega ser obrigada a usar conexões via satélite de países como Canadá, Chile e Brasil – que são bem mais caras. No entanto, críticos afirmam que isto é apenas um pretexto para manter o controle da rede, uma ferramenta importante que alguns especialistas comparam ao fax que espalhou informações cruciais para o desmantelamento da União Soviética. Informações de Esteban Israel [Reuters, 9/10/07].

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